Coma menos carne

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Quando eu era adolescente, há muitos – e muitos! – anos, vi um anúncio que questionava o consumidor com uma foto de um porco fofinho e de um cachorrinho bem “pet” e uma mensagem do tipo… “se você ama os cachorrinhos, como pode comer carne de porco?”. Fiquei por um bom tempo pensando naquilo…  o quanto era apelativo, o quanto era verdade. Acho que foi a primeira vez que refleti sobre escolhas alimentares. Mas segui onívoro, comendo lombinho e amando cachorros e gatos.

Anos depois, cá estou eu ainda onívoro, mas um pouco mais esclarecido sobre as escolhas. Diferente de como era nos anos 90, ser vegetariano, hoje, não é um bicho de sete cabeças. Pelo contrário, é trendy e as opções no mercado não param de aumentar. Enfim, não é mais estranho você se declarar vegetariano, pescetariano, flexitariano ou vegano…

Porém, independente da etiqueta que você escolheu, é impossível falar de comer de forma sustentável sem falar de comer carne.

Do ponto de vista ambiental, a produção de carne é intensiva e ineficiente – acredita-se que a indústria pecuária mundial seja um dos principais impulsionadores da mudanças climáticas devido à produção de metano, avanço de fronteiras agrícolas e outras práticas pesadas de gases de efeito estufa.

De fato, se pensarmos na sustentabilidade da cadeia pecuária, por exemplo, é inviável, nos padrões ocidentais, alimentar 9 bilhões de pessoas tendo a carne como protagonista do prato e comendo a quantidade que comemos hoje.

É um assunto muito delicado e é compreensível que as pessoas não queiram abrir mão de se alimentar de algo que realmente amam. Mas o que deve nos unir é o reconhecimento de que o que comemos e como é produzido é fundamental para enfrentar os principais desafios globais, como a mudanças climáticas e a segurança alimentar.

Eu não sou porta-estandarte ou ativista pró-veganismo e respeito quem seja. O meu recado é: quero apenas sugerir que pensemos um pouco mais sobre qualidade, procedência e quantidade de carne que comemos no nosso cotidiano. Eis alguns exemplos e ideias que podemos adotar como nova forma de consumo:

Coma menos carne
Tire um dia da semana para não comer carne. Rola um movimento nas redes socias da “Segunda Sem Carne”, que tal? Neste dia, abuse de um cardápio rico em proteínas que substituam o seu bife e mergulhe no mundo dos grãos, legumes, nozes, folhas sementes… simples, saudável e delicioso!

Dica: conheça o site da campanha Segunda Sem Carne e inspire-se! O canal VegetariRango é engraçadinho e ensina várias receitas para ajudar quando a criatividade acabar.

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Escolha melhor a sua carne
Eu sei que para a realidade brasileira este item pode ser de difícil acesso, mas procure por marcas que mostrem um alto padrão de bem-estar animal e padrões ambientais e de qualidade. Procure criadores orgânicos, pequenos produtores, peixes frescos e, de preferência, de fontes sustentáveis.

Dica: no Rio, a carne utilizada na Cozinha Comuna vem de um pequeno produtor e aproveitam bois quase inteiros em seus blends, para evitar o desperdício. Outra dica são os produtos da Korin, disponíveis nos principais mercados de grandes cidades brasileiras, desde ovos até hambúrgueres orgânicos e sustentáveis.

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Laticínios Sustentáveis
O lema dos cervejeiros artesanais, “beba menos, beba melhor”, também se aplica aqui! A produção de laticínios também está diretamente envolvida com as questões ambientais da indústria pecuária, inclusive, com consequências negativas para o bem-estar animal. Como alternativa aos gigantes do mercado, eu procuro comprar derivados de leite (queijos, iogurte, requeijão e manteiga) direto de pequenos produtores na feira.

Dica: disponível em muitas redes de supermercados, o Leitíssimo é um leite de alta qualidade, de rebanhos criados soltos, alimentando-se apenas de pasto. Outra pedida são os laticínios do Vale das Palmeiras, do ato e ativista Marcos Palmeira, no interior do Rio. Tem requeijão, ricota, queijo minas frescal… tudo uma delícia!

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3 Perguntas Para Teresa Corção

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Teresa Corção é uma verdadeira defensora dos sabores brasileiros! Chef talentosa, ativista e entusiasta da ecogastronomia, ela carrega nas costas a nobre missão de valorizar pequenos produtores e promover a melhoria da qualidade alimentar da nossa sociedade.

Fundadora do Instituto Maniva e do grupo Ecochefs, Teresa traz a militância do gosto também para a cozinha do seu restaurante, O Navegador, no Rio de Janeiro, que tem um cardápio inteiro marcado pelo o uso de ingredientes da agricultura familiar, de Norte a Sul do país!

O trabalho da ecochef não é fácil, mas o resultado do esforço e dedicação se fazem presente tanto nos seus pratos quanto na rede que formou em pouco mais de 18 anos de ação, ao fomentar iniciativas em prol da educação do gosto, da ecogastronomia e do resgate da memória alimentar. Confira o resultado da conversa que tivemos no lindo salão d’O Navegador:

1. Como surgiu o seu interesse pela ecogastronomia?
Tudo começou em 2001, em uma viagem para participar de um evento do Slow Food, em Portugal, chamado “Slow Food Awards”. Eu não tinha ideia do que viria pela frente! Neste encontro, houve um momento de premiação para pequenos produtores e um grupo de mulheres indianas que trabalhavam com resgate de sementes foram homenageadas. Aquele trabalho belíssimo me chamou muito a atenção. Eu fiquei impressionada com aquele gesto de reconhecimento direcionado para as mãos de quem produz alimentos e ingredientes que, por sua vez, se transformam nos pratos que chegam nas mesas dos restaurantes. Essa experiência mudou a minha visão sobre a gastronomia.

Voltei para o Brasil completamente imersa no conceito de ecogastronomia e no ano seguinte, em 2002, participei de um evento no Recife onde eu não conhecia metade dos ingredientes disponíveis para cozinhar. Dessa metade, quase tudo era derivado de mandioca! Quando voltei para o Rio, perguntei para a minha equipe de cozinha, quase todos nordestinos, se eles sabiam o que era uma Casa de Farinha. Todos sabiam! E também conheciam aqueles derivados da mandioca que, para mim, ainda eram uma novidade. Aprofundei a conversa e descobri que essa tradição gastronômica não estava sendo passada para as novas gerações, já nascidas no Rio de Janeiro. Aí tive o estalo de iniciar as oficinas de tapioca e várias ações com foco na educação do gosto e valorização de pequenos agricultores, culminando na criação do Instituto Maniva e do projeto Ecochefs.

2. O que é preciso para que o consumo de alimentos frescos, sazonais e sustentáveis torne-se mais acessível?
Para responder a essa pergunta eu vou até a raiz do problema, que está no campo. Falta assistência técnica rural qualificada e acessível para pequenos produtores. Faltam políticas públicas para que a agricultura familiar esteja mais qualificada para enfrentar problemas logísticos e de comercialização. Falta educação contextualizada que prepare o jovem rural para os desafios do campo. Se dermos respostas a questões como estas, certamente, os efeitos serão sentidos em toda a sociedade e, por fim, o acesso aos alimentos frescos não se restringirá somente à classe média ou a ações que fomentam a alimentação saudável.

3. Quais são os desafios de ser uma ecochef no Rio de Janeiro?
Os desafios são muitos, mas eu gostaria de destacar três: 1. o acesso ao produtor e ao produto, pois não temos uma logística que facilite esse canal de comercialização e troca; 2. convencer a sua equipe sobre a importância de valorizar o pequeno agricultor e mostrar a ela o impacto positivo que esta relação traz, tanto para nós quanto para os produtores e também para os clientes; e 3. sensibilizar os nossos amigos chefs que não estão muito atentos a esta temática. Muitos não entendem – ou não querem entender! – que as escolhas que eles fazem trazem benefícios diretos para toda uma cadeia produtiva, além de influenciar diretamente nos hábitos e escolhas dos consumidores. Falta uma visão mais política e sistêmica de todo esse ciclo.

Não desperdice alimentos!

 

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Crédito da imagem: Instituto Feira Livre

O que vem em mente quando você lê alguma coisa sobre mudanças climáticas? Acha que o problema está distante de você e só diz respeito à indústria? Já parou para pensar que muito desse papo tem a ver com comida e sobre todo o caminho que o alimento faz para chegar até a ponta do seu garfo? Pode parecer difícil de mensurar, mas dá pra imaginar o quanto de desperdício tem nesse percurso, né?

Qual é o impacto de uma sacola com restos da salada que vai para o lixo frente a outros elementos que contribuem para o aumento dos gases de efeito estufa, como a queima de combustíveis fósseis? Pode parecer pouco, mas nós – eu, você e um monte de gente – estamos desperdiçando muito, em escala global!

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Crédito da imagem: Instituto Chão

Como definifo pelo The Climate Lab, o desperdício de comida é, realmente, “o problema mais idiota do mundo”. Mais de um terço de todos os alimentos produzidos globalmente é desperdiçado ou estragado e, lamentavelmente, uma em cada nove pessoas sofre de desnutrição crônica neste planeta.

Segundo dados da FAO, a quantidade de terra dedicada à produção de alimentos desperdiçados seria o segundo maior país do mundo! A questão é: como toda essa terra pode ser usada para produzir alimentos que nunca chegam ao seu destino final?

A boa notícia é que reduzir o desperdício de alimentos é relativamente fácil em nível individual e aqui estão algumas maneiras fáceis de começar:

1. Seja realista sobre a quantidade de alimentos que você consome. Planeje as suas compras e compre o necessário. Vale a regra de ouro: nunca vá ao mercado com fome! Outra dica: faça compras pequenas e frequentes.

2. Não exagere na hora de cozinhar, mas se a receita der para um batalhão, use a criatividade para aproveitar as sobras no famoso SOS (sobras de ontem sortidas). A Rita Lobo pode te ajudar com várias dicas de como remixar o almoço de ontem….

3. Aprenda como armazenar os alimentos corretamente. Soa óbvio? Certifique-se de que você sabe quais frutas e vegetais devem ser armazenados à temperatura ambiente, e que você pode colocar na geladeira ou freezer para que eles durem mais.

4. Reduza o uso de embalagens comprando a granel ou escolhendo produtos soltos. Vai comprar frutas e legumes? Evite o saquinho plástico e coloque-os direto no carrinho. Depois de pesá-los, eles podem ir direto para a sacola de compras, por exemplo…

5. Compostagem: se você quiser ir além, a compostagem transforma restos de comida em ricos nutrientes para a sua horta ou jardim, e mantém os resíduos orgânicos fora dos aterros sanitários. Veja como fazer nessas dicas do site Sempre Família.

6. E por fim, descubra se no seu bairro ou cidade existem programas de doações de alimentos, como o Sesc Mesa Brasil.

 

Country Vibes Vol. 03

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Depois de um breve hiato, estou de volta com a terceira edição de Country Vibes, série de playlists do Caipirismo no Spotify para inspirar sua viagem, seja ela na estrada de chão ou na intimidade do seu quarto. Após passear pelo cancioneiro alt-country nos volumes 1 e 2, dessa vez finco os pés em solo brasileiro e apresento um apanhado do que se convencionou chamar de rock rural.

Trata-se de um subgênero que surgiu nos anos 70, quando vários artistas nacionais, influenciados por Bob Dylan, The Byrds e Buffallo Springfield, entre outros… começaram a misturar referências do universo folk com ritmos regionais, viola caipira e temas campestres.

Ficou curioso? Nesta playlist vou até o início dessa história, com Sá, Rodrix & Guarabyra, Clube da Esquina… passo pelos anos 80, com 14 Bis, Oswaldo Montenegro… nos anos 90, com Cowboys Espirituais, Nando Reis… e, por fim, chego no século XXI com uma nova leva de artistas que estão renovando o estilo, como Suricato e Anavitória.

Confira a playlist Country Vibes Vol. 03 no Spotify ou ouça logo abaixo.

Ugly Delicious: comida, reflexão e humor

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Há algumas semanas, Ugly Delicious começou a aparecer como sugestão na telinha do Netflix… salvei na “Minha Lista”, mas não dei muita importância. Um dia desses, quase que por instinto naquele mar de opções de séries e filmes, resolvi assistir. E pirei! Pirei muito!

Não tinha ideia do que era a série, muito menos que David Chang, Morgan Neville e Peter Meehan estavam por trás dessa produção altamente criativa e divertida que, claro, gira em torno da comida. A primeira temporada traz oito episódios, cada um com um tema central: Pizza; Tacos; Cozinhando em Casa; Camarão e Lagostim; Churrasco; Frango Frito; Arroz Frito; e Recheadas.

A cada capítulo, Chang, que assume o papel de mestre de cerimônias, vai construindo um grande ensaio sobre comida e cultura na forma de conversas e visitas a diferentes restaurantes em diferentes cidades e países… reunindo chefs, críticos gastronômicos, artistas e pessoas comuns. Parece meio esquizofrênico? Não se preocupe. Pegue na mão do David e deixe ele te conduzir nessa deliciosa narrativa que, como o nome diz, não trata – somente – de alta gastronomia e estrelas Michelin.

O primeiro capítulo, sobre pizza, é arrebatador! O que é pizza nos dias de hoje? A autenticidade da pizza napolitana ainda tem importância? Você sabia que no Japão existem pizzas maravilhosamente incríveis? E a pizza do Domino’s e a relação afetiva que as pessoas têm com ela? Como lidar com a “apropriação cultural” na gastronomia? Adaptar um prato tradicional é desrespeitoso ou inteligente?

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E o baile segue nos capítulos seguintes… depois de assistir ao episódio do churrasco, você descobrirá que o conceito de grelhar no fogo vai muito além da picanha, linguiça e asinha de frango… depois de assistir o do arroz frito, que conta com a editora do Eater-NY, Serena Dai, você nunca mais verá a junk food ou a comida chinesa de raiz com os mesmos olhos…. depois do episódio sobre camarão e lagostim, você vai refletir sobre imigração e o poder da comida como elemento de integração social.

Esta é uma série que capta a beleza singular das mulheres mexicanas ao amassar tortilhas, mas também não hesita em entrar pelo “drive-through” do Taco Bell. Chang reconhece que uma pizza feita com amor no Brooklyn, como a do Lucali, é melhor do que aquela que você vai comprar na Domino’s. Mas ele também reconhece que o gosto da pizza do Domino’s é bom…

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Muitos programas de TV com chefs famosos são implicitamente orientados para o ego deles, como gênios gastronômicos. Aqui, Chang é só um facilitador e guia que orienta a conversa e divide o prato com com alguns amigos (muito famosos), como Aziz Ansari, Jimmy Kimmel, Steven Yeun, Ali Wong, David Simon, René Redzepi e Gillian Jacobs, entre outros.

Ugly Delicious é uma série impulsionada pelo interesse de Chang, assim como os interesses de outros especialistas, como Meehan, em não apenas provar as porções que são colocadas na frente deles, mas realmente descobrir por que certos tipos de comida são tão pessoais e culturalmente específicas, mesmo quando estão sendo apropriadas e modificadas para atender aos consumidores em um outro país.

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Estamos falando de um programa altamente informativo, muito divertido e enriquecedor. Resumindo: é uma excelente pedida tanto para gastrônomos que piraram no Chef’s Table quanto para amantes de Big-Mac que não estão muito ligados no debate, mas querem um momento de diversão na telinha…

Se você chegou até aqui e vai se sentar para assistir Ugly Delicious, pelo amor de Deus, faça uns lanches, de preferência relacionados ao tema de cada episódio, para acompanhar a série. Caso contrário, ao final, você vai querer varrer a sua geladeira, ligar para pedir comida ou sair pelas ruas atrás de um restaurante ou mercado.

Para quem já assistiu e ficou curioso, o site Food&Wine fez uma lista com os endereços de todos os restaurantes mostrados na primeira temporada. Divirta-se!

Bacon é bacon, soja é soja!

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“Açougue vegano”… outro nome terá de ser pensado na lojas francesas (crédito da imagem)

Na França, “bacon vegano” não pode mais ser chamado de… bacon. Reconhecido pela luta contra anglicismos no seu vocabulário, o país tem, agora, um novo alvo linguístico: os produtos veganos. O parlamento francês proibiu, recentemente, o uso de termos que se referem a alimentos de origem animal em embalagens de comida vegana, como “leite de soja” e “queijo de castanha de caju”.

A justificativa é que os nomes podem confundir os consumidores e leva-los a pensar que o “leite de soja”, por exemplo, é realmente um produto lácteo. Não é dos argumentos mais consistentes, mas por outro lado, eu acho uma tremenda incoerência associar produtos veganos com o universo carnívoro…

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Isso não é um bife… (crédito da imagem)

“Açougues veganos” decorados com cutelos e tábuas, “salsichas veganas” que tem “o mesmo gosto da original”… deveriam soar quase como uma ofensa para os veganos militantes. Estes produtos deveriam se destacar pelos próprios atributos e sabores, e não emular seus equivalentes de origem animal.

“É importante combater falsas alegações”, twittou Jean Baptiste-Moreau, membro da Assembléia Nacional, que propôs a proibição. “Nossos produtos devem ser designados corretamente: os termos #queijo ou #carne serão reservados para produtos de origem animal.”

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Leite de soja não é leite (crédito da imagem)

 

Moreau se inspirou em uma decisão do Tribunal de Justiça Europeu, em 2017, que afirma que produtos de soja e tofu não podem ser vendidos como leite ou manteiga. Vale destacar que produtores de carne europeus têm feito um lobby forte para proibir termos baseados em animais de alternativas vegetarianas de carne por anos.

E eles têm motivos para se preocupar. A Alemanha é líder mundial na produção de alimentos veganos e a França não está muito atrás. Se as empresas se recusarem a cumprir a nova regra da França, elas poderão ser multadas em até € 300 mil.

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+ Com informações do Grist.

 

Paris quer criar uma floresta urbana gigante

A woman walks with her greyhound dogs along a path in the Durand forest near the French border to Switzerland in Ferney Voltaire
Imagine uma floresta assim em Paris… (crédito: Denis Balibouse/Reuters)

Com proibições de carros, grande expansão de transporte público e planos radicais para beneficiar pedestres, Paris vem ganhando reconhecimento como vanguarda no combate contra a poluição urbana. Para seguir adiante nesta cruzada, a Cidade Luz pretende criar uma nova floresta ao norte da região metropolitana!

As árvores seriam plantadas em um espaço  de 1.350 hectares, aproximadamente cinco vezes o tamanho do Central Park de Nova Iorque.

O plano não é novidade. Há mais de 15 anos o projeto está sendo adiado por debates e mais debates em torno do melhor uso do espaço que já está parcialmente urbanizado. Neste ano, representantes locais conseguiram avançar na proposta.

Destinar um espaço enorme para “árvores que não pagam impostos” em uma das áreas mais cobiçadas pela especulação imobiliária não é fácil, mas o terreno não tem uma história tão nobre…

Por mais de um século, a planície funcionou como um lixão resultando em um solo altamente tóxico, recheado de metais pesados. Ainda hoje o terreno ainda tem focos de despejo clandestino de lixo.

Para resolver esta questão, a superfície do terreno poderia ser coberta com árvores “absorventes de poluentes”, como o vidoeiro e o carvalho, formando uma grande floresta com trilhas e estradas, funcionando como um dissipador de carbono.

Este novo bosque ainda funcionaria como elo de ligação entre  as florestas de Saint Germain-en-Laye e Montmorency e também os rios Sena e Oise, formando um enorme tapete verde em plena área metropolitana.

Em meados deste século, poderia ser possível que um esquilo altamente motivado passasse de ramificação para filial do castelo de Versalhes para o castelo de Chantilly sem tocar uma vez no chão – uma distância de cerca de 30 milhas…. imagine essa ideia se tornando realidade…

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+ Com informações do site City Lab.