A multifuncionalidade da agricultura familiar

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A multifuncionalidade pode ser conceituada como um conjunto de novos aspectos relacionados à atividade agrícola, que não estão ligados diretamente à produção de alimentos e matérias-primas, e que vêm sendo legitimados como fundamentais para o bem-estar da sociedade. Ou seja, ela representa um reconhecimento de que a agricultura cumpre mais do que uma função econômica no meio onde está inserida.

O debate sobre multifuncionalidade começou na França, no final dos anos 90, e ganhou força na Eco-92, onde os governos reconheceram o “aspecto multifuncional da agricultura, particularmente com respeito à segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável”.

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Mais tarde, em 1998, a OECD, organização que reúne os países mais ricos do mundo, declarou que “além de sua função primária de produção de fibras e alimentos, a atividade agrícola pode também moldar a paisagem […], prover benefícios ambientais, tais como conservação dos solos, gestão sustentável dos recursos naturais renováveis e preservação da biodiversidade e contribuir para a viabilidade socioeconômica em várias áreas rurais”.

Em tal conceito, destaca-se que é importante compensar serviços ou bens públicos que o agricultor proporciona aos territórios, mas que não são remunerados pelos mercados, como a conservação ambiental, geração de capital social, fomento à cultura local ou diversificação da agricultura, por exemplo.

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Em uma visão mais produtivista, basta que se produza muito e a baixo custo, sem considerar outras externalidades. O resultado disso é um cenário de degradação do meio rural e das pessoas que nele vivem. Porém, sob esta nova ótica, voltada à sustentabilidade, entende-se que a agricultura tem a função de garantir a segurança alimentar e produzir em alta qualidade. Assim, ela passa a ser geradora de oportunidades de trabalho e renda no campo.

Nesse contexto, a biodiversidade e a paisagem devem ser preservados para garantir não só a conservação do meio ambiente, mas também a sustentabilidade das atividades agrícolas, através da proteção de nascentes, matas ciliares e áreas de proteção, por exemplo.

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Seguindo essa lógica, uma agricultura multifuncional pode: evitar o esvaziamento demográfico e cultural do campo; proporcionar a reintegração e o convívio social de comunidades rurais; e também gerar mais qualidade de vida, através da cultura, turismo, lazer e aumento de oferta de bens e serviços às pessoas que residem no campo.

Para os professores Ademir Cazella (UFSC), Phelippe Bonnal (UFRRJ) e Renato Maluf (UFRRJ), a noção de multifuncionalidade permite um olhar novo e ampliado sobre a agricultura familiar – com ela, percebe-se a interação entre as famílias rurais e os territórios na dinâmica de reprodução social, considerando os modos de vida dos agricultores na sua totalidade, e não apenas nos seus componentes econômicos.

Por fim, a multifuncionalidade considera a noção de que a agricultura familiar fornece bens públicos ligados às relações sociais entre as pessoas e suas organizações, ao meio ambiente, à segurança alimentar e ao patrimônio cultural. Dessa forma, já não mais encaramos uma família como meros geradores de alimentos, insumos ou commodities. O pequeno produtor é muito mais que isso.

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+ Imagens: livro Identidades Rurais – por Fernanda Dias.

Country Vibes Vol. 01

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Longas horas na estrada, dirigindo por aí sozinho, pedem boa música para alegrar a nossa jornada. Por isso, há algum tempo, tenho montado playlists inspiradas em paisagens rurais, que me fazem companhia quando estou viajando por esses interiores do Brasil. Tem moda de viola, indie rock, MPB, música pop… que, a partir de agora vou dividir com você, que curte boa música e, às vezes, fica perdido em meio às muitas opções do que ouvir. Por isso, apresento a vocês os Country Vibes!

Neste primeiro volume, disponível no Spotify, montei uma seleção com sons clássicos e também contemporâneos de artistas alt-country, um subgênero da música country americana que, ao contrário dos standards, fogem dos clichês e buscam influências navegando por rios, digamos, mais tortuosos e caudalosos, misturando rock, a atitude punk e cultura independente.

Confira a playlist Country Vibes Vol. 1 no Spotify ou ouça logo abaixo:

Professor cria hortas pedagógicas em terrenos abandonados do Bronx

Há alguns anos, o professor Stephen Ritz, que trabalha em uma escola no Bronx, em Nova Iorque, teve uma pequena grande ideia. Ao preparar uma horta, ele  percebeu que esta prática poderia se tornar uma atividade pedagógica simples, mas de grande impacto na vida dos seus alunos.

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Em 2009, Ritz e seus alunos montaram uma horta vertical, iluminada por lâmpadas LED. De uma tacada só, ele aplicou conhecimentos de Ciências, Matemática, Tecnologia e Nutrição. Esse foi o pontapé da Green Machine Bronx, um projeto que transformou 100 terrenos baldios da região em hortas e atualmente serve de exemplo para mais um monte de hortas urbanas.

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Ritz foi premiado Educador do Ano 2015 da Elementary School – Prêmio Bammy e deu trabalho ganhou destaque em várias plataformas e meios de comunicação, como a palestra do TED compartilhada neste post.

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+ Com informações: Somos Verdes

1º Congresso Nacional Para O Desenvolvimento do Turismo Rural

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Fui convidado para participar do 1º Congresso Nacional Para O Desenvolvimento do Turismo Rural, que acontecerá entre 7 e 11 de novembro, 100% online e de graça! Já estão rolando as inscrições. Oportunidade única para quem agricultores, turismólogos, especialistas e demais profissionais ligados ao setor. Corre lá, já coloca na agenda e participe!

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+ Imagem: Red Werneck / Que Maracujá

Caipirismo 2 anos

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Eu tinha a sensação que ainda era o primeiro ano se completando, mas fiz as contas e, para o meu espanto já se foram dois anos desde que tomei coragem, criei um blog e comecei a escrever aqui! E olha que eu pensei tanto, mas tanto até dar o primeiro passo e me vestir daquele sentimento de “vai lá e faz!”.

A gente não pode deixar a preguiça, a procrastinação e o medo criarem limo em nós. Não fosse esse primeiro passo eu não teria experimentado tanta coisa legal a partir do Caipirismo. E olha que eu sinto que não faço nem 5% do que eu poderia fazer com ele: abrir mais espaço de relacionamento, interagir mais, posts patrocinados, loja online, e-books, batalhar por melhores resultados em mecanismos de busca…

Tenho muito ainda pela frente, mas fico feliz ao olhar para trás e ver como a minha vida mudou graças a este espaço. Quanta gente boa eu conheci! Quanta novidade eu aprendi! Quanta coisa eu experimentei!

Nos próximos dias vou relembrar alguns posts marcantes e fazer um “melhores momentos” para celebrar os 2 anos de vida do Caipirismo. Não consegui me organizar, mas para o próximo ano quero fazer uma festa! Continuem comigo nessa busca pelo estranho, o agridoce, o diferente… e o que há de novo neste novo rural!

Entrevista para a Junta Local

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Na semana passada, o blog dos amigos da Junta Local, publicou uma entrevista comigo na série “Ajuntados da Junta”. Nesse bate-papo, eu conto um pouco sobre a origem do Caipirismo, sobre os conceitos de Neo-Ruralidade e Novo Rural e conto também como eu me tornei um ajuntado, escrevendo para o blog.

“Através da comida, a Junta tem fomentado na cidade toda uma agenda sobre segurança alimentar, locavorismo, CSA, consumo consciente… temas que, até pouco tempo, ninguém falava ou pensava sobre. Isso é muito significativo para mim.”

Confira a entrevista completa aqui!

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+ Imagem: Red Werneck/Que Maracujá.

Família Carnielli [Agroturismo Capixaba]

Fechando esta cativante série de posts, voltamos às origens do agroturismo capixaba, na fazenda da Família Carnielli, onde toda essa história de turismo rural começou.

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Albertina Carnielli

A Família Carnielli, pioneira do agroturismo no Brasil, é referência na atividade e recebe visitantes desde o final da década de 80. Fubá, queijos e café são os principais produtos comercializados na loja de fácil acesso, na beira da rodovia Pedro Cola, que liga Venda Nova  do Imigrante ao município de Castelo.

“Começamos a notar que as pessoas gostavam da nossa simplicidade e da forma como as recebíamos. O que para nós era rotina de trabalho, para eles era uma atração turística. Tudo era novidade e este interesse funcionou como um incentivo”, explica Leandro Carnielli, um dos proprietários da fazenda e consultor em agroturismo.

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Albertina e Leandro Carnielli

A fazenda produz uma infinidade de queijos, com Minas, Parmesão, Provolone e os refinados Morbier e Resteia, além de uma linha sem lactose. Café, fubá, polenta, artesanato em tecido e embutidos como socol e lombo defumado também são produzidos e comercializados na propriedade.

Outros produtos, como biscoitos, doces e compotas, feitos pelos vizinhos da família também são comercializados na loja, bem como utensílios para o preparo de café e laticínios com e sem lactose, como este iogurte de ameixa absurdo que eu experimentei na ocasião da visita:

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A Família Carnielli recebe turistas para visitas guiadas onde é possível conhecer toda a cadeia produtiva da fazenda e têm a oportunidade de passear pelos cafezais, pomares e criação de galinha caipira. Um programa completo!

Veja onde fica a fazenda da Família Carnielli no mapa abaixo:

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+ Imagens: Apoena Medeiros.