3 perguntas para Daniel Conde Perez

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Daniel Conde Perez sempre gostou de cerveja, mas a partir de 2011 o negócio começou a ficar sério. O engenheiro de custos, de Niterói (RJ), fez cursos não-profissionalizantes na área e completou sua formação com literatura americana especializada e muitas horas de panela. Foi colaborador do blog “A volta ao mundo em 700 cervejas” (atualmente desativo) e contribui para o Dois Dedos de Colarinho, do jornal O Globo. Organizou eventos e concursos cervejeiros, é um dos fundadores da AcervA Niterói, da qual já foi presidente, e também integrou a diretoria da AcervA Carioca. Daniel será um dos palestrantes do BARRIL, encontro cervejeiro promovido pelo Caipirismo, que acontecerá nesta quinta, dia 30 de abril, em Niterói. Confira a entrevista:

1. Como surgiu o interesse pela produção artesanal de cerveja?
Lá em 2011, quando conheci um camarada que já tinha “algumas hectolitragens na pança” e estava começando a se engajar mais no assunto. Ele me apresentou às cervejas especiais e o próximo passo, naturalmente, foi ver de perto essa história de fazer cerveja em casa. Fizemos um curso e logo começamos a produzir. Quando me dei conta, já estava viciado.

2. Quais são os principais desafios para quem deseja fazer a sua própria cerveja?
O primeiro grande desafio, depois de você abrir a cabeça e entrar nesse novo mundo, é vender a ideia para quem vive contigo, pois ele ou ela terá que dividir o espaço com seus equipamentos e conviver com a bagunça em dias de produção. Para quem quer fazer o básico, acho que o mínimo é pegar a prática do processo e estudar para entender o porquê você faz aquelas coisas. Para quem quer ir além, colocar a sua marca na cerveja, no sentido de fazer arte, seja usando frutas ou temperos, a literatura americana é a principal fonte de informação.

3. Quais são a(s) variedade(s) que você mais gosta de produzir?
Não tenho um estilo de cerveja preferido, nem para beber, nem para fazer. A verdade é que eu gosto de novidade, que tenha personalidade e seja marcante. Não precisa nem agradar ao meu paladar, mas só de ter uma proposta diferente, ousada e coerente já se torna memorável. Assim sou eu nas penelas. No inicio, até fiz algumas cervejas seguindo padrões de estilo, mas logo percebi que poderia e deveria ir além. Fazer arte! Hoje (28/04), por exemplo, estou produzindo uma Saison com sementes de mostarda. Tenho outras criações malucas com beterraba, sal, agave e limão (tequila beer), e várias outras doideiras com conceitos bem definidos. Esse é o meu desafio enquanto cervejeiro, criar conceitos totalmente fora do comum e executar com perfeição. Como disse Sam Calagione, da Dogfish Head, que muito me inspira, “a arte cervejeira é efêmera [ou seja, tão breve quanto um gole], mas assim também é a arte dos músicos, atores e dançarinos. Quando bem feita, quando feita de forma memorável, o efeito dessa arte pode ficar com a pessoa que experimentou por um longo tempo, talvez, para sempre.”

+ Confira a entrevista com Pedro Butelli e Vinicius Kfuri, da cervejaria Hocus Pocus.

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3 comentários sobre “3 perguntas para Daniel Conde Perez

  1. Preciso reconhecer que passei a respeitar muito mais esse trabalho agora, depois de ler suas palavras. Parabéns e muito sucesso pra você!!

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