Locavorismo – o que nossos vizinhos andam plantando?

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Cranberries: uma delícia, mas de onde eles vem mesmo?

Nas grandes cidades, nunca foi tão fácil e acessível comer de tudo o que se imagina, independente da estação do ano ou da região onde você vive. Bateu uma vontade de cranberries? Mesmo não sendo produzidas no Brasil, você pode encontrá-las no mercado moderninho daquele bairro chique. E salmão? Não tem problema, eles vêm direto do Chile para a sua mesa. Meio pálidos, mas vêm!

Por um lado, isso é maravilhoso, mas por outro… as viagens que estes produtos fazem para chegar até você prejudicam o meio ambiente por causa do consumo energético e da emissão de gases no transporte até os locais de destino. No caso de alimentos frescos, como frutas e legumes, ainda há a perda de nutrientes e sabor.

Como contraponto a esse efeito, um “movimento” começou a despertar a curiosidade e o engajamento de muita gente interessada em alimentação de qualidade. Trata-se do “locavorismo”, termo surgido nos EUA (locavorism) e já difundido mundo afora.

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Feiras livres: alimentos frescos e preços justos

Mas o que é isso? Basicamente, trata-se do hábito de consumir apenas alimentos produzidos próximos de onde você vive, dando preferência aos gêneros cultivados nas redondezas ou manufaturados por produtores locais, bem diferente daqueles fabricados por grandes conglomerados e vendidos em grandes redes de supermercados.

Alguns especialistas dizem que a crença de que comer localmente reduz a emissão de gases é meio ilusória, pois o transporte contribui com menos de 11% do custo global de carbono de um item alimentar, em média. De fato, tal prática ainda carece de pesquisas formais, mas, ainda assim, é um esforço válido.

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Castanha do baru: essa maravilha vem do cerrado, mas quase ninguém conhece

A simples ideia de fomentar a produção local, criar microssistemas econômicos e estimular a aproximação entre produtores e consumidores já justificam – e muito! – as iniciativas que promovem o consumo consciente e valorizam o que é cultivado ou manufaturado ao alcance das suas mãos.

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Felipe e Thiago Castanho: culinária paraense pop

Na gastronomia, já existem diversos restaurantes focados em “comida de origem”, que celebram o resgate dos sabores locais e a produção de pequenos agricultores, como é o caso do DOM, do superstar Alex Atala, em São Paulo, ou do Remanso do Bosque, dos irmãos Felipe e Thiago Castanho, de Belém, que está colocando a culinária do norte na moda.

No Canadá, o casal Alisa Smith e J.B. Mackinnon é considerado também precursor do movimento ao detalhar a experiência que fizeram no livro The 100-Mile Diet – A Year of Local Eating (A Dieta Dos 160 Quilômetros – Um Ano de Alimentação Local em tradução livre).

Já no Estados Unidos, o chef Dan Barber, do Blue Hill, é um dos pioneiros e principais ativistas do movimento “farm-to-table” e oferece em seu restaurante produtos fresquíssimos, vindos diretamente de sua fazenda, nos arredores de Nova Iorque.

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Dan Barber: ícone do movimento “farm-to-table”

Viver tal filosofia, na prática, pode ser um tanto desafiador, mas é possível adotar atitudes conscientes. Você não precisa deixar de tomar café ou azeite se nas redondezas estes itens, muitas vezes essenciais na nossa dieta, não forem produzidos. Por outro lado, ponderar as suas escolhas e atentar-se ao que é produzido ao redor pode ser um caminho viável.

Na grandes cidades, o paradoxo entre tradição, saberes locais e um cenário em constante mutação é uma característica que desafia esse tipo de filosofia, mas hoje, existem diversas iniciativas que fazem um esforço de não só aproximar as pessoas dos produtores, mas de incentivá-las a produzir o seu próprio alimento.

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Clube Orgânico: alimentos da serra fluminense direto para a mesa dos cariocas

Feiras de pequenos produtores, hortas urbanas comunitárias, clube de compras… as grandes cidades brasileiras já sinalizam essa demanda e são inúmeras as iniciativas que promovem o cultivo do alimento perto de você e ainda estimulam uma relação mais íntima entre produtores e consumidores. Estes exemplos resgatam, ainda, o uso de ingredientes regionais e promovem a criação de rede de pessoas que buscam pensar mais nos alimentos que chegam às nossas mesas.

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Hortas urbanas: a comida ao alcance das nossas mãos

Imagens:
Cranberries
Feira
Remanso do Bosque
Horta Urbana
Castanha de Baru
Dan Barber
Clube Orgânico

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