10 livros que todo gastrônomo precisa ler!

A gastronomia tratada como ciência é uma realidade ainda recente e poucos são os cursos e capacitações que contribuem para a formação do gastrônomo. É fato que ninguém pode se tornar um crítico (ou restaurateur, foodie, gourmand…) apenas frequentando restaurantes. Para quem quer mergulhar nessa deliciosa viagem, uma formação pessoal consistente se faz mais do que necessária.

Pensando nisso, montei uma sugestão de lista com os 10 livros que todo gastrônomo precisa ler! Logo abaixo estão reunidos desde clássicos até obras contemporâneas que nos ajudam a coletar pedaços de saber fundamentais para o aprofundamento sobre o tema. Confira:

(Disclaimer: esta lista é pessoal, muita coisa boa ficou de fora para fechar em 10. Também não considerei os maravilhosos livros técnicos e/ou de receitas, quem sabe não rendem outro post?)

A Fisiologia do Gosto, Jean Anthelme Brillat-Savarin
brillatEste clássico do político francês Jean Anthelme Brillat-Savarin é considerado o marco zero da gastronomia. Lançado em 1825, foi um sucesso imediato, apesar da fama de glutão que o autor carregava. Brillat-Savarin teve a sensibilidade de transpor para o papel os prazeres da mesa e fala com propriedade sobre a utilização dos cinco sentidos ao comer, assim como da arte de bem receber os convidados.

História da Alimentação no Brasil, Câmara Cascudo
cascudoClássico dos clássicos. A História da Alimentação no Brasil é um livro que carrega em si uma série de referências historicamente ligadas à época na qual foi escrito, embora nele esteja presente a ideia reducionista de que índios, negros e brancos são os responsáveis pela construção do que é a cozinha brasileira. Trata-se de uma obra pioneira, bibliografia básica para estudos alimentares do país.

Slow Food, Princípios da Nova Gastronomia, Carlo Petrini
petriniNeste livro inspirador e, sobretudo, provocador, Carlo Petrini, nos apresenta os caminhos que o levaram a criar o movimento Slow Food e aborda a necessidade urgente de transformação do sistema alimentar global, como meio de garantir um futuro mais justo e sustentável para o planeta. No centro dessa mudança está a figura do gastrônomo que deve agir como protagonista nesse processo de tomada de consciência e ação em torno da comida boa, limpa e justa.

Formação da Culinária Brasileira, Carlos Alberto Dória
betodoriaEm seu mais celebrado livro, Beto Dória reúne sete ensaios sobre a cozinha brasileira e apresenta de forma clara as suas reflexões, das raízes históricas às novas propostas de renovação da gastronomia nacional. Com linguagem simples e uma propriedade que poucos arriscam a ter, ele analisa a importância da relação entre chefs e agricultores familiares, a “descoberta” de ingredientes regionais e propõe também novos desafios para a culinária brasileira contemporânea.

O Dilema do Onívoro, Michael Pollan
pollanFoi com este best-seller absoluto, de 2006, que Michael Pollan tornou-se uma das principais referências do ativismo em prol da comida de verdade. Neste livro, Pollan nos apresenta o resultado de uma investigação detalhada sobre o funcionamento da indústria alimentar e nos convida a conhecer os longos e tortuosos caminhos que os alimentos percorrem do campo até chegar aos nossos pratos. Quanto mais longo e intrincado é o percurso, mais ignorantes nos tornamos a respeito do que estamos comendo. Dos alimentos ultraprocessados aos questionamentos éticos da caça e coleta, Pollan expõe um relato brilhante acerca de um tema que não precisava ser tão complicado.

Memórias gastronômicas de todos os tempos: seguido de pequena história da culinária, Alexandre Dumas
dumsO autor de “Os Três Mosqueteiros” também nos brindou com estas duas pérolas reunidas em um livro. Em “Memórias gastronômicas”, Dumas escreve uma carta ao amigo Jules Janin e mistura assuntos desde recordações pessoais até peripécias culinárias. Ele abusa da crônica para descrever os hábitos de personalidades da história da gastronomia e narra também as farras, jantares e uma pitoresca temporada na Bretanha. Em “Pequena história culinária”, ele começa a viagem na Macieira do Paraíso, passa por Alexandre, Calígula, Apício… atravessa o Renascimento, fala sobre a introdução dos talheres, especiarias e chega na inauguração do primeiro restaurante de Paris.

O Cozinheiro do Rei, Zé Rodrix
zerodrixVocê deve estar se perguntando se o autor é o mesmo Zé Rodrix, músico e compositor falecido em 2009. A resposta é sim. Trata-se de um livro póstumo, um romance histórico que conta a saga de um mameluco que cruza o país tentando aprender todos os sabores que quer incluir em sua culinária, vivenciando fatos reais que moldavam a nação durante sua travessia. Uma obra que trata de questões presentes em nosso tempo através da alimentação.
* Dica da Juliana Dias, uma das fundadoras da Malagueta Comunicação e idealizadora do curso de Jornalismo Gastronômico da Facha, no Rio.

The Art of Simple Food, Alice Waters
aliceA chef norte-americana Alice Waters, dispensa comentários. Está há mais de 30 anos no comando do Chez Panisse, em São Francisco, e é uma precursoras do movimento Slow Food nos Estados Unidos. Em seu mais famoso livro, Alice nos ensina receitas simples, mas não só isso. Ela também incentiva o consumo de alimentos agroecológicos, produzidos localmente e de forma justa e sustentável.

Pegando Fogo, Richard Wrangham
richard“Somos humanos porque cozinhamos nossos alimentos!”. Neste livro, o antropólogo norte-americano, Richard Wrangham, mostra como o ato de cozinhar foi essencial para a nossa evolução. Ele defende que o preparo de alimentos nos dotou de um cérebro maior e contribuiu ao desenvolvimento da sociedade. “Nossa capacidade para melhorar o consumo e aproveitar os alimentos é a chave para entender o salto evolutivo que nos separou dos demais primatas”.

Sal, Açúcar, Gordura, Michael Moss
mossMichael Moss é um prestigiado jornalista norte-americano que ganhou o Pulitzer de 2010 pelo seu trabalho sobre a indústria da carne. Neste livro, o autor faz uma denúncia sobre as artimanhas das corporações alimentar para desenhar alimentos que enganam a sensorialidade e a inteligência dos consumidores através de muita reengenharia e sabores artificiais.

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