Sal Açúcar Gordura

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Terminei de ler esses dias o livro “Sal Açúcar Gordura”, do jornalista norte-americano Michael Moss, repórter investigativo do New York Times e vencedor do prêmio Pulitzer pelo seu trabalho sobre o processamento da carne nos Estados Unidos. Não é novidade que a indústria alimentar usa e abusa desses três ingredientes maravilhosos na fabricação dos seus produtos, mas Moss mergulha fundo em sua pesquisa sobre como os gigantes da comida vêm consolidando seus impérios com base no sal, açúcar e gordura.

salt-sugar-fatEm pouco mais de 400 páginas, o jornalista compartilha o resultado de uma minuciosa investigação que incluiu pesquisas, documentos e entrevistas com executivos, marqueteiros e cientistas ligados ao setor. Trata-de de um cenário tenebroso – fica mais claro e muito óbvio como a indústria alimentar ocupa uma posição central no que diz respeito à epidemia de obesidade (e problemas correlatos), não só nos EUA e em países desenvolvidos, mas no mundo todo.

A situação é simples: não faz parte da natureza dessas empresas se importar com os consumidores de maneira empática. Elas estão mais preocupadas com outras questões, como vencer os rivais. (…) O supermercado, afinal, está cheio dos resultados das guerras travadas por eles para superar uns aos outros nas vendas.

Se não fosse um livro tão rico em referências eu chegaria até a desconfiar que se trata de teoria da conspiração. Moss, porém, não demoniza CEOs, publicitários ou químicos ligados ao setor. Para ele, estes profissionais não agem de modo diferente do que outras empresas fazem, ou seja, querem apenas faturar o máximo gastando o mínimo possível. O problema é que, no caso da comida, o impacto dessa lógica é sentido diretamente na nossa saúde. Nem seria preciso mencionar, mas você sabia que os próprios executivos do meio não comem os alimentos que eles mesmo produzem? Eis alguns exemplos, como:

John Ruff, da Kraft, que abdicou de bebidas doces e lanches gordurosos; Luis Cantarell, da Nestlé, que come peixe no jantar; Bob Lin, da Frito-Lay, que evita batatas chips, bem como quase qualquer coisa muito processada; Howard Moskowitz, o engenheiro de refrigerantes que se recusa a beber refrigerantes. Geoffrey Bible não apenas parou de fumar os cigarros da sua empresa [a Philip Morris]; quando supervisionava a Kraft, ele fazia o mesmo esforço para evitar qualquer coisa que aumentasse o colesterol.

O autor defende que a simples noção de retomar o controle, com a finalidade de evitar a dependência de alimentos processados, pode ser o melhor recurso a curto prazo para vencermos a batalha contra a compulsão alimentar, mesmo com campanhas publicitárias bilionárias, embalagens sedutoras e sabores cuidadosamente criados para serem “impossíveis de comer um só”.

Por fim, o principal objetivo de Sal Açúcar e Gordura é servir de grito de alerta para as questões e táticas que perpassam a indústria alimentar, para o fato de que é possível superá-las. Ainda temos opções e podemos fazer escolhas saudáveis, mesmo nas grandes redes de supermercados. Trata-se de uma poderosa ferramenta de informação que ajuda a nos defendermos quando adentramos naqueles imensos salões repletos de gôndolas e cores sedutoras.


– Imagem: Lavin.

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