3 Perguntas para Chico Junior

Chico Junior 4_2008

Eu ainda estava na faculdade de jornalismo (e lá se vão mais de 10 anos…) quando o livro “Roteiros do Sabor Brasileiro” chegou em minhas mãos, nem lembro como. Fiquei encantando com a pesquisa feita pelo jornalista Chico Junior, que revela alguns dos muitos sabores da culinária regional brasileira. Na época, fiquei doido para fazer algo parecido… e eis que o mundo dá voltas e hoje eu tenho o prazer de ter o Chico como colega de causa e parceiro no Projeto Maravilhas Gastronômicas do Estado do Rio de Janeiro, que tem como objetivo valorizar a cultura do gosto, dar visibilidade e mapear a produção gastronômica fluminense. Confira o bate-papo que tive com ele para o Caipirismo.

1. De onde vem o seu fascínio pela gastronomia?
Chiii, vem de longe. Cozinho desde os 12, 13 anos de idade. Herança de dona Antonieta, minha mãe. Na realidade, gosto muito de cozinhar. E, como acho que cozinho relativamente bem, dou-me ao direito de me intitular cozinheiro. Não um chef, claro, pois para se chegar a isso há que se percorrer um longo aprendizado e se dedicar profissionalmente à causa. Além disso, leio muito sobre o assunto, estudo, pesquiso e tenho procurado a simplicidade gastronômica, principalmente a simplicidade e a diversidade da cozinha regional brasileira, com as suas maravilhosas variações.

Bem, de tanto ver minha mãe no fogão, fui tomando gosto e aprendendo. Assim, lá pelos 12 anos já fazia o básico para sobreviver: bife, molho de cebola, tomate e pimentão, batata frita, ovo frito, arroz, macarrão… mais ou menos naquela idade entrei para o escotismo e, nos acampamentos, comecei a testar os meus dotes culinários, para desespero dos meus colegas. Desespero que não durou muito, pois, aos poucos, fui me aprimorando. De lá para cá são mais de 50 anos cozinhando, testando, inventando, copiando, estudando, pesquisando.

Sou também um viajante, sempre procurando unir a viagem ao prazer de comer. Viagem e sabor. Quando alguém me pede um currículo, começo assim: jornalista, carioca, cozinheiro e viajante. Por intermédio das viagens, e foram muitas desde os meus 24 anos, quando me mudei para a Itália, me encantei e continuo me encantando por sabores, cheiros e as cores das comidas.

O prazer de comer começa bem antes do sabor. Tem início na nossa formação cultural. Por princípio, para mim, comida é cultura. Enquadra-se também em muitas outras coisas, como história, turismo e até como alimentação. Mas é por intermédio de sua cultura que um povo, uma região, definem sua relação com o alimento.

Por isso, a diversidade cultural na formação da gastronomia e a alquimia da cozinha me encantam, me dão prazer. Mais do que o simples ato de viajar, gosto de conhecer culturas. Mais do que o simples ato de comer, gosto de conhecer sabores, cozinhas regionais, pura cultura. Como escrevi na apresentação do meu primeiro livro (Histórias do Sabor Brasileiro, CJD Edições e Sebrae, 2005), “a cultura e a história de um povo, ou de uma região, se expressam de diversas formas. Uma delas, com certeza, é a gastronomia”.

2. Como surgiu a ideia do Projeto Maravilhas Gastronômicas?
Surgiu naturalmente, a partir das pesquisas e posterior publicação do livro “Roteiro do Sabor do Estado do Rio de Janeiro” (Editora Senac Rio), em 2007. Ali, a produção gastronômica do estado já me encantava e chamava a minha atenção. Descobri, e continuo descobrindo, uma série de pequenos produtores, que formam a base da produção alimentar  fluminense, coisa que pouca gente sabe. Ao longo dos anos fui amadurecendo a ideia de fazer algo que pudesse chamar a atenção, divulgar e valorizar essa produção gastronômica… E aí surgiu a ideia do prêmio.

3. Qual é a melhor parte nesse processo de pesquisa em busca dos melhores sabores fluminenses?
A melhor parte é justamente essa, a de descobrir esses sabores “escondidos” e revelá-los para milhares de pessoas, por intermédio da divulgação do prêmio. Há produtos que só são conhecidos e vendidos na região em que são feitos. Com o prêmio, muitos deles passaram a ser vendidos na capital e utilizados em restaurantes, por exemplo.

.  .  .

+ Imagem: divulgação

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