3 Perguntas para Amon (Zebu Mídias Sustentáveis)

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A Zebu chegou até mim em meados de 2015. Trabalhamos juntos em uma iniciativa incrível da Rede Jovem Rural e eles souberam, com maestria, dar cara e forma ao evento, utilizando tinta orgânica, madeira de demolição, restos de tecido e cordas náuticas velhas. Desde então, virei fã e, há tempos, venho tentando marcar esse bate-papo com eles. Pois bem, a Zebu Mídias Sustentáveis não é só mais uma agência que faz trabalhos criativos e bonitos e ponto final. A ideia do empreendimento surgiu em 2010, como um projeto de faculdade da PUC-RJ, elaborado por três amigos. Dois anos depois, o negócio foi lançado oficialmente, tendo a sustentabilidade aplicada ao design como fio condutor de todas as suas atividades.

“Apesar de sermos designers, escolhemos o mercado de comunicação para atuar e a palavra ‘mídia’ para representar o que fazíamos. Tínhamos interesse em trabalhar tanto com o conteúdo (mensagem) quanto com a interface (produtos) de veiculação de mensagens. Acreditamos que a sustentabilidade é um input criativo necessário para criarmos projetos relevantes para a sociedade. Nunca nos prendemos a uma saída específica para os nossos projetos, pois entendemos que a sustentabilidade, o design e a criatividade são os definidores da natureza dos produtos.”, explica Amon Costa Cerqueira Pinto, um dos sócios da Zebu, que conta ainda com o Pedro Ivo e Rafael d’Ávila. Leia o resto da conversa que tive com o Amon, por e-mail:

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1. Você acredita que o design pode, de fato, encurtar o caminho que leva à sustentabilidade, em todas as instâncias?
Acredito. O design é uma área de saber que interage com todas as demais, assim como a sustentabilidade. É sempre difícil falar sobre esses conhecimentos que não se limitam a definições objetivas. Mas eu acredito que o design e a sustentabilidade estão, sim, relacionados. Ambos têm uma abordagem sistêmica, característica da nova geração de profissionais e cidadãos. O design cada vez mais se consolida como a melhor ferramenta para desenvolvimento de projetos (independente de serem produtos ou serviços). Enquanto isso, a sustentabilidade torna-se um ingrediente para que os projetos tornem-se mais inclusivos; gerem menos resíduos; e se atentem às demandas da sociedade. Direcionar soluções para essas áreas é um passo para desenvolver um projeto bem sucedido.

 

2. Eu poderia dizer que o design é parte do problema quando pensamos em produção e consumo. Como se pode conciliar as questões ambientais e econômicas, transformando a atividade em um agente promotor da sustentabilidade?
Não acho que o design seja parte do problema. O design é parte da solução. O problema é falta de educação. O design pode ser direcionado para geração de valor econômico, social e ambiental. Podemos desenhar produtos e serviços para funcionar em seu mais alto ciclo de valor. Com o design, conseguimos projetar o ciclo de vida de um produto para que ele gere valor em toda a sua cadeia de produção e consumo. Ferramentas de design thinking podem ser aplicadas como meios de diálogo intersetorial. Podemos conectar diversos setores da sociedade para pensar em questões que tocam a todos. Por trás do governo, das corporações e ONGs existem pessoas que sofrem com falta de saneamento, insegurança etc. Todos deveríamos estar interessados em resolver essas questões. Ou, ao menos, todos os que não estão entre os 1% de pessoas que detêm 50% da riqueza do mundo.

3. O que inspira vocês?
De princípio, nos inspiramos no besouro rola bosta. Na Zebu, funcionamos como um besouro! Um bicho mesmo! Tentamos contribuir para que os ecossistemas que estamos inseridos se tornem férteis, além de retornarmos toda a energia depositada e necessária para o besouro sobreviver. As relações simbióticas fazem parte também da natureza das relações humanas. Para que elas aconteçam precisamos estar harmonia e sincronia com os ciclos da natureza. Todas as iniciativas independentes e empreendedoras nos inspiram. Na natureza, a complexidade dos ecossistemas que estão em constante transformação e equilíbrio. Na música, por exemplo, nos inspiramos no rap. Em nossos pares, nos inspiramos na Goma, uma associação e rede de empreendedores que atuam nas áreas de economia colaborativa, sustentabilidade e inovação social; no Sistema B, um movimento que atua a partir de uma redefinição do conceito de sucesso nos negócios; e no CE100 Brasil, uma iniciativa da Ellen MacArthur Foundation para negócios especializados em economia circular.

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+ Imagens: Divulgação

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