Machadinha e a cultura das senzalas

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

img_3675

Tem muita gente que chama a comunidade de descendentes de escravos que vive em Machadinha, em Quissamã, de quilombo. Eis um grande erro! Culturalmente, podem haver semelhanças entre ambos, mas diferente dos quilombolas, que fugiram das fazendas e fundaram seus próprios povoados, os habitantes de Machadinha, após a Lei Áurea, continuaram morando nas senzalas… ATÉ HOJE! Isso a torna única em todo o país!

img_3667

O conjunto arquitetônico foi  tombado pelo Inepac em 1979 e desapropriado pelo poder público municipal em 2003. A fazenda, uma das mais imponentes e luxuosas nos áureos tempos da cana-de-açúcar, está em ruínas e, infelizmente, o projeto de adaptação para receber visitas não foi adiante. A região, porém ganhou vida nova com a reforma das senzalas e da capela, além da inauguração da Casa de Artes, que tem como objetivo resgatar os sabores ancestrais através de pratos típicos, como bolinho “Capitão de Feijão” a “Sopa de Leite” e o “Falso Bolo”.

img_3690
Delícias típicas resgatadas: bolinho “Capitão Feijão” e “Falso Bolo”

O salão comunitário transformou-se no Memorial Machadinha e abriga um acervo que preserva a memória dos africanos, escravos, ex-escravos e descendentes que habitam atualmente as senzalas. O espaço conta com fotos, textos, peças de arte e artesanato, que reavivam os costumes e tradições que quase foram esquecidas, como as danças do jongo e do fado.

A Casa de Artes recebe grupos de visitantes para almoços e jantares mediante reserva, bem como visitas guiadas pelo complexo e as apresentações do jongo ou do fado. Atualmente, a comunidade está organizando-se em prol do turismo de base comunitária e já existe um projeto de pernoite nas antigas senzalas, com direito a café da manhã típico.

img_3686
Apresentação do jongo de Quissamã

Os contatos para o passeio são pelos telefones 22.2768.9450 e 22.2768.9315,  ou pelo endereço eletrônico fcultura.quissama@gmail.com. O horário de funcionamento do Memorial da Machadinha vai das quartas aos domingos, das 10h às 17h.

Navegue no mapa e conheça a região:

.  .  .

Imagens: Gui Mattoso

Anúncios

4 comentários sobre “Machadinha e a cultura das senzalas

  1. Boa noite!
    Eu sou o Wagner, presidente da Associação de Quilombola de Machadinha e gostaria de afirmar que há um equívoco quando essa matéria diz que a comunidade não é quilombola. Somos descendentes de escravos e aqui é um quilombo. A Fundação Palmares nos reconheceu em 2006, levando em consideração o nosso dia a dia, nossa ancestralidade, nossa forma de organização, nossa cultura, culinária, artesanatão, pelo nosso jongo, entre outros fatores. Creio que faltou um aprofundamento. Inclusive, os contatos da matéria não refere ao nosso quilombo.
    Nos colocamos à disposição para qualquer esclarecimento: quilombomachadinha@hotmail.com

    Curtido por 1 pessoa

    1. Oi, Wagner, tudo bem? Pelo que entendo, os quilombos eram locais de refúgio, organizados como comunidades independentes, que lutavam contra a escravidão etc… e, pelo o que se conhece, não é o caso de Machadinha. A comunidade pode ter a mesma ancestralidade, a mesma cultura, a mesma culinária, o mesmo jongo… que se tinha nos quilombos, mas estas semelhanças não fazem de Machadinha uma comunidade quilombola.

      Acho que o reconhecimento da Fundação Palmares é fundamental para legitimar a atuação de vocês e garantir a subsistência da comunidade e sua cultura, mas na minha visão, enquadrar Machadinha como uma comunidade quilombola é um equívoco. Machadinha é única! Tem a sua própria história, que é incrível! Posso estar enganado, mas não há caso semelhante, hoje, no país. Machadinha é especial e merece um olhar muito mais aprofundado e diferenciado. Obrigado pelo comentário e parabéns pelo trabalho que realizam na comunidade – sou apaixonado pela região e muito me orgulha ter no meu estado um marco histórico vivo tão importante, como vocês.

      Quanto aos contatos, você pode me passar os corretos, por favor? Eu tive acesso a estes pelo site do Mapa de Cultura do Estado do Rio. Sugiro que você entre em contato com eles para atualizá-los.

      Att, Guilherme.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s