Emulação alimentar – como voltar ao real?

Há alguma semanas, eu conheci o Lucas Della Iglezia, um dos sócios da Cachaça Curtida, num desses encontros facebookianos, sendo a comida de verdade e a filosofia slow food esse ponto de atração que nos uniu. A Curtida resgata uma antiga tradição de criar infusões de cachaça com frutas e ervas, sem corantes, flavorizantes ou sabores artificiais.

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Papo vai, papo vem, o Lucas, que é também um entusiasta da ecogastronomia e fã de sabores verdadeiros, me presenteou como este belíssimo texto que divido com vocês aqui no blog. Confiram:

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Emulação alimentar – como voltar ao real?

Não quero vir aqui para ditar regras ou para fazer ninguém parar de comer o que come ou levar uma vida 100% regrada e bitolada no que deve ou não deve comer. Minha ideia, com as palavras que trago abaixo, é somente indicar alguns fatos que passam despercebidos pelas pessoas no dia-a-dia, mostrando que existem formas de fazer melhor – e sem muita complicação, claro.

Vamos falar sobre produtos industrializados, uma realidade que não vem de hoje. Desde o aumento populacional nas grandes cidades, as indústrias vem achando formas de conservar melhor os alimentos – agora com origem mais distante dos grandes centros urbanos – e mantê-los “frescos” por mais tempo.

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Crédito da imagem

Mas foi por volta dos anos 50 que a onda de enlatados, congelados e fast foods vieram à tona. Esse quadro é reflexo de uma sociedade que vive cada vez mais sem tempo para preparar seu próprio alimento em casa, fazendo com que a cozinha seja um cômodo esquecido em nossos lares – muito diferente do que era antigamente, acreditem!

Curiosamente, de um tempo pra cá, temos visto uma ascensão de movimentos a favor do chamado slow food, dos alimentos orgânicos e do retorno das pessoas para suas cozinhas. Mas será que isso está presente em todos os alimentos? Ou melhor: será que está presente nas bebidas também?

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Crédito da imagem

Digo isso pois é muito comum vermos uma família unida na preparação de um belíssimo pão caseiro, comendo o mesmo com um queijo orgânico… mas bebendo uma caixa de suco artificial, águas saborizadas industriais e os famigerados refrigerantes.

Mesmo que não pareça, existem perigos escondidos em muitas dessas soluções ditas “saudáveis” pela indústria. Vamos ver alguns deles?

As bebidas industriais “naturais”
Vamos começar assumindo que grande parte dos sucos industriais (e estou falando sobre os de caixinha, já que suco em pó é açúcar com corante e sabor artificial) contêm quase ou o mesmo tanto de açúcar que refrigerantes, fazendo com que não sejam uma opção tão mais saudável assim.

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No entanto, uma das grandes promessas para uma vida mais saudável, longe da quantidade de açúcares dos refrigerantes e sucos industrializados, se encontra nas águas saborizadas. Geralmente gaseificadas, com baixo ou nenhum teor de gordura e calorias, são geralmente as primeiras opções na mesa de quem busca uma vida mais saudável.

O próprio benzoato de sódio, aliás, vem sendo alvo de estudos. Entre eles está a pesquisa publicada pela agência de alimentos do Reino Unido no ano de 2007, que indica a relação entre o benzoato com o aumento de casos de hiperatividade em crianças.

Cores e sabores fantasmas
Não é difícil ver também a quantidade de bebidas que são “coloridas artificialmente” e que possuem “sabor artificial de…”. Muitos desses corantes são sim de origem orgânica, mas ainda existem produtos amplamente utilizados na indústria que provém de compostos químicos inorgânicos.

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Um exemplo é o corante conhecido como o azul brilhante FCF. Esse corante sintético é obtido através de hidrocarbonetos derivados do petróleo e amplamente utilizado em produtos que requer uma coloração azul, como o Curaçau Blue, por exemplo.

O vermelho 40 também não é um corante de origem natural, mas sim de um composto petroquímico, que está sendo associado ao aumento de hiperatividade em crianças e já foi banido em países como Alemanha, Áustria e França.

Largamente utilizados, os aromatizantes e flavorizantes estão presentes em grande maioria dos produtos industriais, tanto por serem raras as reações adversas como também pelo baixo custo em sua utilização, já que são empregados em pequenas concentrações.

Geralmente eles podem ser naturais, provenientes de extratos de plantas e frutas, ou artificiais, vindos de bálsamos, álcoois aromáticos e afins.

O único problema é: você não está consumindo nada mais o que um fantasma do que era aquele produto. Quando você come uma geleia “sabor morango” não é a mesma coisa que comer uma geleia que contenha a fruta mesmo. Ou então quando você bebe uma cerveja com “aroma artificial de algo”, uma cachaça com “sabor idêntico de fruta”… esses produtos simplesmente não trazem a real experiência do alimento/bebida para seu corpo.

O que pode ser feito para sair do artificial?
Novamente digo aqui: não vamos montar uma inquisição contra os produtos industrializados. Sabemos como muitos desses produtos podem facilitar a vida da gente, agilizar muitos processos do nosso dia e, se consumidos sem exageros, não farão mal algum.

No entanto, existem formas de conseguir um produto tão saboroso quanto e melhor: um produto real, com sabores e cores reais.

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Uma forma de fazer isso é produzindo a sua própria água saborizada. Tudo o que você precisa é de água e a fruta de sua escolha. Que tal preparar uma jarra de água com laranjas em rodelas? Após algum tempo, a água irá adquirir o gosto da fruta – e você pode até trocar a água por água gaseificada e fazer um “refrigerante natural”.

Ou então troque o suco de frutas de caixa por suco de frutas com FRUTAS. Esprema ou bata tudo no liquidificador, adicione umas pedras de gelo e sinta o sabor verdadeiro da fruta. Uma solução mais prática e mais saudável que o suco de caixa é utilizar as polpas de frutas que vem congeladas também.

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Quer beber uma “Ice” mais natural e com fruta de verdade? Pegue a receita da água saborizada acima, troque a água por cachaça ou vodca, adicione um pouco de açúcar e deixe descansando por algumas semanas. Você terá uma vodca ou cachaça curtida com frutas reais, sem aromatizantes, sem cores artificiais!

Tente fazer essas receitas e compare o industrial versus o caseiro. Dê ao seu paladar a chance de conhecer o real sabor das coisas!

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