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É com um certo delay – mas antes tarde do que nunca – que abrimos, no Instagram, mais um espaço para trocar ideias sobre comida, nova ruralidade, turismo rural e sustentabilidade.
 
 
 
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Fico Eataly World: a Disney da comida italiana

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Se as lojas do Eataly, seja em São Paulo, Nova Iorque ou Turim, já causam comoção em qualquer comensal que as visitem, imagine o conceito desta celebrada rede sendo aplicado em um parque temático destinado a celebrar a gastronomia italiana?

No dia 15 de novembro, o grupo Eataly vai inaugurar, em Bolonha, um imenso complexo de 80 mil m², batizado de Fico Eataly World. O espaço terá 25 restaurantes, três bares e 40 agroindústrias onde o visitante poderá acompanhar o processo produtivo de diversos alimentos, como queijos, pães e massas, que serão também comercializados no local.

O parque contará ainda com espaços para eventos, passeios educacionais e uma fazenda  de 11 mil m², dedicada à agricultura e pecuária, com o cultivo de diferentes culturas e pastagens.

A proposta do Fico Eataly World é sensibilizar o público sobre a origem dos alimentos, com foco nos produtos mais tradicionais da gastronomia italiana. O espaço será dividido em seis áreas temáticas, cada uma destinada a um grupo de alimentos: carnes; laticínios; frutas e verduras; cereais; bebidas e molhos; e sobremesas.

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Como todo bom parque temático, é bom lembrar, o Fico Eataly World terá também espaço para as excentricidades, como fontes de Nutella (!) e um lago de azeite de oliva (!!) onde será possível fazer passeios de gôndola (!!!).

Em 2018, o Eataly pretende abrir no local o Eataly Hotel, também voltado à temática da alimentação, com capacidade para até 200 hóspedes. A expectativa é receber 6 milhões de visitantes por ano e vale destacar que a entrada é gratuita!

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Imagens: divulgação/Eataly

Conheça a Rota do Chimarrão

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Crédito da imagem

Símbolo da tradição gaúcha, o chimarrão é uma herança cultural dos índios guaranis e se mantém presente no dia a dia não só de quem vive no Rio Grande do Sul, mas também nos estados vizinhos e países como Paraguai, Uruguai e Argentina. Atualmente, estima-se que 11 milhões dos que residem no estado consumam a bebida, feita apenas de água quente e erva-mate, mas cheia de truques que a tornam especial.

De olho no potencial turístico da cultura do mate, a cidade de Venâncio Aires, considerada a “Capital Nacional do Chimarrão”, criou a “Rota do Chimarrão”. Localizada na Região do Vale do rio Pardo, o município de 65 mil habitantes produz cerca de 3,5 mil toneladas de erva-mate por ano e é também o maior produtor de tabaco do país.

A movimentação econômica gerada pelo mate rendeu à cidade não só o título de capital da bebida, como também a criação da Feira Nacional do Chimarrão (Fenachim), realizada anualmente, no mês de maio. A “Rota do Chimarrão” inclui cinco atrações, como a “Escola do Chimarrão” e o “Museu Agrícola”. Confira as opções de visita:

Escola do Chimarrão

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Crédito da imagem

Parece fácil, mas o preparo da bebida tem várias artimanhas e nessa escola os visitantes podem participar de uma aula para aprender a fazer até 36 tipos diferentes de “chimas”. Entre o preparo e o momento de consumir o chimarrão, há outras informações importantes que também são repassadas, como as regras de etiqueta para compartilhar o mate. Além dos ensinamentos, quem faz o tour conhece a história, o processo de fabricação e os dez mandamentos do chimarrão.

Casa do Mate
Depois de aprender a história e dominar todo o processo de produção do chimarrão, quem quiser levar para a casa essa tradição, vai precisar dos utensílios corretos. Por isso, a dica é passar na Casa do Mate, logo na entrada de Venâncio Aires. Cuias, bombas, térmicas, erva de diversos fornecedores e suvenires estão à venda para os fãs.

Museu Agrícola

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Crédito da imagem

Neste museu, os visitantes poderão ver as peças antigas utilizadas na lavoura e nas casas dos homens que trabalhavam na roça. Ali se preserva o trabalho dos colonizadores que fizeram de Venâncio Aires sua terra. Com belas paisagens e animais de fazenda, o passeio complementa a Rota do Chimarrão com o clima rural.

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Na Praça Thomaz Pereira, ao lado da Igreja São Sebastião Mártir, está o monumento que é um dos principais cartões-postais de Venâncio Aires. A escultura em metal reproduz uma cuia, mas também auxilia no preparo dessa bebida típica. Em seu interior há uma esfera de metal com serpentina, que faz com que haja o fornecimento de água quente e fria nas torneiras localizadas nos suportes do monumento.

Artesanato e flores

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Crédito da imagem

A Rota do Chimarrão inclui ainda uma parada na loja Artesanato Ideias Mil e na Floricultura Flor da Terra, ambos localizados em meio a uma paisagem cercada por ervateiras. Na loja de artesanato, são vendidos objetos diversos de decoração, feitos em crochê, jornal, madeira e algumas pinturas. Logo ao lado está floricultura com uma variedade de plantas e flores.

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+ Com informações do Ministério do Turismo.

Retrospectiva Caipira 2016

No nosso primeiro post de 2017 apresento a vocês os conteúdos que mais se destacaram no ano que passou, batendo recordes de acesso e compartilhamento no Facebook, como as “10 tendências gastronômicas para 2016”, o artigo sobre “Ernst Götsch e a agricultura sintrópica” e a seleção das “10 cervejas de Niterói que você precisa beber!”. Confira esta deliciosa lista e relembre comigo os principais posts do Caipirismo em 2016!

1. Resenha do livro “Sal Açúcar Gordura”
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2. 10 tendências gastronômicas para 2016
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3. 9 pratos que são patrimônio da humanidade
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4. Cerveja é feita com sobra de pães que iriam para o lixo
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5. Alimentos desperdiçados na América Latina poderiam alimentar 37% dos famintos no mundo
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6. Ernst Götsch e a agricultura sintrópica
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7. Responsa: saiba onde tem um orgânico perto de você
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8. Descobrindo Jurubatiba
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9. 15 fazendas urbanas mundo afora
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10. 10 cervejas de Niterói que você precisa beber!
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Quissamã dos casarões históricos

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

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Museu Casa de Quissamã

Até o final dos anos 80, Quissamã era uma espécie de elo perdido no estado do Rio. O então distrito de Macaé era isolado geograficamente e pouco se sabia sobre aquela região produtora de cana. Isso mudou com o processo de emancipação, em 1988, e o boom do petróleo na Bacia de Campos. O município cresceu, os acessos melhoraram e, hoje, existe um enorme potencial turístico, como bem prova esta série de posts que vos escrevo.

Esse isolamento, talvez, tenha preservado muito da história local. O município conta com um vasto acervo arquitetônico, representado por inúmeras fazendas e construções seculares, além de uma herança histórica e cultural viva, que nos remete sempre ao seu período de esplendor proporcionado pela cana-de-açúcar.

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Segundo andar do Centro Cultural Sobradinho

Hoje, é possível conhecer boa parte dessas construções da região, como a Casa de Mato de Pipa (1777), a mais antiga de senhor de engenho do norte fluminense, em estilo bandeirista;  o Museu Casa de Quissamã (1826), que pertenceu aos viscondes de Araruama e de Quissamã; e a antiga estação de trem Conde de Araruama (1875). Existem ainda outros pontos de interesse no centro da cidade, como o Centro Cultural Sobradinho (1870), a Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro (1924) e a Prefeitura de Quissamã (1870), que já foi um colégio e um convento, até ser transformado na sede administrativa, em 1995.

Já outras construções, infelizmente, estão completamente abandonadas, como a já citada Machadinha (1867), residência do II Visconde de Ururay; o Engenho Central de Quissamã (1877), o primeiro da América Latina; o Solar de Mandiqüera (1875), erguido por Bento Carneiro da Silva, I Barão, Visconde e Conde de Araruama, considerada uma obra monumental para os padrões da época.
Se você ficou interessado em fazer este roteiro, a agência Norte Fluminense Turismo (22.99801-0012), de Quissamã, é uma operadora local, parceria do projeto Sete Capitães, que faz pacotes e organiza passeios na região.
Por fim, uma ótima opção de hospedagem, que engloba toda a rota, é a Pousada Ecorrural Rancho Ouro Preto, em Carapebus. Localizada entre as atrações de Quissamã e o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, a pousada reproduz um ambiente rural, com jeitinho mineiro, e serve como ponto de descanso para repor as energias entre os passeios.
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Estação de Conde de Araruama

Navegue no mapa e conheça a região:

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Imagens: Gui Mattoso

Machadinha e a cultura das senzalas

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

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Tem muita gente que chama a comunidade de descendentes de escravos que vive em Machadinha, em Quissamã, de quilombo. Eis um grande erro! Culturalmente, podem haver semelhanças entre ambos, mas diferente dos quilombolas, que fugiram das fazendas e fundaram seus próprios povoados, os habitantes de Machadinha, após a Lei Áurea, continuaram morando nas senzalas… ATÉ HOJE! Isso a torna única em todo o país!

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O conjunto arquitetônico foi  tombado pelo Inepac em 1979 e desapropriado pelo poder público municipal em 2003. A fazenda, uma das mais imponentes e luxuosas nos áureos tempos da cana-de-açúcar, está em ruínas e, infelizmente, o projeto de adaptação para receber visitas não foi adiante. A região, porém ganhou vida nova com a reforma das senzalas e da capela, além da inauguração da Casa de Artes, que tem como objetivo resgatar os sabores ancestrais através de pratos típicos, como bolinho “Capitão de Feijão” a “Sopa de Leite” e o “Falso Bolo”.

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Delícias típicas resgatadas: bolinho “Capitão Feijão” e “Falso Bolo”

O salão comunitário transformou-se no Memorial Machadinha e abriga um acervo que preserva a memória dos africanos, escravos, ex-escravos e descendentes que habitam atualmente as senzalas. O espaço conta com fotos, textos, peças de arte e artesanato, que reavivam os costumes e tradições que quase foram esquecidas, como as danças do jongo e do fado.

A Casa de Artes recebe grupos de visitantes para almoços e jantares mediante reserva, bem como visitas guiadas pelo complexo e as apresentações do jongo ou do fado. Atualmente, a comunidade está organizando-se em prol do turismo de base comunitária e já existe um projeto de pernoite nas antigas senzalas, com direito a café da manhã típico.

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Apresentação do jongo de Quissamã

Os contatos para o passeio são pelos telefones 22.2768.9450 e 22.2768.9315,  ou pelo endereço eletrônico fcultura.quissama@gmail.com. O horário de funcionamento do Memorial da Machadinha vai das quartas aos domingos, das 10h às 17h.

Navegue no mapa e conheça a região:

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Imagens: Gui Mattoso

Cachaças e cervejas made in Quissamã

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

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Fachada do Engenho São Miguel, em Quisamã

Quissamã tem uma tradição agrícola secular. Foi o cultivo da cana e a produção de açúcar que trouxeram prosperidade e notoriedade ao, então, remoto distrito de Macaé, no século XIX. A cana foi o motor da economia da região até o fechamento do Engenho Central de Quissamã, o primeiro da América Latina, em 2002.

O Engenho São Miguel é parte dessa herança histórica que, com a crise, soube se reinventar, indo buscar no passado a sua atual vocação: a cachaça! Desde 2010, Haroldo Carneiro, proprietário da fazenda, vem produzindo pingas de qualidade, reconhecidas em concursos mundiais, e disponíveis em quatro variedades: Carvalho, Cerejeira, Prata e Bálsamo, além da Meladinha, composta de cachaça e melado, e de rótulos especiais, em edições comemorativas. Apesar da pouca idade, já são consideradas uma das melhores cachaças do estado!

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Sete Engenhos Bálsamo e Prata

Mas essa história não para nas cachaças! O engenheiro Alessandro Brantes, que há tempos fornecia equipamentos para fabricantes da “marvada” decidiu aplicar essa expertise em outra bebida maravilhosa, a cerveja! Assim, em menos de um ano, Quissamã ganhou não só a sua primeira cerveja, a Domitila, mas também a sua primeira cervejaria! Alessandro e seu sócio, Djamim Souza, foram além da criação do maquinário e fundaram a própria fábrica, às margens da estrada que liga Quissamã à rodovia BR-101.

Inspirada na Marquesa de Santos, esta Lager Lupulada, muito refrescante e aromática, é o primeiro rótulo a ser lançado, fruto da parceria com o mestre Jeff Brumley. Seguindo à risca a filosofia “beba local”, o público-alvo da Domitila são os cervejeiros de Quissamã e redondezas, como Campos dos Goytacazes e Macaé, no máximo! Como aconteceu nos Estados Unidos, nos anos 80, a ideia deles é estabelecer-se localmente para valorizar e criar uma identidade com a comunidade local, privilegiando uma bebida sempre fresca e de qualidade.

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Olha a cor dessa lager lupulada!

Pegando carona na inauguração da fábrica e tirando proveito de toda a sua rede distribuição e comercialização, Haroldo não perdeu tempo e está lançando a 7 Capitães, uma American Amber Ale criada por Giovani Buzzi, da cervejaria Buzzi, de Santa Maria de Madalena, com um toque de rapadura, produzida, é claro, na fazenda São Miguel, e com uma agenda de lançamentos programados para os principais bares e restaurantes do Rio e Niterói.

Para conhecer de perto o processo de fabricação das cachaças, o Engenho São Miguel recebe grupos para visitas guiadas mediante agendamento prévio. A cervejaria Domitila ainda não está recebendo visitas, mas está se estruturando para, até o ano que vem, abrir as portas para visitantes que tenham interesse em conhecer todo o processo produtivo, além de, claro, experimentar as cervejas made in Quissamã!

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American amber com sotaque do norte fluminense

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Imagens: Gui Mattoso