Machadinha e a cultura das senzalas

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

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Tem muita gente que chama a comunidade de descendentes de escravos que vive em Machadinha, em Quissamã, de quilombo. Eis um grande erro! Culturalmente, podem haver semelhanças entre ambos, mas diferente dos quilombolas, que fugiram das fazendas e fundaram seus próprios povoados, os habitantes de Machadinha, após a Lei Áurea, continuaram morando nas senzalas… ATÉ HOJE! Isso a torna única em todo o país!

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O conjunto arquitetônico foi  tombado pelo Inepac em 1979 e desapropriado pelo poder público municipal em 2003. A fazenda, uma das mais imponentes e luxuosas nos áureos tempos da cana-de-açúcar, está em ruínas e, infelizmente, o projeto de adaptação para receber visitas não foi adiante. A região, porém ganhou vida nova com a reforma das senzalas e da capela, além da inauguração da Casa de Artes, que tem como objetivo resgatar os sabores ancestrais através de pratos típicos, como bolinho “Capitão de Feijão” a “Sopa de Leite” e o “Falso Bolo”.

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Delícias típicas resgatadas: bolinho “Capitão Feijão” e “Falso Bolo”

O salão comunitário transformou-se no Memorial Machadinha e abriga um acervo que preserva a memória dos africanos, escravos, ex-escravos e descendentes que habitam atualmente as senzalas. O espaço conta com fotos, textos, peças de arte e artesanato, que reavivam os costumes e tradições que quase foram esquecidas, como as danças do jongo e do fado.

A Casa de Artes recebe grupos de visitantes para almoços e jantares mediante reserva, bem como visitas guiadas pelo complexo e as apresentações do jongo ou do fado. Atualmente, a comunidade está organizando-se em prol do turismo de base comunitária e já existe um projeto de pernoite nas antigas senzalas, com direito a café da manhã típico.

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Apresentação do jongo de Quissamã

Os contatos para o passeio são pelos telefones 22.2768.9450 e 22.2768.9315,  ou pelo endereço eletrônico fcultura.quissama@gmail.com. O horário de funcionamento do Memorial da Machadinha vai das quartas aos domingos, das 10h às 17h.

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Imagens: Gui Mattoso

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Cachaças e cervejas made in Quissamã

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

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Fachada do Engenho São Miguel, em Quisamã

Quissamã tem uma tradição agrícola secular. Foi o cultivo da cana e a produção de açúcar que trouxeram prosperidade e notoriedade ao, então, remoto distrito de Macaé, no século XIX. A cana foi o motor da economia da região até o fechamento do Engenho Central de Quissamã, o primeiro da América Latina, em 2002.

O Engenho São Miguel é parte dessa herança histórica que, com a crise, soube se reinventar, indo buscar no passado a sua atual vocação: a cachaça! Desde 2010, Haroldo Carneiro, proprietário da fazenda, vem produzindo pingas de qualidade, reconhecidas em concursos mundiais, e disponíveis em quatro variedades: Carvalho, Cerejeira, Prata e Bálsamo, além da Meladinha, composta de cachaça e melado, e de rótulos especiais, em edições comemorativas. Apesar da pouca idade, já são consideradas uma das melhores cachaças do estado!

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Sete Engenhos Bálsamo e Prata

Mas essa história não para nas cachaças! O engenheiro Alessandro Brantes, que há tempos fornecia equipamentos para fabricantes da “marvada” decidiu aplicar essa expertise em outra bebida maravilhosa, a cerveja! Assim, em menos de um ano, Quissamã ganhou não só a sua primeira cerveja, a Domitila, mas também a sua primeira cervejaria! Alessandro e seu sócio, Djamim Souza, foram além da criação do maquinário e fundaram a própria fábrica, às margens da estrada que liga Quissamã à rodovia BR-101.

Inspirada na Marquesa de Santos, esta Lager Lupulada, muito refrescante e aromática, é o primeiro rótulo a ser lançado, fruto da parceria com o mestre Jeff Brumley. Seguindo à risca a filosofia “beba local”, o público-alvo da Domitila são os cervejeiros de Quissamã e redondezas, como Campos dos Goytacazes e Macaé, no máximo! Como aconteceu nos Estados Unidos, nos anos 80, a ideia deles é estabelecer-se localmente para valorizar e criar uma identidade com a comunidade local, privilegiando uma bebida sempre fresca e de qualidade.

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Olha a cor dessa lager lupulada!

Pegando carona na inauguração da fábrica e tirando proveito de toda a sua rede distribuição e comercialização, Haroldo não perdeu tempo e está lançando a 7 Capitães, uma American Amber Ale criada por Giovani Buzzi, da cervejaria Buzzi, de Santa Maria de Madalena, com um toque de rapadura, produzida, é claro, na fazenda São Miguel, e com uma agenda de lançamentos programados para os principais bares e restaurantes do Rio e Niterói.

Para conhecer de perto o processo de fabricação das cachaças, o Engenho São Miguel recebe grupos para visitas guiadas mediante agendamento prévio. A cervejaria Domitila ainda não está recebendo visitas, mas está se estruturando para, até o ano que vem, abrir as portas para visitantes que tenham interesse em conhecer todo o processo produtivo, além de, claro, experimentar as cervejas made in Quissamã!

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American amber com sotaque do norte fluminense

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Imagens: Gui Mattoso

Descobrindo Jurubatiba

Roteiro Sete Capitães fomenta o turismo no entorno do Parque Nacional, na região norte-fluminense

Jurubatiba

Há alguns dias, fiz uma viagem, a convite do Sebrae-RJ, para conhecer o resultado de um projeto de incentivo ao turismo no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Batizado de Sete Capitães, o roteiro busca, para além de divulgar o parque, promover os pequenos negócios, empreendimentos e atrativos que estão no seu entorno.

Apesar de ter raízes em Quissamã e conhecer bem a região, não pensei duas vezes na hora de aceitar o convite. Jurubatiba é uma joia muito bem preservada, mas pouco conhecida. Eu mesmo nunca tinha visitado o parque. São 44 km de praias, 18 lagoas e uma vegetação de restinga deslumbrante, que fazem você esquecer que está no estado do Rio.

Nos próximos dias, vou compartilhar por aqui um pouco das experiências que tive durante esta expedição dos Sete Capitães, e falar também sobre as agroindústrias, as fazendas históricas e a herança cultural das senzalas, viva ainda hoje na região. O primeiro post, claro, será sobre Jurubatiba! Vem comigo…

Na natureza selvagem

Restinga de Jurubatiba

Criado em 1998, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba situa-se entre os municípios de Macaé, Carapebus e Quissamã. Ele possui uma área de quase 15 mil hectares e é um imenso santuário para diversas espécies da fauna e flora de restinga – trata-se da primeira unidade de conservação no país a compreender exclusivamente tal ecossistema.

O cenário é incrível! A combinação de lagoas, vegetação rasteira e muita areia formam uma paisagem única, delicada e etérea. O tempo nublado não rendeu fotos radiantes, mas nos protegeu dos efeitos do calor e do sol, implacáveis na região. Não tive a sorte de avistar jacarés, capivaras ou cachorros do mato, mas o ambiente natural é realmente divino.

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A primeira parte da rota foi feita de caminhão tracionado, da Jurubatiba Turismo, que cruzou boa parte do parque sem dificuldade, dada a baixa de chuvas da estação. O segundo trecho foi feito de barco, guiado por técnicos do Parque, com saída a partir da lagoa do Paulista e chegada na lagoa de Carapebus, através do Canal Campos Macaé. Este foi o grande momento do passeio!

Este canal, meus senhores, foi aberto por escravos no século XIX, para escoar a produção canavieira de Campos dos Goytacazes para o porto de Macaé. Ele logo foi descontinuado (quatro anos depois) com a chegada da estrada de ferro na região, mas ainda existem trechos navegáveis, como este que cruza o parque, possibilitando um verdadeiro mergulho dentro da mata. Simplesmente incrível!

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Ao fim, chegamos na bela lagoa de Carapebus, um pequeno balneário, destino de fim de semana para quem vive na região e lar do Restaurante Encantos da Lagoa, que serve peixes locais, frutos do mar e comida caseira de primeira.

Se você ficou interessado em fazer este roteiro, a agência Norte Fluminense Turismo (22.99801-0012), de Quissamã, é uma operadora local, parceria do projeto Sete Capitães, que faz pacotes e organiza passeios na região.

O valor do ingresso do parque, para os passeios de carro tracionado/bugre ou de barcos nos trechos permitidos, é de R$ 5,50. Os passeios a pé nas trilhas, acompanhado ou não de guias é gratuito. Para mais informações, visite o site da ICMBio, responsável por Jurubatiba, e programe a sua aventura!

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Imagens: Gui Mattoso

1º Congresso Nacional Para O Desenvolvimento do Turismo Rural

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Fui convidado para participar do 1º Congresso Nacional Para O Desenvolvimento do Turismo Rural, que acontecerá entre 7 e 11 de novembro, 100% online e de graça! Já estão rolando as inscrições. Oportunidade única para quem agricultores, turismólogos, especialistas e demais profissionais ligados ao setor. Corre lá, já coloca na agenda e participe!

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+ Imagem: Red Werneck / Que Maracujá

Caipirismo 2 anos

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Eu tinha a sensação que ainda era o primeiro ano se completando, mas fiz as contas e, para o meu espanto já se foram dois anos desde que tomei coragem, criei um blog e comecei a escrever aqui! E olha que eu pensei tanto, mas tanto até dar o primeiro passo e me vestir daquele sentimento de “vai lá e faz!”.

A gente não pode deixar a preguiça, a procrastinação e o medo criarem limo em nós. Não fosse esse primeiro passo eu não teria experimentado tanta coisa legal a partir do Caipirismo. E olha que eu sinto que não faço nem 5% do que eu poderia fazer com ele: abrir mais espaço de relacionamento, interagir mais, posts patrocinados, loja online, e-books, batalhar por melhores resultados em mecanismos de busca…

Tenho muito ainda pela frente, mas fico feliz ao olhar para trás e ver como a minha vida mudou graças a este espaço. Quanta gente boa eu conheci! Quanta novidade eu aprendi! Quanta coisa eu experimentei!

Nos próximos dias vou relembrar alguns posts marcantes e fazer um “melhores momentos” para celebrar os 2 anos de vida do Caipirismo. Não consegui me organizar, mas para o próximo ano quero fazer uma festa! Continuem comigo nessa busca pelo estranho, o agridoce, o diferente… e o que há de novo neste novo rural!

Família Carnielli [Agroturismo Capixaba]

Fechando esta cativante série de posts, voltamos às origens do agroturismo capixaba, na fazenda da Família Carnielli, onde toda essa história de turismo rural começou.

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Albertina Carnielli

A Família Carnielli, pioneira do agroturismo no Brasil, é referência na atividade e recebe visitantes desde o final da década de 80. Fubá, queijos e café são os principais produtos comercializados na loja de fácil acesso, na beira da rodovia Pedro Cola, que liga Venda Nova  do Imigrante ao município de Castelo.

“Começamos a notar que as pessoas gostavam da nossa simplicidade e da forma como as recebíamos. O que para nós era rotina de trabalho, para eles era uma atração turística. Tudo era novidade e este interesse funcionou como um incentivo”, explica Leandro Carnielli, um dos proprietários da fazenda e consultor em agroturismo.

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Albertina e Leandro Carnielli

A fazenda produz uma infinidade de queijos, com Minas, Parmesão, Provolone e os refinados Morbier e Resteia, além de uma linha sem lactose. Café, fubá, polenta, artesanato em tecido e embutidos como socol e lombo defumado também são produzidos e comercializados na propriedade.

Outros produtos, como biscoitos, doces e compotas, feitos pelos vizinhos da família também são comercializados na loja, bem como utensílios para o preparo de café e laticínios com e sem lactose, como este iogurte de ameixa absurdo que eu experimentei na ocasião da visita:

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A Família Carnielli recebe turistas para visitas guiadas onde é possível conhecer toda a cadeia produtiva da fazenda e têm a oportunidade de passear pelos cafezais, pomares e criação de galinha caipira. Um programa completo!

Veja onde fica a fazenda da Família Carnielli no mapa abaixo:

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+ Imagens: Apoena Medeiros.

Pomeranos do Espírito Santo [Agroturismo Capixaba]

Nosso próximo destino na série de posts Agroturismo Capixaba, é Santa Maria de Jetibá, município serrano que foi colonizado por pomeranos… Pomeranos?

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Quando pensamos no período de imigração brasileira no final do século XIX e início do XX, nossas referências são sempre os europeus, principalmente alemães e italianos, que aportaram no Sul, ou os japoneses e, novamente italianos, que chegaram em São Paulo. O Espírito Santo, porém, também recebeu navios e mais navios de imigrantes italianos, alemães e… pomeranos! Mas, afinal de contas, de onde vem esse povo?

A Pomerânia, que não existe mais no mapa da Europa, era uma região localizada ao norte da Polônia e da Alemanha, na costa sul do Mar Báltico, pertencente ao Sacro Império Romano-Germânico até o começo do século XIX, tornando-se posteriormente parte da Prússia e, mais tarde, terminada a Segunda Guerra Mundial, dividida entre a Polônia e a Alemanha.

livro de fotografia “Pommerland: a saga pomerana no Espírito Santo”

Seus descendentes imigraram principalmente para os EUA, Canadá e Brasil, estabelecendo-se nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Espírito Santo. E é justamente neste último estado que se encontra uma das maiores colônias de pomeranos no mundo! São cerca de 140 mil pessoas, a maioria oriunda de Santa Maria de Jetibá, município localizado na serra capixaba que tem a horticultura como principal atividade econômica.

Vivendo durante muito tempo isolados e, mais tarde, sofrendo preconceito no período da Segunda Guerra (os brasileiros achavam que eles eram nazistas…), os pomeranos fecharam-sem em si, criando em Santa Maria de Jetibá uma situação muito ímpar. Até os dias de hoje a língua pomerana é falada com fluência e ensinada nas escolas. Muita gente só aprende português na alfabetização. A população é majoritariamente composta por descendentes diretos e muitos aspectos da vida cultural, social e econômica estão vivos até hoje entre seus habitantes.

©Emilio Schultz/Agência Porã

Basta uma volta pelo centro do município para perceber que estamos em um lugar diferente. Os traços da arquitetura colonial ainda estão presentes e a pele branca, cabelos louros e olhos azuis por todo o lado entregam as origens dos santamarienses. As belíssimas fotos que ilustram este post são do livro “Pommerland: a saga pomerana no Espírito Santo”, de Ervin Kerckhoff, Emilio Schultz, Rogério Medeiros e Apoena Medeiros.

Veja onde fica Santa Maria de Jetibá navegando no mapa abaixo: