The Perennial Plate: aventuras ecogastronômicas

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Conheci o The Perennial Plate há quase um ano. O link do projeto ficou salvo nos meus favoritos, mas nunca consegui parar para assistir. Eis que saí de férias e resolvi dar uma olhada na lista de links “para ver depois” que só cresce, e me deparei novamente com o link.

The Perennial Plate é uma série online, de minidocumentários publicados semanalmente, dedicada à alimentação saudável, educação do gosto, ecogastronomia e temas afins. Confira um dos vídeos aqui:

Veja todos os vídeos aqui

O projeto foi criado pelo chef e ativista, Daniel Klein, e a cineasta, Mirra Fine. Desde então, a dupla viaja pelo mundo explorando as maravilhas, complexidades e histórias por trás do sistema alimentar global cada vez mais conectado.

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A primeira temporada ocorreu durante em Minnesota, nos EUA, onde todas as segundas-feiras, durante 52 semanas, a dupla lançou filmes curtos que seguiram as explorações culinárias, agrícolas e de caça de Daniel Klein.

Na segunda temporada, Klein e Fine viajaram por toda a América, levando o espectador a explorar, apreciar e entender de onde vem a boa comida e como apreciá-la. Na temporada atual, Klein e Fine estão rodando o mundo, visitando países como a China, Japão, Índia, Marrocos, Itália, Argentina e África do Sul, entre outros destinos, para contar as histórias de alimentos reais e as pessoas que o conseguem.

Confira algumas imagens:

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Como a Grande Indústria Viciou o Brasil em Junk Food [NY Times]

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E essa matéria do The New York Times, hein? Foi preciso um jornal gringo, com o olhar de fora, destacar e, praticamente, desenhar para nós, brasileiros, o que anda acontecendo com a alimentação do lado de cá da linha do Equador.

Completíssima, com direito a vídeo, fotos, pesquisas, infográficos e muitos personagens, a reportagem publicada na semana passada caiu como bomba nas nossas cabeças e também na da indústria alimentar, com destaque luxuoso para a Nestlé.

A matéria, em linhas gerais, e de forma bastante contundente,  mostra a ligação do avanço no consumo de ultraprocessados no país com o aumento estrondoso dos casos de obesidade e doenças relacionadas à má alimentação.

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Em 10 anos, as vendas desses produtos aumentaram mais do dobro e chegaram aos rincões mais remotos do Brasil, como o interior do Amazonas e as periferias das grandes cidades do Nordeste. Nos últimos anos, tem-se verificado o aumento de um milhão de novos casos de obesidade!

“Na epidemiologia, nós vemos o vetor de uma doença. Por exemplo, os mosquitos são o vetor da malária. O vetor da obesidade são os alimentos ultraprocessados”, afirma Carlos Monteiro, professor de Saúde Pública da USP, no vídeo que acompanha o texto.

Críticos ouvidos na matéria defendem que esse fenômeno é alimentado pelo marketing agressivo e o sucesso dessas grandes corporações  está totalmente ligado a destruição de uma dieta rica e diversificada.

A matéria vai além, e aborda o lobby do setor para embarreirar a regulamentação da Anvisa, cita movimentações políticas que facilitam a morosidade da pauta e também ouve representantes da indústria.

Por exemplo, Sean Westcott, chefe de pesquisa e desenvolvimento de alimentos da Nestlé, admite que a obesidade foi um efeito colateral inesperado surgido depois que alimentos processados de baixo custo se tornaram mais acessíveis. “Não sabíamos qual seria o impacto”, diz.

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Confira a matéria do The New York Times na íntegra. Vale à pena! Leia tudo com atenção, reflita e pense sobre este tema. A informação e o conhecimento são ferramentas poderosas para não nos tornarmos vítimas dessa triste estatística e, mais, para defender , valorizar e salvaguardar a diversidade e qualidade da dieta brasileira.

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Imagens: William Daniels for The New York Times
Mapa: Audrey Carlsen.  Fonte: Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde.

 

Fico Eataly World: a Disney da comida italiana

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Se as lojas do Eataly, seja em São Paulo, Nova Iorque ou Turim, já causam comoção em qualquer comensal que as visitem, imagine o conceito desta celebrada rede sendo aplicado em um parque temático destinado a celebrar a gastronomia italiana?

No dia 15 de novembro, o grupo Eataly vai inaugurar, em Bolonha, um imenso complexo de 80 mil m², batizado de Fico Eataly World. O espaço terá 25 restaurantes, três bares e 40 agroindústrias onde o visitante poderá acompanhar o processo produtivo de diversos alimentos, como queijos, pães e massas, que serão também comercializados no local.

O parque contará ainda com espaços para eventos, passeios educacionais e uma fazenda  de 11 mil m², dedicada à agricultura e pecuária, com o cultivo de diferentes culturas e pastagens.

A proposta do Fico Eataly World é sensibilizar o público sobre a origem dos alimentos, com foco nos produtos mais tradicionais da gastronomia italiana. O espaço será dividido em seis áreas temáticas, cada uma destinada a um grupo de alimentos: carnes; laticínios; frutas e verduras; cereais; bebidas e molhos; e sobremesas.

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Como todo bom parque temático, é bom lembrar, o Fico Eataly World terá também espaço para as excentricidades, como fontes de Nutella (!) e um lago de azeite de oliva (!!) onde será possível fazer passeios de gôndola (!!!).

Em 2018, o Eataly pretende abrir no local o Eataly Hotel, também voltado à temática da alimentação, com capacidade para até 200 hóspedes. A expectativa é receber 6 milhões de visitantes por ano e vale destacar que a entrada é gratuita!

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Imagens: divulgação/Eataly

Então o açúcar vicia mesmo?

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Um estudo novo, publicado pelo British Journal of Sports Medicine, mostrou que, ante as opções de açúcar e cocaína, ratos de laboratório escolheram a primeira “droga”. Isso não significa, porém, que todos nós podemos nos viciar em açúcar. Segundo o Guardian, diferenças genéticas alteram a forma como o percebemos. Por outro lado, a pesquisa afirma que o açúcar refinado proporciona “um dos mais intensos prazeres sensoriais da vida moderna”.

+ Confira a matéria na íntegra aqui

 

Bela Gil e a democratização da alimentação saudável

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Na semana passada, a convite do Plaza Niterói, participei da palestra “Introdução à Culinária Natural”, ministrada pela Bela Gil. O encontro integra a segunda edição da Temporada Gourmet 2017, realizada periodicamente pelo shopping papa-goiaba e que tem como objetivos fomentar a troca de conhecimentos e novas experiências gastronômicas.

Bela Gil se tornou uma espécie de porta-voz de toda uma turma que vem pensando no impacto das escolhas alimentares para muito além da saúde do corpo. A exposição midiática da chef, graças ao sucesso do seu programa culinário no GNT, ajudou muitíssimo a ampliar a sua mensagem, transformando-a em embaixadora da comida de verdade.

Dois anos depois da estreia na TV, e agora com restaurantes, canal no YouTube, livros de receitas, linha de produtos… ufa, Bela segue firme com seu propósito de mostrar para as pessoas que a comida pode ser um instrumento de transformação. Na palestra, ela contou um pouco sobre a sua história e os caminhos que a levaram a estudar nutrição e gastronomia, e como a comida mudou a sua vida.

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“Eu uso o fascínio pela culinária, muito presente, hoje, na TV, para falar sobre outros aspectos da alimentação, para além da comida. Eu luto pela democratização da alimentação saudável, para que todos tenham esse poder de escolha”.

Bela Gil destacou três pontos de reflexão e ação que podemos já colocar em prática para começarmos a mudar os nossos hábitos: 1. o cuidado com que nós (as empresas, produtores e toda a cadeia produtiva) devemos ter com a terra; 2. a redução do consumo de alimentos ultraprocessados; 3. e a atenção redobrada com os rótulos.

“Cuidar da terra significa ter o prato diversificado. O campo não vai mudar se a gente não mudar a nossa dieta. Quando optamos por orgânicos, por exemplo, além de investir na saúde, estamos ajudando produtores e o meio ambiente”.

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Ao falar sobre os ultraprocessados, Bela pontuou que o ônus dessas escolhas é muito grande para a nossa saúde, pois são alimentos recheados de corantes, conservantes, realçadores de sabor… com pouca qualidade nutricional. Os rótulos, claro, estão repletos de pegadinhas que nos fazem acreditar que estamos comprando alimentos “caseiros”, “artesanais”, “naturais”…

Tudo para que os alimentos durem mais e pareçam mais frescos do que são. E o resultado vocês já sabem, né? Cada vez mais pessoas com doenças crônicas e obesidade.

Por isso, a melhor saída é cozinhar mais em casa. Preparar você mesmo os seus alimentos. Ter o conhecimento de quanto sal, açúcar ou gordura vai num determinado preparo, e ter o poder de escolha sobre quantidades, e se realmente vai querer fazer aquele prato.

O caminho para uma dieta mais saudável, baseada em alimentos frescos e não processados, passa diretamente pela cozinha e pela nossa disposição em pôr a mão na massa. Lembrando que descongelar uma lasanha ou abrir uma lata de atum não é cozinhar… pior: se não houver essa mudança, quem vai ensinar as próximas gerações a cozinhar?

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Crédito das imagens: Fabíola Lima.

Revolta da Cachaça Fluminense

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Crédito da imagem

Para a edição de julho da revista eletrônica da Junta Local, escrevi uma matéria bem bacana que aqui divido com vocês. O texto fala sobre a polêmica lei estadual no Rio de Janeiro que obriga estabelecimentos que vendem destilados a comercializar, pelo menos, quatro rótulos produzidos no estado.

Um bar, por exemplo, que não cumprir a medida pode perder o direito a benefícios que dependam da autorização do Poder Executivo, como anistia de dívidas, empréstimos e renúncia fiscal…

A medida deixou empresários, comerciantes e até produtores revoltados! Confira o texto completo aqui e saiba mais sobre a “lei da cachaça”.

Emulação alimentar – como voltar ao real?

Há alguma semanas, eu conheci o Lucas Della Iglezia, um dos sócios da Cachaça Curtida, num desses encontros facebookianos, sendo a comida de verdade e a filosofia slow food esse ponto de atração que nos uniu. A Curtida resgata uma antiga tradição de criar infusões de cachaça com frutas e ervas, sem corantes, flavorizantes ou sabores artificiais.

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Papo vai, papo vem, o Lucas, que é também um entusiasta da ecogastronomia e fã de sabores verdadeiros, me presenteou como este belíssimo texto que divido com vocês aqui no blog. Confiram:

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Emulação alimentar – como voltar ao real?

Não quero vir aqui para ditar regras ou para fazer ninguém parar de comer o que come ou levar uma vida 100% regrada e bitolada no que deve ou não deve comer. Minha ideia, com as palavras que trago abaixo, é somente indicar alguns fatos que passam despercebidos pelas pessoas no dia-a-dia, mostrando que existem formas de fazer melhor – e sem muita complicação, claro.

Vamos falar sobre produtos industrializados, uma realidade que não vem de hoje. Desde o aumento populacional nas grandes cidades, as indústrias vem achando formas de conservar melhor os alimentos – agora com origem mais distante dos grandes centros urbanos – e mantê-los “frescos” por mais tempo.

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Crédito da imagem

Mas foi por volta dos anos 50 que a onda de enlatados, congelados e fast foods vieram à tona. Esse quadro é reflexo de uma sociedade que vive cada vez mais sem tempo para preparar seu próprio alimento em casa, fazendo com que a cozinha seja um cômodo esquecido em nossos lares – muito diferente do que era antigamente, acreditem!

Curiosamente, de um tempo pra cá, temos visto uma ascensão de movimentos a favor do chamado slow food, dos alimentos orgânicos e do retorno das pessoas para suas cozinhas. Mas será que isso está presente em todos os alimentos? Ou melhor: será que está presente nas bebidas também?

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Crédito da imagem

Digo isso pois é muito comum vermos uma família unida na preparação de um belíssimo pão caseiro, comendo o mesmo com um queijo orgânico… mas bebendo uma caixa de suco artificial, águas saborizadas industriais e os famigerados refrigerantes.

Mesmo que não pareça, existem perigos escondidos em muitas dessas soluções ditas “saudáveis” pela indústria. Vamos ver alguns deles?

As bebidas industriais “naturais”
Vamos começar assumindo que grande parte dos sucos industriais (e estou falando sobre os de caixinha, já que suco em pó é açúcar com corante e sabor artificial) contêm quase ou o mesmo tanto de açúcar que refrigerantes, fazendo com que não sejam uma opção tão mais saudável assim.

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Crédito da imagem

No entanto, uma das grandes promessas para uma vida mais saudável, longe da quantidade de açúcares dos refrigerantes e sucos industrializados, se encontra nas águas saborizadas. Geralmente gaseificadas, com baixo ou nenhum teor de gordura e calorias, são geralmente as primeiras opções na mesa de quem busca uma vida mais saudável.

O próprio benzoato de sódio, aliás, vem sendo alvo de estudos. Entre eles está a pesquisa publicada pela agência de alimentos do Reino Unido no ano de 2007, que indica a relação entre o benzoato com o aumento de casos de hiperatividade em crianças.

Cores e sabores fantasmas
Não é difícil ver também a quantidade de bebidas que são “coloridas artificialmente” e que possuem “sabor artificial de…”. Muitos desses corantes são sim de origem orgânica, mas ainda existem produtos amplamente utilizados na indústria que provém de compostos químicos inorgânicos.

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Um exemplo é o corante conhecido como o azul brilhante FCF. Esse corante sintético é obtido através de hidrocarbonetos derivados do petróleo e amplamente utilizado em produtos que requer uma coloração azul, como o Curaçau Blue, por exemplo.

O vermelho 40 também não é um corante de origem natural, mas sim de um composto petroquímico, que está sendo associado ao aumento de hiperatividade em crianças e já foi banido em países como Alemanha, Áustria e França.

Largamente utilizados, os aromatizantes e flavorizantes estão presentes em grande maioria dos produtos industriais, tanto por serem raras as reações adversas como também pelo baixo custo em sua utilização, já que são empregados em pequenas concentrações.

Geralmente eles podem ser naturais, provenientes de extratos de plantas e frutas, ou artificiais, vindos de bálsamos, álcoois aromáticos e afins.

O único problema é: você não está consumindo nada mais o que um fantasma do que era aquele produto. Quando você come uma geleia “sabor morango” não é a mesma coisa que comer uma geleia que contenha a fruta mesmo. Ou então quando você bebe uma cerveja com “aroma artificial de algo”, uma cachaça com “sabor idêntico de fruta”… esses produtos simplesmente não trazem a real experiência do alimento/bebida para seu corpo.

O que pode ser feito para sair do artificial?
Novamente digo aqui: não vamos montar uma inquisição contra os produtos industrializados. Sabemos como muitos desses produtos podem facilitar a vida da gente, agilizar muitos processos do nosso dia e, se consumidos sem exageros, não farão mal algum.

No entanto, existem formas de conseguir um produto tão saboroso quanto e melhor: um produto real, com sabores e cores reais.

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Uma forma de fazer isso é produzindo a sua própria água saborizada. Tudo o que você precisa é de água e a fruta de sua escolha. Que tal preparar uma jarra de água com laranjas em rodelas? Após algum tempo, a água irá adquirir o gosto da fruta – e você pode até trocar a água por água gaseificada e fazer um “refrigerante natural”.

Ou então troque o suco de frutas de caixa por suco de frutas com FRUTAS. Esprema ou bata tudo no liquidificador, adicione umas pedras de gelo e sinta o sabor verdadeiro da fruta. Uma solução mais prática e mais saudável que o suco de caixa é utilizar as polpas de frutas que vem congeladas também.

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Quer beber uma “Ice” mais natural e com fruta de verdade? Pegue a receita da água saborizada acima, troque a água por cachaça ou vodca, adicione um pouco de açúcar e deixe descansando por algumas semanas. Você terá uma vodca ou cachaça curtida com frutas reais, sem aromatizantes, sem cores artificiais!

Tente fazer essas receitas e compare o industrial versus o caseiro. Dê ao seu paladar a chance de conhecer o real sabor das coisas!