Segura este abacaxi!

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O Greenpeace divulgou no dia 31 de outubro os resultados do relatório Segura este abacaxi! Segundo dados revelados na pesquisa, 60% de alimentos comuns consumidos por brasileiros e vendidos em feiras livres de São Paulo e Brasília contêm traços de agrotóxicos.

O texto destaca que 36% deles têm resíduos de substâncias proibidas ou acima do limite permitido. O levantamento foi feito entre os dias 11 e 13 de setembro com 12 tipos de alimentos, como mamão-formosa, tomate, couve, pimentão verde, laranja, banana, café, arroz e feijão.

O relatório também chama a atenção para o perigo do “efeito coquetel”, causado pela sobreposição de diferentes agrotóxicos no nosso organismo, que pode ser responsável por doenças variadas, desde disfunções hormonais até o câncer.

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Segura este Abacaxi! foi lançado como forma de apoio à campanha #ChegadeAgrotóxico. O Greenpeace apoia a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA) e o projeto de lei (6670/2016) aguarda a instalação de uma Comissão Especial na Câmara dos Deputados para ser analisada.

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The Perennial Plate: aventuras ecogastronômicas

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Conheci o The Perennial Plate há quase um ano. O link do projeto ficou salvo nos meus favoritos, mas nunca consegui parar para assistir. Eis que saí de férias e resolvi dar uma olhada na lista de links “para ver depois” que só cresce, e me deparei novamente com o link.

The Perennial Plate é uma série online, de minidocumentários publicados semanalmente, dedicada à alimentação saudável, educação do gosto, ecogastronomia e temas afins. Confira um dos vídeos aqui:

Veja todos os vídeos aqui

O projeto foi criado pelo chef e ativista, Daniel Klein, e a cineasta, Mirra Fine. Desde então, a dupla viaja pelo mundo explorando as maravilhas, complexidades e histórias por trás do sistema alimentar global cada vez mais conectado.

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A primeira temporada ocorreu durante em Minnesota, nos EUA, onde todas as segundas-feiras, durante 52 semanas, a dupla lançou filmes curtos que seguiram as explorações culinárias, agrícolas e de caça de Daniel Klein.

Na segunda temporada, Klein e Fine viajaram por toda a América, levando o espectador a explorar, apreciar e entender de onde vem a boa comida e como apreciá-la. Na temporada atual, Klein e Fine estão rodando o mundo, visitando países como a China, Japão, Índia, Marrocos, Itália, Argentina e África do Sul, entre outros destinos, para contar as histórias de alimentos reais e as pessoas que o conseguem.

Confira algumas imagens:

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Como a Grande Indústria Viciou o Brasil em Junk Food [NY Times]

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E essa matéria do The New York Times, hein? Foi preciso um jornal gringo, com o olhar de fora, destacar e, praticamente, desenhar para nós, brasileiros, o que anda acontecendo com a alimentação do lado de cá da linha do Equador.

Completíssima, com direito a vídeo, fotos, pesquisas, infográficos e muitos personagens, a reportagem publicada na semana passada caiu como bomba nas nossas cabeças e também na da indústria alimentar, com destaque luxuoso para a Nestlé.

A matéria, em linhas gerais, e de forma bastante contundente,  mostra a ligação do avanço no consumo de ultraprocessados no país com o aumento estrondoso dos casos de obesidade e doenças relacionadas à má alimentação.

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Em 10 anos, as vendas desses produtos aumentaram mais do dobro e chegaram aos rincões mais remotos do Brasil, como o interior do Amazonas e as periferias das grandes cidades do Nordeste. Nos últimos anos, tem-se verificado o aumento de um milhão de novos casos de obesidade!

“Na epidemiologia, nós vemos o vetor de uma doença. Por exemplo, os mosquitos são o vetor da malária. O vetor da obesidade são os alimentos ultraprocessados”, afirma Carlos Monteiro, professor de Saúde Pública da USP, no vídeo que acompanha o texto.

Críticos ouvidos na matéria defendem que esse fenômeno é alimentado pelo marketing agressivo e o sucesso dessas grandes corporações  está totalmente ligado a destruição de uma dieta rica e diversificada.

A matéria vai além, e aborda o lobby do setor para embarreirar a regulamentação da Anvisa, cita movimentações políticas que facilitam a morosidade da pauta e também ouve representantes da indústria.

Por exemplo, Sean Westcott, chefe de pesquisa e desenvolvimento de alimentos da Nestlé, admite que a obesidade foi um efeito colateral inesperado surgido depois que alimentos processados de baixo custo se tornaram mais acessíveis. “Não sabíamos qual seria o impacto”, diz.

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Confira a matéria do The New York Times na íntegra. Vale à pena! Leia tudo com atenção, reflita e pense sobre este tema. A informação e o conhecimento são ferramentas poderosas para não nos tornarmos vítimas dessa triste estatística e, mais, para defender , valorizar e salvaguardar a diversidade e qualidade da dieta brasileira.

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Imagens: William Daniels for The New York Times
Mapa: Audrey Carlsen.  Fonte: Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde.

 

Fico Eataly World: a Disney da comida italiana

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Se as lojas do Eataly, seja em São Paulo, Nova Iorque ou Turim, já causam comoção em qualquer comensal que as visitem, imagine o conceito desta celebrada rede sendo aplicado em um parque temático destinado a celebrar a gastronomia italiana?

No dia 15 de novembro, o grupo Eataly vai inaugurar, em Bolonha, um imenso complexo de 80 mil m², batizado de Fico Eataly World. O espaço terá 25 restaurantes, três bares e 40 agroindústrias onde o visitante poderá acompanhar o processo produtivo de diversos alimentos, como queijos, pães e massas, que serão também comercializados no local.

O parque contará ainda com espaços para eventos, passeios educacionais e uma fazenda  de 11 mil m², dedicada à agricultura e pecuária, com o cultivo de diferentes culturas e pastagens.

A proposta do Fico Eataly World é sensibilizar o público sobre a origem dos alimentos, com foco nos produtos mais tradicionais da gastronomia italiana. O espaço será dividido em seis áreas temáticas, cada uma destinada a um grupo de alimentos: carnes; laticínios; frutas e verduras; cereais; bebidas e molhos; e sobremesas.

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Como todo bom parque temático, é bom lembrar, o Fico Eataly World terá também espaço para as excentricidades, como fontes de Nutella (!) e um lago de azeite de oliva (!!) onde será possível fazer passeios de gôndola (!!!).

Em 2018, o Eataly pretende abrir no local o Eataly Hotel, também voltado à temática da alimentação, com capacidade para até 200 hóspedes. A expectativa é receber 6 milhões de visitantes por ano e vale destacar que a entrada é gratuita!

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Imagens: divulgação/Eataly

Então o açúcar vicia mesmo?

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Um estudo novo, publicado pelo British Journal of Sports Medicine, mostrou que, ante as opções de açúcar e cocaína, ratos de laboratório escolheram a primeira “droga”. Isso não significa, porém, que todos nós podemos nos viciar em açúcar. Segundo o Guardian, diferenças genéticas alteram a forma como o percebemos. Por outro lado, a pesquisa afirma que o açúcar refinado proporciona “um dos mais intensos prazeres sensoriais da vida moderna”.

+ Confira a matéria na íntegra aqui

 

Bela Gil e a democratização da alimentação saudável

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Na semana passada, a convite do Plaza Niterói, participei da palestra “Introdução à Culinária Natural”, ministrada pela Bela Gil. O encontro integra a segunda edição da Temporada Gourmet 2017, realizada periodicamente pelo shopping papa-goiaba e que tem como objetivos fomentar a troca de conhecimentos e novas experiências gastronômicas.

Bela Gil se tornou uma espécie de porta-voz de toda uma turma que vem pensando no impacto das escolhas alimentares para muito além da saúde do corpo. A exposição midiática da chef, graças ao sucesso do seu programa culinário no GNT, ajudou muitíssimo a ampliar a sua mensagem, transformando-a em embaixadora da comida de verdade.

Dois anos depois da estreia na TV, e agora com restaurantes, canal no YouTube, livros de receitas, linha de produtos… ufa, Bela segue firme com seu propósito de mostrar para as pessoas que a comida pode ser um instrumento de transformação. Na palestra, ela contou um pouco sobre a sua história e os caminhos que a levaram a estudar nutrição e gastronomia, e como a comida mudou a sua vida.

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“Eu uso o fascínio pela culinária, muito presente, hoje, na TV, para falar sobre outros aspectos da alimentação, para além da comida. Eu luto pela democratização da alimentação saudável, para que todos tenham esse poder de escolha”.

Bela Gil destacou três pontos de reflexão e ação que podemos já colocar em prática para começarmos a mudar os nossos hábitos: 1. o cuidado com que nós (as empresas, produtores e toda a cadeia produtiva) devemos ter com a terra; 2. a redução do consumo de alimentos ultraprocessados; 3. e a atenção redobrada com os rótulos.

“Cuidar da terra significa ter o prato diversificado. O campo não vai mudar se a gente não mudar a nossa dieta. Quando optamos por orgânicos, por exemplo, além de investir na saúde, estamos ajudando produtores e o meio ambiente”.

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Ao falar sobre os ultraprocessados, Bela pontuou que o ônus dessas escolhas é muito grande para a nossa saúde, pois são alimentos recheados de corantes, conservantes, realçadores de sabor… com pouca qualidade nutricional. Os rótulos, claro, estão repletos de pegadinhas que nos fazem acreditar que estamos comprando alimentos “caseiros”, “artesanais”, “naturais”…

Tudo para que os alimentos durem mais e pareçam mais frescos do que são. E o resultado vocês já sabem, né? Cada vez mais pessoas com doenças crônicas e obesidade.

Por isso, a melhor saída é cozinhar mais em casa. Preparar você mesmo os seus alimentos. Ter o conhecimento de quanto sal, açúcar ou gordura vai num determinado preparo, e ter o poder de escolha sobre quantidades, e se realmente vai querer fazer aquele prato.

O caminho para uma dieta mais saudável, baseada em alimentos frescos e não processados, passa diretamente pela cozinha e pela nossa disposição em pôr a mão na massa. Lembrando que descongelar uma lasanha ou abrir uma lata de atum não é cozinhar… pior: se não houver essa mudança, quem vai ensinar as próximas gerações a cozinhar?

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Crédito das imagens: Fabíola Lima.