Country Vibes Vol. 03

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Depois de um breve hiato, estou de volta com a terceira edição de Country Vibes, série de playlists do Caipirismo no Spotify para inspirar sua viagem, seja ela na estrada de chão ou na intimidade do seu quarto. Após passear pelo cancioneiro alt-country nos volumes 1 e 2, dessa vez finco os pés em solo brasileiro e apresento um apanhado do que se convencionou chamar de rock rural.

Trata-se de um subgênero que surgiu nos anos 70, quando vários artistas nacionais, influenciados por Bob Dylan, The Byrds e Buffallo Springfield, entre outros… começaram a misturar referências do universo folk com ritmos regionais, viola caipira e temas campestres.

Ficou curioso? Nesta playlist vou até o início dessa história, com Sá, Rodrix & Guarabyra, Clube da Esquina… passo pelos anos 80, com 14 Bis, Oswaldo Montenegro… nos anos 90, com Cowboys Espirituais, Nando Reis… e, por fim, chego no século XXI com uma nova leva de artistas que estão renovando o estilo, como Suricato e Anavitória.

Confira a playlist Country Vibes Vol. 03 no Spotify ou ouça logo abaixo.

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3 Perguntas Para Vera Masagão Ribeiro

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Crédito da imagem: divulgação

Conheci os azeites OLIQ em uma das edições da Junta Local, há quase dois anos, e foi amor à primeira vista. Imaginem um azeite artesanal fresquíssimo, com personalidade e feito aqui no Brasil! Pois é, a região da Serra da Mantiqueira, na divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo, está vivenciando um nascente movimento de produção de azeites locais, a partir de oliveiras cultivadas lá mesmo, adaptadas ao clima das montanhas.

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Crédito da imagem: Junta Local

Hoje, o território conta com uma penca de empreendedores rurais e lagares (maquinário para extração de azeite) que, juntos, estão ensaiando uma silenciosa revolução no consumo de deste “ouro líquido” em território nacional. Para saber mais dessa história, conversei por e-mail com a Vera Masagão Ribeiro, uma das sócias do OLIQ, que nos conta nas próximas linhas um pouco dos desafios e prazeres da nova olivicultura brasileira.

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Crédito da imagem: Leonardo Finotti

1. Por que oliveiras e azeites?
Cristina Vicentin, uma das sócias da OLIQ, é de Paraisópolis (MG) e herdou da família um pedaço de terra nos altos do Coimbra, em São Bento do Sapucaí (SP), município vizinho, já no estado de São Paulo. Ela tinha o desejo de produzir algo na terra e lembrou-se da infância, de comprar azeitonas produzidas na região, no mercado municipal. Cristina foi uma pioneira ao iniciar um dos mais antigos pomares comerciais na Mantiqueira, em 2003. Pelas mãos dela, eu e Antônio Augusto Gomes Batista, meu marido e sócio da OLIQ, chegamos à região e nos apaixonamos pela paisagem, pelas pessoas e pela possibilidade de cultivar oliveiras. Em 2013, compramos uma fazenda próxima a da Cristina e plantamos os primeiros mil pés. No ano seguinte, montamos o lagar, nos associamos na criação da Marca OLIQ e, desde então, estamos juntos nessa aventura.

2. Como é estar a frente de uma iniciativa tão inovadora em solos tupiniquins?
Os desafios são muitos, especialmente na área agronômica, pois, para uma cultura perene, 30 anos de pesquisa, que é o que a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) tem nas costas, é muito pouco em termos de conhecimentos. A EPAMIG pesquisa cultivo de oliveiras em sua fazenda experimental, em Maria da Fé. Nós ainda precisamos acumular muito conhecimento científico e prático… Imagine uma comparação com a cultura do café, que tem mais de 100 anos no Brasil. No caso da olivicultura de montanhas, os conhecimentos acumulados na Europa não são aplicáveis aqui sem adaptações, pois o clima e o solo são diferentes. Por outro lado, o fato de ser uma inovação no campo da agricultura tem suas vantagens, pois desperta a curiosidade e o interesse dos consumidores e da mídia. O desafio é chegar a ser conhecido das pessoas, mas quando elas ficam sabendo, se interessam e vão atrás.

Além do desafio agronômico, produzir bem, de forma integrada e idealmente orgânica, temos um desafio grande que é o preço, ainda muito alto, pois a nossa produção é pequena e artesanal. Por conta da topografia montanhosa, o trabalho de trato e colheita é quase todo manual. Isso encarece o produto, mas também agrega valor humano e ecológico. Não é uma commodity, é um alimento cuja produção envolve pessoas, paisagens e um saber fazer que se constrói. Procuramos mostrar isso para os consumidores, que têm cada vez mais buscado alimentos que tenham uma origem e contem histórias, e não sejam apenas commodities.

3. O que há de tão inspirador na olivicultura e na produção de azeites?
O azeite de oliva é um alimento milenar. Originário do mediterrâneo, ganhou o mundo e está nos hábitos alimentares de muitos povos. É um solvente poderoso, por isso assimila os aromas e sabores daquilo que entra em contato e funciona tão bem como tempero. Da mesma forma, a olivicultura, para se expandir pelo planeta, tem que absorver os aromas e sabores de cada terroir, de cada povo. Isso é mágico e essa é a ideia que nos inspira: integrar o universal ao espírito único das nossas montanhas, produzindo um alimento original e fresco para o consumidor brasileiro.

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Crédito da imagem: Junta Local
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Crédito da imagem: Leonardo Finotti
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Crédito da imagem: Leonardo Finotti

Pluriatividade na agricultura familiar

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Crédito da imagem

A noção de pluriatividade na agricultura familiar tem sido usada como recurso para analisar e explicar o processo de diversificação de trabalho no campo. O agricultor de hoje diversifica porque não é mais exclusivamente agrícola. Trata-se de uma abordagem inovadora a respeito da agricultura familiar no Brasil.

A pluriatividade refere-se a situações sociais em que os indivíduos que compõem uma família com domicílio rural passam a se dedicar ao exercício de um conjunto de atividades econômicas e produtivas, não necessariamente ligadas à agricultura ou ao cultivo da terra, e cada vez menos executadas dentro da unidade de produção. Ao contrário do que se poderia supor, esta não é uma realidade apenas nos países ricos e desenvolvidos.

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Turismo rural como atividade complementar na propriedade Crédito da imagem

De acordo com o professor Sérgio Schineider (UFGRS):

“A emergência da pluriatividade ocorre em situações em que os membros que compõem as famílias […] combinam a atividade agrícola com outras formas de ocupação em atividades não agrícolas. A pluriatividade resulta da interação entre as decisões individuais e familiares com o contexto social e econômico em que estas estão inseridas.”

A pluriatividade está ligada às estratégias de vida adotadas pelas famílias e às opções que ela faz para garantir sua sobrevivência, assim como às escolhas produtivas feitas por seus membros. Tais práticas garantem a sustentabilidade de pequenos agricultores e produtores, pois uma família pluriativa pode conseguir solucionar os seus problemas, equilibrando consumo e trabalho, não dependendo de uma única fonte de renda.

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Além de produzir leite, por que não fazer queijo também? Crédito da imagem

Para o professor José Graziano da Silva, diretor-geral da FAO, o campo não pode mais ser identificado com a agricultura e a pecuária, e nem as cidades apenas com as atividades industriais. Para Graziano, o agricultor moderno deve ser um “agricultor em tempo parcial”:

“A sua característica fundamental é que ele não é mais somente um agricultor ou um pecuarista: ele combina atividades agropecuárias com outras atividades não agrícolas, dentro ou fora de seu estabelecimento, tanto nos ramos tradicionais urbano-industriais, como nas novas atividades que vem se desenvolvendo no meio rural, como lazer, turismo, conservação da natureza, moradia e prestação de serviços pessoais. Em resumo, o part-time não é mais um fazendeiro especializado, mas um trabalhador autônomo que combina diversas formas de ocupação (assalariadas ou não). Essa é a sua característica nova: uma pluriatividade que combina atividades rurais agrícolas e não agrícolas.”

Historicamente, comprova-se que os agricultores sempre combinaram a produção agrícola e agropecuária com diferentes atividades, hoje consideradas urbanas ou mesmo industriais. Em diversas regiões do país, eram comum práticas como artesanato, carpintaria e corte e costura, além da produção de novos produtos a partir do beneficiamento dos produtos gerados na propriedade, como queijos, pães e doces.

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Produção de panificados como fonte extra de renda. Crédito da imagem

No entanto, estudos como o do professor Schineider indicam que no contexto atual de produção agrícola, a produtividade das famílias tornou-se uma prova da sua capacidade de adaptação aos novos contextos sociais e de sua permanência no meio rural com qualidade de vida e geração de renda.

A cara da nova juventude rural

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O Instituto Souza Cruz encomendou uma pesquisa sobre os jovens atendidos pelo programa Novos Rurais. Os resultados do estudo destacam a visão dos jovens da zona rural sobre as oportunidades de se empreender no campo e sobre como isso afeta suas perspectivas profissionais e relações sociais.

A pesquisa aponta um novo perfil de juventude rural, que enxerga o campo como um local de oportunidades (92%), o lugar que escolheu para viver (88%) e onde já encontra mais autonomia e espaço para participar da gestão dos negócios familiares (87%).

Visite a página da pesquisa e conheça os resultados

Caipirismo no Instagram 🚜 📷

Estamos no Instagram!
É com um certo delay – mas antes tarde do que nunca – que abrimos, no Instagram, mais um espaço para trocar ideias sobre comida, nova ruralidade, turismo rural e sustentabilidade.
 
 
 

O Brasil é mais rural do que se imagina

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Ana Maria Dias

Eu poderia começar este post com um subtítulo do tipo “eu já sabia!”… fato da vida é que, segundo uma avaliação do IBGE, o Brasil é mais rural do que se supõe atualmente.

O instituto lançou nesta segunda-feira, 31 de julho, uma nova proposta para uniformizar a classificação de áreas urbanas e rurais, retratada na publicação Classificação e caracterização dos espaços rurais e urbanos do Brasil – uma primeira aproximação.

De acordo com a nova proposta, 76% da população brasileira residiria em “zonas urbanas” em 2010, enquanto, segundo a classificação adotada atualmente, 84,4% dos habitantes do mesmo ano moravam nas cidades. O que, para qualquer um que vive ou conhece um pouco dos interiores deste gigante país, não faz o menor sentido…

O objetivo do estudo é promover uma discussão sobre os critérios de distinção entre rural e urbano até 2020, para que seja possível aprimorar a divulgação do próximo Censo Demográfico.

O IBGE reconhece que a questão toca em pontos sensíveis, o que deve gerar um debate na sociedade. Atualmente, cada município define através de legislação municipal própria o que é considerado zona urbana e zona rural.

A classificação determina a forma de incidência de tributos. Na área urbana é cobrado o IPTU, recolhido para os cofres municipais, enquanto que na área rural a arrecadação é federal, explicou o órgão. Aí a gente já começa a entender como chegamos a estes 84% de população urbana no país…

A proposta do IBGE adota três critérios básicos para a elaboração da nova classificação: a densidade demográfica, a localização em relação aos principais centros urbanos e o tamanho da população. Após análise dos critérios, os municípios foram caracterizados como “urbanos”, “rurais” ou “intermediários”.

A metodologia aplicada segue as mesmas orientações de organizações internacionais como a União Europeia, e a de países como os EUA, o que permitiria a comparabilidade dos resultados brasileiros.

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Com informações do site da Isto É (Estadão Conteúdo).

 

A Terra Vermelha e as tensões no campo

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Uso indiscriminado de agrotóxicos, plantações de eucaliptos em áreas de mata nativa, relações de trabalho no meio rural, saúde pública, acesso a educação… este é o cenário de A Terra Vermelha (La Tierra Roja), que conta a história da delicada relação de Pierre, funcionário de uma madeireira, e Ana, professora e ativista em prol da saúde da população de povoado no interior da Argentina.

Assisti a este belo filme quase sem querer neste fim de semana, sem ler sinopse ou ter ouvido falar dele. Além da grata grata surpresa em si, a obra trouxe para a reflexão vários elementos ligados a questões do campo,  indispensáveis para quem trabalha, estuda ou é entusiasta sobre a temática dos conflitos no meio rural.

O longa, lançado em 2017 no Brasil, tem a direção de Diego Martinez Vignatti e atuação de Geert Van Rampelberg, como Pierre, e Eugenia Ramírez Miori, como Ana.