O Brasil é mais rural do que se imagina

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Ana Maria Dias

Eu poderia começar este post com um subtítulo do tipo “eu já sabia!”… fato da vida é que, segundo uma avaliação do IBGE, o Brasil é mais rural do que se supõe atualmente.

O instituto lançou nesta segunda-feira, 31 de julho, uma nova proposta para uniformizar a classificação de áreas urbanas e rurais, retratada na publicação Classificação e caracterização dos espaços rurais e urbanos do Brasil – uma primeira aproximação.

De acordo com a nova proposta, 76% da população brasileira residiria em “zonas urbanas” em 2010, enquanto, segundo a classificação adotada atualmente, 84,4% dos habitantes do mesmo ano moravam nas cidades. O que, para qualquer um que vive ou conhece um pouco dos interiores deste gigante país, não faz o menor sentido…

O objetivo do estudo é promover uma discussão sobre os critérios de distinção entre rural e urbano até 2020, para que seja possível aprimorar a divulgação do próximo Censo Demográfico.

O IBGE reconhece que a questão toca em pontos sensíveis, o que deve gerar um debate na sociedade. Atualmente, cada município define através de legislação municipal própria o que é considerado zona urbana e zona rural.

A classificação determina a forma de incidência de tributos. Na área urbana é cobrado o IPTU, recolhido para os cofres municipais, enquanto que na área rural a arrecadação é federal, explicou o órgão. Aí a gente já começa a entender como chegamos a estes 84% de população urbana no país…

A proposta do IBGE adota três critérios básicos para a elaboração da nova classificação: a densidade demográfica, a localização em relação aos principais centros urbanos e o tamanho da população. Após análise dos critérios, os municípios foram caracterizados como “urbanos”, “rurais” ou “intermediários”.

A metodologia aplicada segue as mesmas orientações de organizações internacionais como a União Europeia, e a de países como os EUA, o que permitiria a comparabilidade dos resultados brasileiros.

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Com informações do site da Isto É (Estadão Conteúdo).

 

A Terra Vermelha e as tensões no campo

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Uso indiscriminado de agrotóxicos, plantações de eucaliptos em áreas de mata nativa, relações de trabalho no meio rural, saúde pública, acesso a educação… este é o cenário de A Terra Vermelha (La Tierra Roja), que conta a história da delicada relação de Pierre, funcionário de uma madeireira, e Ana, professora e ativista em prol da saúde da população de povoado no interior da Argentina.

Assisti a este belo filme quase sem querer neste fim de semana, sem ler sinopse ou ter ouvido falar dele. Além da grata grata surpresa em si, a obra trouxe para a reflexão vários elementos ligados a questões do campo,  indispensáveis para quem trabalha, estuda ou é entusiasta sobre a temática dos conflitos no meio rural.

O longa, lançado em 2017 no Brasil, tem a direção de Diego Martinez Vignatti e atuação de Geert Van Rampelberg, como Pierre, e Eugenia Ramírez Miori, como Ana.

Impact Farm: sistema produz até 6 toneladas de alimentos em 163 metros quadrados!

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Transformar pequenos espaços em áreas produtivas é uma das grandes soluções para garantir a segurança alimentar nos centros urbanos. Já são inúmeras as experiências de sucesso mundo afora (exemplos não faltam aqui no blog), como é o caso do Impact Farm, um sistema criado por dois jovens dinamarqueses engajados em melhorar a segurança alimentar, reduzir a pegada ecológica e gerar empregos.

Para alcançar este objetivo, Mikkel Kjaer e Ronnie Markussen criaram uma estrutura projetada para ser autossuficiente em água, calor e eletricidade. Todo o espaço necessário para a instalação do sistema é de apenas 163 metros quadrados, onde é possível produzir ervas, verduras, legumes e plantas frutíferas.

A área é suficiente para colher de três a seis toneladas de alimento ao ano, dependendo do modelo escolhido. Segundo os criadores, o de menor capacidade é indicado para pequenos comerciantes e restaurantes. Já, o modelo mais potente pode ser usado para distribuir alimentos em escolas, creches, asilos e muito mais.

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Os jovens não se preocuparam apenas com a funcionalidade, mas também com a estética do projeto. A ideia era ter uma fazenda urbana bonita e que ajudasse a revitalizar espaços abandonados ou inutilizados nas cidades, como estacionamentos ou vãos de prédios. O sistema modular é feito a partir de materiais reaproveitados e pode ser desmontado e transportado para outros locais, conforme necessário.

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+ Com informações do site Ciclo Vivo.

Retrospectiva Caipira 2016

No nosso primeiro post de 2017 apresento a vocês os conteúdos que mais se destacaram no ano que passou, batendo recordes de acesso e compartilhamento no Facebook, como as “10 tendências gastronômicas para 2016”, o artigo sobre “Ernst Götsch e a agricultura sintrópica” e a seleção das “10 cervejas de Niterói que você precisa beber!”. Confira esta deliciosa lista e relembre comigo os principais posts do Caipirismo em 2016!

1. Resenha do livro “Sal Açúcar Gordura”
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2. 10 tendências gastronômicas para 2016
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3. 9 pratos que são patrimônio da humanidade
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4. Cerveja é feita com sobra de pães que iriam para o lixo
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5. Alimentos desperdiçados na América Latina poderiam alimentar 37% dos famintos no mundo
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6. Ernst Götsch e a agricultura sintrópica
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7. Responsa: saiba onde tem um orgânico perto de você
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8. Descobrindo Jurubatiba
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9. 15 fazendas urbanas mundo afora
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10. 10 cervejas de Niterói que você precisa beber!
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Conheça uma agrofloresta de 23 anos!

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Os neozelandeses Robert e Robyn Guyton cultivam uma agrofloresta há 23 anos! O terreno de 8 mil m2  é uma fonte absurda de alimentos e foi idealizada com base em nos princípios da permacultura. As plantas da mata, das pequenas às grandes, fornecem alimentos para pessoas e bichos numa quantidade equilibrada. Conheça a história deles nesse vídeo produzido pelo pessoal da Happen Films.

15 fazendas urbanas mundo afora

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crédito da foto

Cerca de 15% dos alimentos produzidos no mundo, hoje, são cultivados em áreas urbanas e periurbanas. Segundo a FAO, estas fazendas e hortas já atendem a uma demanda de 700 milhões de pessoas, mais ou menos um quarto da população urbana mundial.

Nas pesquisas que faço por aí, eu fico impressionado com o esforço de centenas de iniciativas, desde hortas urbanas até verdadeiras fazendas, em sua maioria cultivando alimentos e criando animais segundo os princípios da agroecologia, promovendo a utilização saudável de ambientes antes degradados e unindo comunidades.

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crédito da foto

A agricultura urbana não contribui somente com a segurança alimentar, mas também com a aproximação da natureza, da cultura do gosto e da edução ambiental. Se você se interessa pelo tema, pensa visitar uma fazenda urbana em sua próxima viagem e quer conhecer algumas experiências de sucesso, vem comigo e confira estes 15 projetos inspiradores, espalhados mundo afora!

 

1. Canberra City Farms (Canberra, Austrália)
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O Canberra City Farms, na capital australiana, se dedica a formar pequenos centros de aprendizado onde as pessoas podem colaborar e dividir seus conhecimentos sobre a produção de alimentos sustentáveis e ambientalmente responsáveis.

2. Ferme de Paris (Paris, França)
A Ferme de Paris é uma fazenda educativa e ambiental, localizada perto perto do Hipódromo de Vincennes. É uma estrutura municipal de ensino bastante diversificada, com produção de legumes, verduras, ervas medicinais e até criação de animais.

3. Fresh & Local (Bombain, Índia)
É através da agricultura urbana que o Fresh & Local busca melhorar a saúde e a qualidade de vida dos moradores de Bombaim. A organização ocupa espaços vazios ou abandonados e os transforma em incríveis centros comunitários, com muito verde e alimentos frescos.

4. Frisch vom Dach (Berlim, Alemanha)
Trata-se de um projeto de hidroponia que começou no telhado de uma antiga fábrica de malte, em Berlin. O projeto Frisch vom Dach utiliza nutrientes da aquicultura para irrigar legumes e verduras.

5. Brooklyn Grange (Nova Iorque, EUA)
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O Brooklyn Grange é um projeto pioneiro em Nova Iorque. Hoje, ele ocupa três grandes telhados, dois no Brooklyn e um em Long Island City, que são verdadeiras fazendas orgânicas, altamente produtivas. O grupo também promove cursos, eventos e consultorias mundo afora.

6. Huerto Tlatelolco (Cidade do México, México)
Trata-se de uma verdadeira floresta comestível em plena Cidade do México, com cerca de 45 variedades de árvores, banco de sementes e uma grande horta. Este é o projeto Huerto Tlatelolco,  criado com o objetivo de fomentar a alimentação saudável o convívio da comunidade local.

7. Mazingira Institute (Nairóbi, Quênia)
O Instituto Mazingira fornece treinamento e suporte para agricultores urbanos que vivem em Nairóbi. A ONG já capacitou cerca de três mil agricultores urbanos, além de ter formado grupos de jovens e mulheres.

8. Pasona O2 (Tóquio, Japão)
O Pasona O2 é um projeto de fazendas urbanas, de Tóquio, que promove o cultivo de mais de 100 variedades de legumes e verduras, em espaços fechados, como subsolos, e em paredes de edifícios comerciais.

9. The People’s Potato (Montreal, Canadá)
Localizado em Montreal, the People’s Potato, é um projeto de horta e estufa de mudas geridos pelos moradores da região onde ele foi instalado. Uma rede de voluntários cultiva produtos orgânicos e distribui na vizinhança, além de preparar refeições veganas a partir de um banco de alimentos.

10. Hortas Cariocas (Rio de Janeiro, Brasil)
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O Hortas Cariocas, é um projeto da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, presente em 30 comunidades, e na Rede Municipal de Ensino do Rio. Elas geram empregos diretos e a produção é dividida entre escolas e famílias em risco social. O restante é comercializado e o lucro é dividido entre os parceiros ou reinvestido no projeto.

11. ReVision Urban Farm (Boston, EUA)
ReVision Urban Farm é um projeto de agricultura urbana de base comunitária que cultiva alimentos nutritivos para pessoas que vivem em alguns bairros da cidade de Boston. O projeto também ensina os moradores sobre alimentação saudável e oferece estágios para jovens e moradores de rua.

12. Camino Verde  (Puerto Maldonado, Peru)
Localizado em Puerto Maldonado, a missão do projeto Camino Verde é plantar árvores e incentivar a gestão ambiental, através de programas educacionais e de conscientização. O programa “Banco Vivo de Semillas”, por exemplo, funciona como um jardim botânico, com mais de 250 espécies de árvores, muitas ameaçadas es extinção.

13. Abalimi (Cidade do Cabo, África do Sul)
Abalimi é uma organização que trabalha em prol da conservação do meio ambiente e da agricultura urbana nos arredores da Cidade do Cabo. A instituição apóia e auxilia grupos e indivíduos que procuram melhorar a sua subsistência através da agricultura orgânica.

14. Sky Greens (Singapura)
Sky Greens é uma iniciativa pioneira, de baixo carbono, que consiste em uma fazenda urbana vertical que emprega soluções verdes e tecnológicas em suas práticas, para produzir legumes e verduras utilizando o mínimo de recursos possível.

15. Horta do CCSP (São Paulo, Brasil)
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Idealizada em 2011, a Horta do Centro Cultural de São Paulo, inicialmente foi formada a partir de mudas e materiais cedidos pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Hoje, a área é mantida por voluntários. Os mutirões acontecem no último domingo de cada mês.

Responsa: saiba onde tem um orgânico perto de você

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Olha que legal essa iniciativa do Instituto Kairós e da Cooperativa EITA: o Responsa é um aplicativo gratuito (por enquanto só para Android) que mapeia produtos orgânicos por todo o Brasil, além de outras iniciativas que defendem o consumo responsável. São feiras, restaurantes, lojas, cooperativas, hortas comunitárias, clubes de compras…

A ideia é  reunir em um mesmo espaço as informações necessárias, que permitam às pessoas entender as relações de produção e intervir em seu contexto, participando e apoiando ativamente aquele empreendimento que está perto de você. No total, já são mais de 3 mil estabelecimentos disponíveis para consulta em todo o país.

Para participar do Responsa com o seu empreendimento é necessário adotar práticas de produção e comercialização que tenham respeito e cuidado com o trabalhador e com o meio ambiente. Além do aplicativo, o mapa também está disponível no site pode ser consultado no Portal do Consumo Responsável.