Você sabe o que é comida de verdade?

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Carne recheada com batata rústica – isso é comida de verdade (crédito da imagem)

O sistema alimentar está mudando diante dos nossos olhos. Se você, caro leitor, estiver na casa dos 30 anos ou mais, certamente lembrará que até há alguns anos, as empresas tinham liberdade total para criar o que desse na telha. Os ingredientes só tinham valor como item de custo, ou seja, quanto mais barato, melhor. As embalagens sequer informavam os “ingredientes” ou a famigerada “tabela nutricional”.

De lá para cá, o cenário vem mudando gradativamente… via pressão popular, regulamentação, guerras comerciais… enfim, fato da vida é que, hoje, já vemos muitas empresas mudando de estratégia, retirando ingredientes que não sabemos pronunciar e enaltecendo a (pouca) quantidade de elementos utilizados. Será que essas “coisas” estão se tornando comida de de verdade? As mudanças são só mais uma jogada de marketing de olho nas tendências? Os alimentos industrializados estão mais “saudáveis”? Mas, afinal, o que é comida de verdade?

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O que tem nessa manteiga? (crédito da imagem)

Creio que comida de verdade sejam aqueles alimentos que conseguimos reconhecer como comida, que conseguimos entender do que são feitos, a exemplo da manteiga = gordura do leite batida com sal

E muito diferente da margarina = gorduras vegetais hidrogenadas, sebo animal, ácido sulfúrico, leite de vaca, soda cáustica, ácido benzoico, ácido butil hidroxitolueno (explosivo), galato propila, corante artificial (CI, CII, etc.), aromatizantes artificiais (PI, PIV), antioxidantes artificiais (AV, AVI e AVIII), estabilizantes artificiais, vitamina “A” sintética ou acetato de vitamina A2,20.COC Co).

Quando nos deparamos com milhares de ingredientes que não entendemos, como podemos confiar neles? Quer outro exemplo? Veja alguns elementos estranhos que encontramos em um inofensivo biscoito recheado: emulsificante lecitina de soja, ésteres de mono e diglicerídeos de ácidos graxos com ácido diacetil tartárico, bicardonato de amônio… gente, o que são essas coisas? Era para ser apenas um biscoito… farinha, açúcar, manteiga…

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Tem uma tabela periódica inteira dentro desse biscoito (crédito da imagem)

O desejo pela comida de verdade surge quando falta transparência por parte da indústria alimentar. No passado, a informação não era tão acessível, mas atualmente, em poucos segundos, eu consigo, por exemplo, ter acesso à infinita lista de ingredientes do biscoito ou da margarina, citados anteriormente. Ao assistir um vídeo no YouTube, por exemplo, eu consigo entender por que as florestas na Ásia estão sendo desmatadas para se plantar palma e extrair óleo para fazer chocolate…

Hoje, tem-se acesso a um mundo de informações que nos fazem pensar e refletir sobre as nossas escolhas: imagine se no tempo dos seus avós discutia-se sobre agrotóxicos, transgênicos, desmatamento, alimentos com excesso de sal, açúcar e gordura… e como isso se materializa nas nossas escolhas e na comida que chega ao nosso prato.

Isso é um fato: as pessoas têm se preocupado mais com o que comem. Ainda não é uma tomada de consciência absurda, existe muita confusão e informações dúbias, mas há uma mudança em curso. Elas estão se preocupando mais, procurando entender o que é ou não comida de verdade. A máxima do Michael Pollan no livro “Regras da Comida”, para nos ajudar nas nossas escolhas, é demais:

“Não coma nada que sua avó não reconheceria como comida”

Quando você prepara o seu próprio alimento, você está fazendo comida de de verdade – com poucos ingredientes é possível fazer coisas maravilhosas. Quando você privilegia os pequenos produtores você está apoiando a comida de verdade. Quando você opta por alimentos da sua região, você está investindo na comida de verdade.

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Você sabe quem planta o seu alimento? (crédito da imagem)

Futuro do planeta
A segurança alimentar é um tema-chave para a sustentabilidade do nosso planeta. Segundo dados da ONU, a agropecuária é responsável por 22% das emissões de gases de efeito estufa no mundo. No Brasil, essa proporção sobe para 60%!

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Fronteira agrícola avançando sobre a mata (crédito da imagem)

Estima-se que até 2022 o nosso país necessitará expandir sua área agrícola em cerca de 7 milhões de hectares e produzir 30% mais carne bovina para suprir demandas por alimentos no mundo, segundo o Ministério Agricultura. E aí faz como? Termina de desmatar a floresta amazônica? Trata-se de um modelo agroindustrial que simplesmente não faz o menor sentido.

Quer número pior? A comida desperdiçada no mundo, cerca de 1,3 bilhões de toneladas, responde por mais emissões de gases causadores de efeito estufa do que qualquer país, exceto China e Estados Unidos.  Se não houvesse tanto prejuízo com o desperdício de alimentos, o problema da fome no mundo poderia ser facilmente resolvido sem a necessidade de se derrubar mais uma árvore para isso.

E aí, quando passamos a nos preocupar com a comida de verdade, essas reflexões passam a vir à tona e começamos a pensar em questões como “preciso mesmo comer carne vermelha todo santo dia?”. Como bem ensina a Kapim, em seu divertido programa Socorro! Meu Filho Come Mal!, mais do que doses diárias de carne, nossos pratos precisam ser coloridos, variados!

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Cozinhe! (crédito da imagem)

Já falei sobre isso em outro post e volto aqui, ao final deste artigo, para reforçar a mensagem: vamos cozinhar mais em casa! Quanto mais se cozinha, mais se aprende sobre o que está acontecendo com o seu corpo, com o meio em que você vive e sobre as pessoas que você ama e estão ao seu redor. Cozinhar é um ato político, cozinhar é uma declaração de amor! Comida é liberdade! Precisamos cozinhar mais comida de verdade

Da beleza de moer o nosso próprio café

Quando li este texto da Mónica Guerra Rocha, idealizadora do Comida do Amanhã, foi amor à primeira vista! Adoro café e uma das razões deste blog existir é o entusiamo que tenho pela comida como elemento de transformação – para melhor – do nosso planeta. Não resisti e pedi à Mónica para reproduzi-lo na íntegra por aqui. Confira e apaixone-se também:

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Da beleza de moer o nosso próprio café

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Este texto poderia ser uma carta de amor. Poderia também ser uma despedida, um até mais ver. Poderia ser um memorial ou um poema, mas não. Este texto não é sobre nós mas sobre o que fica além de nós. Sobre como é que de encontros nascem novas formas de reencontro com o mundo, com a simplicidade, e no nosso caso, sempre com ela, a comida.

Pulando a parte de quando nos conhecemos, vamos logo para o segundo dia. Fomos almoçar, e sem muito assunto, ainda de olhos vidrados de encantamento, disseste que precisavas comprar café. Levaste-me para um shopping center (que logo descobriste que era um dos piores lugares para me levar) e fomos naquela franquia americana da logo da sereia, comprar café. Tu dizias com orgulho que compravas sempre o grão, do mais forte e torrado, e que moías todas as manhãs. Que aquele era o melhor café, e a tua fala trazia uma propriedade que me fixava ali, curiosa. Dizemos muitas coisas quando conhecemos alguém, não é mesmo? “Só como sorvete de pistache; Não abro mão de suco de caixinha; Deixo de fumar em qualquer momento; Não durmo em camping; Para toda a vida; Para nunca mais; Queijo só daquela marca; Café só do mais torrado, só da logo da sereia.” Tudo se reavalia depois, porque é da troca e da convivência que nasce a sabedoria. Nascem dificuldades também, mas este texto é sobre café, então voltemos ao tema. Comprado o grão abriste o pacote, cheiramos, puxaste o moedor do armário, moeste o grão, e a cozinha foi invadida por aquele cheiro maravilhoso. Fizeste o café na prensa francesa e eu achei tudo o máximo. Não te contei no dia que era um ritual que eu também já trazia porque queria provar como se fosse tudo novo, sem memória, como se fosse uma primeira vez.

Desde então se deram centenas de rituais semelhantes. Mas tudo sempre especial.

Apaixonados pela tradição que decidimos não abandonar (ao contrário do suco de caixinha, do camping e da marca do queijo) fomos cada vez mais fundo. Conhecemos o Sérgio e o café dele, e entendemos que tem muitos tipos de torra de café. Que na verdade os cafés mais torrados são na maioria das vezes para disfarçar o gosto ruim de um fruto de péssima qualidade que foi colhido quase podre. Aprendemos que o melhor café do mundo produzido no Brasil geralmente não é bebido por cá, e que a borra queimada que vemos por tantos lugares é resultado de um fruto doente, de um processo errado, de uma desvalorização da produção, da falta de cafés especiais acessíveis, de um crime diário com um alimento de ouro.

Percebemos que o café melhor é o mais claro, torra mais leve, e que ele chega a ter aromas cítricos e frutados. Que é suave, e que nele podemos sentir melhor os óleos naturais, deixar o aroma dissolver na boca. Que os amendoados e achocolatados, mais fortes, não chegam a ser aquilo que se bebe por aí, que café queimado não deveria sequer ser vendido, que é uma ameaça inclusive para a saúde de todos nós. Que café não é laxante mas diurético (até isso a gente aprendeu), e que café bom vai nutrir a alma e fazer do acordar um lugar muito mais especial.

Aprendemos a distinguir a cor dos grãos, verificamos se eram de tamanhos aproximados uns dos outros, como acontece muito com as safras especiais. Num dia de inverno, de meia e pijama, fizemos o teste do olfato e ficamos babões quando os dois adivinhamos o tipo de torra pelo cheiro. Sim, temos sempre pelo menos dois tipos de grão diferentes em casa, em duas caixas especiais, e escolhemos cada um de acordo com o humor – torra mais forte ou mais fraca, dias mais frios ou mais quentes, humor mais desperto ou cabisbaixo.

Sabemos até adivinhar o grão que o outro está querendo tomar antes mesmo de perguntar. E isso é totalmente verdadeiro: nunca ninguém diz que não a um café por aqui….

Deixamos de ter açúcar em casa. O leite nunca mais viu a geladeira, o achocolatado passou o prazo de validade no começo do pacote. Mas quilos e quilos de grãos de café especiais foram lambuzados em vários despertares.

Veio a moka para o café italiano, o coador de pano que o teu pai deixou em casa, a prensa francesa ultimamente faz mais chás do que café. Oferecemos moedores a amigos, recomendamos grãos, queremos fazer mini cursos de barista, aprender a tirar um bom expresso, namoramos por meses uma aeropress para fazer o café coado mais forte mas sem tirar os aromas e os óleos.

Quando entendemos que dentro de um grão tem um universo inteiro, entendemos também que cada escolha que fazemos para a casa onde moramos, para as pessoas que queremos e que amamos, são profundas e transformadoras. O café de grão veio junto com a sacola de orgânicos, o liquidificador potente para tirarmos melhor proveito das sementes, dos leites vegetais, das vitaminas de manhã. O suco de caixinha foi trocado por laranjas frescas, espremidas na hora e o camping que nunca iríamos foi destino em vários momentos que quisemos ficar mais perto do mais simples.

Tem muita beleza nisso, comentamos entre nós. Privilegiados que somos, podemos escolher tudo, até o grão em cada manhã. E entendemos que deve ser trabalho e missão de todos incentivar que essas produções, esses hábitos se tornem tão essenciais que virem acessíveis a cada um, e que isso sim, é soberania e escolha de fato.

O café já foi dos produtos mais valiosos do mundo junto com o petróleo. Milhões de sacas foram queimadas na crise de 1929, para que o mercado o mantivesse numa supervalorização. Seguimos queimando nosso café quando queimamos a possibilidade dele ser tudo o que a natureza se dispõe. É um fruto mágico e precioso, que encontrou por aqui um lugar onde se floresceu e transformou todo o país. Tem pouco mais de 2 séculos desde que foi trazido para cá e já tanto aconteceu. Um símbolo nacional, elemento tão forte de uma cultura inteira, o café é muito muito mais do que uma infusão quente de um grão torrado. O resgate desse lugar, o respeito pela sua história, pelo
simbolismo que traz (o café era considerado no passado uma bebida maomista, e proibida no mundo cristão pelos seus efeitos estimulantes) são chaves para retomar o respeito pela produção, devolver ao produtor a liberdade e a possibilidade de ter colheitas especiais de produtos de muita qualidade.

A revolução pela comida de verdade começa também por aí. No momento de escolher o seu grão, saber da história do produtor, moer para ter o pó, compartilhar e celebrar, que fazem do café um ritual para além da bebida e isso é profundamente transformador. Todos os dias, pelo menos uma vez por dia, honrar e agradecer a todo o valor que existe dentro de uma xícara é de uma sensibilidade e de uma beleza imensurável.

Ontem fizemos pão pela primeira vez, entre alguns dos nossos últimos cafés. O trigo, o fermento, a água, o sal. Lembrei do primeiro dia.

E se existiu entre nós amor em dividir as coisas simples, essas são aquelas que ficarão para sempre.

Rio de Janeiro, 12/04/2017

Comida é arte

 

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Fast food caveman (Banksy)

O movimento Comer pra quê? está lançando um projeto bem legal, que pretende mobilizar e dialogar com a juventude unindo dois elementos que todos nós amamos: arte e comida! O objetivo da iniciativa é provocar reflexões e ação política a respeito do que representa o comer hoje. Durante os meses de abril e maio será realizada uma série de oito Encontros Criativos gratuitos, em universidades públicas do Rio de Janeiro.

Fanzine, Estêncil e Cinema (filme-carta) serão as linguagens artísticas apresentadas nos encontros. A ideia é colaborar para que os jovens construam suas narrativas e seus processos comunicativos, estimulando uma abordagem ética, estética e politizada da alimentação contemporânea.

O primeiro encontro acontecerá no dia 18 de abril, das 14h às 18h, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). O artista convidado Marcio Lazaroni, designer formado pela PUC-Rio e fundador da Fazenda Faraó, irá ensinar a técnica do Estêncil.

No dia 19 de abril, das 14h às 18h, será a vez da artista Camila Olivia Melo, educomunicadora e doutoranda em Artes&Design na PUC-Rio, ensinar a técnica de produção dos zines, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Nos dias 24 e 25 de abril e 05 de maio, das 13h às 17h, a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) irá receber o cineasta Geraldo Pereira, que já trabalhou em produções como Babilônia 2000”, “Edifício Master” e na série “Cultura Ponto a Ponto”, para ensinar a produzir o filme-carta.

Cada sessão terá 20 vagas e as inscrições já estão abertas, por meio deste formulário online. Os participantes receberão certificado e as criações artísticas farão parte da mobilização do movimento “Comer pra quê?”.

3 pilares do próximo sistema alimentar

Há alguns dias, tive acesso a um interessante artigo, compartilhado pelo amigo Eddie Boorhem, sobre o futuro do nosso sistema alimentar. Escrito por Micki Seibel, do Sustainable Food Systems, o texto sugere que estamos no limiar de uma nova revolução alimentar, baseada em biodiversidade, novas culturas alimentares e tecnologia. Tomei a liberdade de traduzi-lo para compartilhar aqui no Caipirismo. Confira!

+ Leia o artigo original aqui

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Ao longo da história, nós transformamos o nosso sistema alimentar em várias ocasiões notáveis. A capacidade de domesticar plantas e animais, por exemplo, provocou a primeira transformação: o aumento da agricultura. Já o sistema alimentar que conhecemos hoje é resultado da “revolução verde”, iniciada em meados do século XX.

A “revolução verde” resolveu o problema da quantidade: como podemos aumentar a quantidade de calorias para alimentar uma população em franco crescimento? Os principais pilares desta revolução foram: 1) inovações na química que geraram fertilizantes artificiais, herbicidas e pesticidas; 2) desenvolvimento de culturas de grãos de alto rendimento; e 3) infra-estrutura de água controlada (por exemplo, irrigação). Como resultado, nós aumentamos a quantidade de alimentos que produzimos conforme o aumento massivo das colheitas.

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Infelizmente, como acontece na maioria das situações, há consequências não intencionais neste processo: fizemos um sistema alimentar que produz o alimento errado, com grandes danos ao meio ambiente.

É por isso que estamos no início da próxima transformação em nosso sistema alimentar. Desta vez, preservando a nossa capacidade de produzir em quantidade e melhorando questão da sustentabilidade. Os três pilares do nosso próximo sistema alimentar são: 1) biodiversidade, 2) novas culturas alimentares e 3) digitalização.

Biodiversidade: imitando a natureza; sem controle
Com o sistema de alimentos industriais de hoje, milhões e milhões de hectares de terra são dedicados ao cultivo de uma única cultura e um grande esforço e muitos produtos químicos são utilizados para afastar todo o resto de vida daquele ambiente. Com o passar do tempo, as monoculturas degradam o solo e deixam as ervas daninhas e pragas mais resistentes aos agrotóxicos.

Por outro lado, ecossistemas prósperos e saudáveis na natureza contêm verdadeiras massas de biodiversidade. Desde a floresta mais profunda, passando pelo fundo do oceano até o topo da montanha mais alta, os ecossistemas naturais abrigam centenas ou milhares de espécies de plantas, animais e micróbios, todos interligados.

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Nosso próximo sistema alimentar vai imitar a natureza através do cultivo de alimentos em um ecossistema que incorpora plantas, animais, fungos, micróbios e novos participantes a serem descobertos. Hoje, o solo que  abriga as uvas da sua taça de pinot noir só produzem frutos para o vinho. Neste novo sistema alimentar, esta mesma terra produzirá também os grãos para o pão, o leite para o queijo, a lã para o suéter e o cordeiro para a janta. O rancho que produz carne bovina também terá galinhas e suínos e cultivará nabos, couve e beterraba, porque os porcos comem isso também. Nada será desperdiçado.

Algumas variedades atuais também serão cultivadas em ambientes fechados. Esta forma de agricultura é mais parecida com uma fábrica do que com uma fazenda: altamente automatizada e orientada a dados. Por que 90% das folhas verdes produzidas nos EUA devem ser cultivadas somente na Califórnia quando 75% da população norte-americana vive ao leste das Montanhas Rochosas? Produtos altamente perecíveis, como verduras, morangos, brócolis… viajam, em média, mais de 3.200 km desde a fazenda até o garfo.

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Realizar a colheita em instalações hidropônicas perto de grandes centros populacionais significa que você pode propiciar mais nutrientes em produtos mais frescos, reduzir em 90% o consumo de água, ter colheitas diárias durante todo o ano e gerar menos resíduos alimentares. Isto se aplica ao peixe fresco e frutos do mar, porque há uma simbiose com os resíduos do processamento de frutos do mar e os nutrientes necessários para a produção dos mesmos. É uma outra forma de ecossistema diversificado.

Novas culturas de alimentos em novas embalagens
Os principais cereais que alimentam o mundo (e o gado) – milho, trigo, arroz, soja, etc – são plantas sazonais. Semeaduras, florescimento, colheita… sazonais. Como os seres humanos neolíticos domesticaram as plantas há 10.000 anos, era mais fácil e mais rápido repetir o processo por reprodução seletiva sazonal. Alimentos perenes, por outro lado, não tiveram esse tipo de avanço, porque são duradouros. Nós optamos por alimentos sazonais porque são mais rápidos, mesmo considerando que as plantas perenes podem ser melhores: sistemas profundamente enraizados que reduzem a erosão do solo e sequestram o carbono da atmosfera. Os avanços na genética e, em particular, a capacidade de editar sequências genômicas em software – o equivalente digital de reprodução seletiva – permitem a replicação de variedades perenes mais rapidamente. Isso representa campos que retêm mais água, mais solo e mais adubo, facilitando o cultivo de grãos em terras marginais. Gramíneas perenes também formam a base de um ecossistema diversificado para os animais pastarem, além de formar todo um microbioma próspero.

Novos alimentos serão “descobertos” nos resíduos produzidos pelo nosso sistema atual. Como o desperdício é um tema cada vez mais importante para a segurança alimentar, estes resíduos podem se transformar em novos subprodutos. Você já se perguntou o que acontece com toneladas de fibra de soja depois que se extrai o líquido que vira leite de soja ou tofu? E o soro de leite que é separado no processo de fabricação do queijo? O que acontece com as cascas dos bilhões de camarões consumidos todos os anos nos Estados Unidos? Tudo isso é pode ser aproveitado não só na alimentação de animais, mas também na de seres humanos.

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Para atender as necessidades nutricionais de uma população em crescimento, vamos explorar a última fronteira das proteínas: os insetos. Eles se reproduzem rapidamente e exigem uma espaço de terra muito pequeno para serem criados. Neste novo sistema alimentar, veremos os insetos entrarem no nosso abastecimento alimentar, primeiro na nutrição animal e, ao longo do tempo, como produtos alimentares humanos.

As embalagens serão feitas a partir de novas substâncias, oriundas de outros alimentos. Isto permite que estes produtos sejam biodegradáveis. Elas não se acumularão e entoxicarão os oceanos como acontece hoje com o plástico. Do “couro” derivado de cogumelos ao “plástico” sintetizado a partir de conchas de camarão, estas novas embalagens vão das cinzas às cinzas, do pó ao pó, como matéria orgânica de volta em nossos solos e oceanos.

Sendo biológicas, estas embalagens poderão mudar de cor para indicar que o produto passou da validade. O macarrão fusilli poderá transformar-se de uma folha lisa ao formato espiral característico somente quando estiver perfeitamente al dente. Dados de espectroscopia genômica e química serão tão baratos e difundidos que sua comida lhe dirá quais nutrientes estão contidos nele. Você não precisará mais das informações dos rótulos.

Digitalização
Atualmente, o alimento é a cadeia de suprimento menos digitalizada de qualquer setor. A recente proliferação de aparelhos inteligentes como telefones celulares, dispositivos portáteis, tablets e sensores baratos e sofisticados, além de avanços em robótica, possibilitam a coleta e análise de dados independentes, à medida que os alimentos são cultivados no campo e viajam pelo sistema alimentar até o nosso garfo. As decisões sobre a fazenda não serão mais tomadas por meio de observações humanas e técnicas de tentativa e erro. As decisões sobre como cultivar alimentos e o quanto colher serão baseadas na medição e análise de ecossistemas de biodiversidade com coleta de dados digitais, big data e análises sofisticadas.

Os dados digitais armazenados “na nuvem” e facilmente acessíveis e compartilháveis ao longo da cadeia de abastecimento, propiciam um fornecimento de alimentos mais transparente e com muito menos desperdício. Não será mais necessário produzir em grande escala para depois empurrar tudo para o início da cadeia de abastecimento – desperdiçando metade dele ao longo do caminho. Em vez disso, faremos previsões sofisticadas para produzir exatamente o que é necessário, quando for necessário. Vamos desperdiçar menos.

Toda transformação em nosso sistema alimentar – desde o surgimento da agricultura até a industrialização – resolveu um problema de um sistema anterior. A próxima transformação está em nossas mãos: ecossistemas diversificados, novas culturas alimentares e o poder da computação moderna formam estes pilares. São muitos os motivos para estarmos otimistas. Diariamente, vejo empresas (grandes e pequenas), organizações governamentais e organizações sem fins lucrativos que estão inovando e colaborando para criar este novo sistema. Os três pilares que apresentei são tecnologias e inovações que se fundamentam no presente. Eles existem agora! Precisamos apenas usá-los, implantá-los e cultivá-los. É um momento emocionante para trabalhar no sistema alimentar.

Eu me pergunto, porém, quais serão as conseqüências não intencionais?

 

 

Green Man Project

Comida com sotaque irlandês e temperos do mundo!

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Há dois anos, conheci Paul Soden, um irlandês 🍀 muito gente fina (acho que todos os irlandeses são!) que foi parar no interior do estado do Rio, em Paraíba do Sul! Lá, em meio ao verde e uma fartura de produtos locais, ele  faz coisas incríveis, como molhos de pimenta, patês, pães, embutidos… tudo uma delícia!

Batizado de Green Man Project, estas delícias podem ser encontradas em feiras e eventos, tanto na capital fluminense quanto no interior. Para a felicidade de quem mora no Rio, desde março, Paul e seu sócio, o italiano Glauco, lançaram uma plataforma online, com entrega de cestas orgânicas e diversos produtos na Cidade Maravilhosa.

No site, é possível encomendar legumes, verduras, ovos, queijos, pratos congelados,  e itens de delicatessen, como os famosos pão irlandês, o patê de fígado de aves, vencedor do prêmio Maravilhas Gastronômicas do Estado do Rio e o molho de pimenta agridoce que eu amo de paixão!

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Ficou animado? Deu água na boca? Se você mora na cidade do Rio (zona Sul, Oeste e Niterói) ou na região de Paraíba do Sul, visite o site, faça o seu pedido e experimente estas delicias globalizadas, direto do interior do estado!

 

Impact Farm: sistema produz até 6 toneladas de alimentos em 163 metros quadrados!

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Transformar pequenos espaços em áreas produtivas é uma das grandes soluções para garantir a segurança alimentar nos centros urbanos. Já são inúmeras as experiências de sucesso mundo afora (exemplos não faltam aqui no blog), como é o caso do Impact Farm, um sistema criado por dois jovens dinamarqueses engajados em melhorar a segurança alimentar, reduzir a pegada ecológica e gerar empregos.

Para alcançar este objetivo, Mikkel Kjaer e Ronnie Markussen criaram uma estrutura projetada para ser autossuficiente em água, calor e eletricidade. Todo o espaço necessário para a instalação do sistema é de apenas 163 metros quadrados, onde é possível produzir ervas, verduras, legumes e plantas frutíferas.

A área é suficiente para colher de três a seis toneladas de alimento ao ano, dependendo do modelo escolhido. Segundo os criadores, o de menor capacidade é indicado para pequenos comerciantes e restaurantes. Já, o modelo mais potente pode ser usado para distribuir alimentos em escolas, creches, asilos e muito mais.

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Os jovens não se preocuparam apenas com a funcionalidade, mas também com a estética do projeto. A ideia era ter uma fazenda urbana bonita e que ajudasse a revitalizar espaços abandonados ou inutilizados nas cidades, como estacionamentos ou vãos de prédios. O sistema modular é feito a partir de materiais reaproveitados e pode ser desmontado e transportado para outros locais, conforme necessário.

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+ Com informações do site Ciclo Vivo.

10 mercados municipais brasileiros para conhecer e se deliciar!

Todo mercado municipal é como a síntese da cidade onde ele se encontra. Quase sempre, são construções históricas recheadas de cheiros, cores, sabores, gente de tudo o que é tipo, enfim, um baita mergulho na cultura local! São verdadeiras dádivas para quem quer conhecer a culinária, a arte, os costumes e as curiosidades da região visitada.

Felizmente, no Brasil, os mercados municipais ainda tem papel fundamental na economia e no abastecimento de muitas cidades, inclusive das nossas capitais – mesmo com a concorrência de grandes redes de supermercados e shoppings. Vamos conhecer alguns dos mercados mais interessantes do Brasil?

  1. Mercado Municipal de São Paulo

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    Crédito da imagem

    Ícone da capital paulista, o famoso Mercadão é um dos principais pontos turísticos da cidade e um dos mais conhecidos do Brasil. O espaço abriga 290 boxes e movimenta mais de 350 toneladas de alimentos por dia! O Brasil inteiro está lá dentro, através de frutas, legumes, verduras, especiarias, embutidos, conservas… e claro, opções gastronômicas, como os celebrados pasteis de bacalhau do Hocca Bar e os sanduíches de mortadela do Bar do Mané.
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  2. Mercado Ver-o-Peso (Belém)

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    O Ver-o-Peso carrega, simplesmente, o título de maior mercado ao ar livre da América Latina! Esse caldeirão de sabores às margens da baía do Guajará é um dos principais cartões postais da cidade e vende muito mais do que comida! Trata-se de um verdadeiro mergulho na cultura paraense. Estão lá os mil e um temperos, garrafadas, peixes, frutas, farinhas , castanhas… e muita cor!
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  3. Mercado Público Central de Porto Alegre
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    Aberto há 145 anos, o Mercado de Porto Alegre reúne em cerca em 110 bancas e restaurantes boa parte da história gastronômica gaúcha. Tem erva-mate, charque, cuca e também muitos temperos, artesanato e bares, com destaque para o centenário Gambrinus.
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  4. Mercado Público de Florianópolis
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    Localizado em um belíssimo prédio histórico, o Mercado Público de Floripa é um charme por si só. Dentro dele, os destaques são os boxes recheados de frutos do mar e bares que servem delícias típicas, como pasteis de berbigão e camarões de todos os jeitos que você pode imaginar.
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  5. Mercado Central de Belo Horizonte

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    No Mercado Central de BH você encontra tudo o que há de mais icônico em uma das mais célebres cozinhas regionais do país, como os queijos, os doces, as compotas, as cachaças, os cafés e outras delícias com sotaque mineiro, além de artesanato e artigos religiosos.
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  6. Mercado Municipal de Curitiba
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    Crédito da imagem

    Fundado em 1958, o Mercado de Curitiba é o mais tradicional endereço de compras da capital paranaense. Além dos hortifruti, o espaço conta com delicatessens, artigos para culinária japonesa, vinhos, conservas e, claro, muito pinhão no outono. O mercado conta também com uma ala exclusivamente orgânica, com barracas, lojas e restaurante, o primeiro do Brasil com produtos certificados.
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  7. Mercado Municipal Antônio Valente (Campo Grande)
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    O Mercado Municipal Antônio Valente é um marco na capital sul-mato-grossense. Inaugurado em 1958, o espaço conta com 214 bancas e 70 boxes, sendo a  maioria dos comerciantes descendentes de japoneses. Lá, podem ser encontrados hortifrutigranjeiros, ervas medicinais, peixes da região e pratos típicos do Japão, como o sobá, yakisoba e espetinhos com a mandioca amarela da terra.
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  8. Mercado Municipal Adolpho Lisboa (Manaus)
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    O Mercado Municipal Adolpho Lisboa é um dos mais importantes centros de comercialização de produtos regionais de Manaus. Inspirado no Mercado de Les Halles de Paris. Em estilo Art Noveau, sua estrutura é em ferro fundido e vidros coloridos. O mercado é a principal porta de entrada da produção pesqueira e rural amazonense, além de medicamentos artesanais e artesanato.
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  9. Mercado São José (Recife)

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    Mercado de São José tem uma linda arquitetura em ferro, típica do século XIX. A inspiração veio do mercado de Grenelle, em Paris. São dois pavilhões com 545 boxes, 27 pedras de peixe e quase 100 barracas com hortifruti, artesanato em barro, corda e palha, além de ponto tradicional para comércio de pescado – semanalmente são vendidos, ali, cerca de 1,3 toneladas de peixe e 400 kg de crustáceos!
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  10. Mercado do Porto (Cuiabá)
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    Com 114 anos de fundação, o Mercado do Porto é referência no cotidiano do cuiabano e um dos mais visitados cartões-postais da capital do Mato Grosso. São cerca de 214 boxes que abastecem a cidade com os mais variados produtos regionais, como peixes, farinhas, queijos, doces, frutas e legumes.
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