Manual Básico das Festas Juninas 2.0

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Há alguns anos, lancei por aqui um Manual Básico das Festas Juninas. Sou apaixonado por essa época do ano e, conforme o tempo vai esfriando no outono, eu já começo a contar os dias para a chegada das festas juninas! Para entrarmos neste clima festivo e colorido, revisitei o antigo post e fiz uma revisão, incluindo mais alguns verbetes que explicam os porquês de alguns elementos tão tradicionais nos arraiás do Brasil.

Vista a sua roupa caipira, ponha o chapéu de palha, tome um quentão para espantar o frio e confira esta lista arretada, com pratos típicos, festejos, tradições religiosas e símbolos que fazem desta festa uma das mais genuínas manifestações populares do Brasil. Confira!

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– Arraial (ou “arraiá”): é o lugar onde a festa se realiza e conta com barracas que oferecem doces e salgados, além de espaço para muitas brincadeiras e, claro, a quadrilha. Os arraiás costumam acontecer nas ruas, escolas, praças, igrejas e mesmo em festas particulares.

– Balão: tema controverso! A prática de soltar balões vem da China e nas tradições portuguesa e brasileira simboliza o envio de mensagens e pedidos aos santos. Tal costume, porém,  pode ser usado apenas como item de decoração já que soltar balões é proibido por lei desde 1965, em razão dos incêndios causados pela brincadeira.

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– Brincadeiras e gincanas: as brincadeiras são elementos essenciais em qualquer arraiá! Toda festa que se preze reúne barraquinhas de pescaria, jogos de argola, tiro ao alvo e disputas, como o cabo de guerra, o pau de sebo e a corrida de saco, entre outros momentos lúdicos, todos eles com elementos que fazem referência ao cotidiano rural.

– Bumba-meu-Boi: também chamado de Boizinho, Boi-Bumbá, Boi-de-reis… O Bumba-meu-Boi é um auto em que se encena a história de um boi que é roubado, morto e depois ressuscitado. A representação é tradicional no Nordeste e, provavelmente, surgiu no finzinho do século XVIII.

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– Canjica: na região Sul e Sudeste a canjica é feita com milho branco, leite, coco e especiarias – o que no Nordeste é chamado de mungunzá. O curau do Sul e do Sudeste, mais cremoso e com milho amarelo, é a canjica do Nordeste.

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– Caruaru e Campina Grande: uma fica em Pernambuco. A outra, na Paraíba. As duas disputam o título de melhor festa de São João do país. E na sua opinião, qual é a melhor?

– Correio do Amor: uma maneira simples para animar a festa e promover o clima de romance… são recados anônimos (ou não), geralmente declarações de amor, escritos em papeis em formato de coração e lidos em público.

– Fogueira: Diz a tradição católica que ela foi usada por Santa Isabel para avisar a prima, Nossa Senhora, sobre o nascimento de seu filho, João Batista. E já que São João é um dos homenageados das festas juninas, a fogueira virou símbolo da ocasião.

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– Estalinho: também conhecido como biribinha. Faz a diversão da garotada, que a joga no chão e dá susto nos outros. Há ainda as bombinhas, cabeça-de-nego e morteiros, mais potentes e perigosos também! Crianças, fiquem longe!

– História: acredita-se que as festas juninas começaram a ser comemoradas na Europa. Elas seriam uma celebração dos solstícios de verão. Depois, teriam ganhado caráter religioso, daí o nome joanina (de São João), que aqui virou junina. A celebração, introduzida no Brasil pelos portugueses, recebeu influências francesas. Como ocorre na época da colheita de milho, muitos de seus quitutes típicos são à base desse alimento.

– Milho: e falando em milho… é a grande estrela culinária das festas juninas e ingrediente principal de várias delícias como curau, canjica, bolo de fubá, bolo cremoso de milho, pamonha, polenta, angu… mmmm!

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– Noivos: um dos momentos mais esperados da festa junina é o casamento caipira. Tem padre, tem confusão com o pai da noiva, tem arremesso de buquê… e é uma bagunça com diversão garantida!

– Pé-de-moleque e Paçoca: saborosos doces típicos à base de amendoim. No Nordeste, porém, a paçoca é uma farinha de mandioca com carne seca e temperos. Já no Sul e Sudeste, o pinhão é um ingrediente mais popular nesta receita salgada.

pacoca-diet

– Quadrilha: a dança surgiu na Europa e foi adotada pelos franceses. Daí o fato de utilizarmos expressões como “alavantu” (uma pronúncia equivocada para “en avant tous” – que significa “todos para frente”) e “anarriê” (“en arrière” – “para trás”).

quadrilha junina

– Quentão: bebida típica das festas juninas. É preparada com aguardente, gengibre, açúcar e especiarias. A receita pode variar de região para região, mas o objetivo é um só: esquentar as noites frias desse período do ano!

quentão

– Santos: as comemorações da época homenageiam três santos. Santo Antonio é o “casamenteiro”, lembrado no dia 13 de junho. Já o dia de São João, o “fogueteiro”, é o 24 de junho. E o de São Pedro, padroeiro dos pescadores, é o 29 de junho.

santos juninos

– Vestuário: o vestuário caipira é quase sinônimo da festa. Camisa xadrez, chapéu de palha, vestidos de chita e muito retalho marcam o figurino dos bailes. A origem das roupas, porém, vêm dos tradicionais bailes da aristocracia europeia. Já no meio rural, as melhores roupas que o caipira tinha no armário eram utilizadas para as festas.

+ Imagens:
Decracha
Lidia Fraga
ONU
Net Sabe
Eu e a Bete
Colégio Graccho
Bolsa de Mulher
Torrada Torrada

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Saberes rurais registrados em cadernos

milho crioulo

Na semana passada, conheci uma iniciativa muito legal do publicitário Théo Bratfisch, batizada de Saberes Rurais & Ruralidade. Trata-se de um projeto de estudos que tem como objetivo registrar os saberes rurais do homem do campo como bens imateriais a serem atribuídos como patrimônio ao distrito rural de Bueno de Andrada, em Araraquara, no interior de São Paulo.

Para marcar o desenvolvimento do Saberes, Théo fez a entrega simbólica de um caderno do projeto ao escritor Ignácio de Loyola Brandão que, convidado para resenhar sobre o tema, se disponibilizou para desenvolver o prefácio do material.

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O projeto funciona assim: pequenos produtores da região recebem kits com caderno e material escolar para descreverem seus conhecimentos de próprio punho e fazerem suas ilustrações. O material produzido será digitalizado e incorporado ao processo de inquérito civil público junto ao IPHAN, com acompanhamento do Ministério Público Federal, em andamento.

Além do registro da ruralidade dos modos de fazer receitas culinárias, serão coletados histórias, relatos de experiências, superstições, lendas e cantigas, enovolvendo também participantes que tenham pouca escolaridade. A Câmara Municipal de Araraquara está apoiando a iniciativa ao disponibilizar o registro videográfico solicitado pelo IPHAN.

Para Théo, a atividade turística no meio rural possui importância além dos argumentos que giram em torno da geração de empregos e renda, com capacidade incontestável de movimentar grupos sociais e toda uma comunidade.

“O meio rural se torna obra de arte viva, resultante das características geográficas, dos fatos históricos e das influências culturais, além de toda uma gama de detalhes que tornam sua paisagem significativa e a experiência turística enriquecedora, promovendo a integração social entre visitantes e visitados e formatando produtos de qualidade, capazes de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico sustentável local e regional”, destaca.

+ Imagem: Flickr.

A pintura caipira de José de Ferraz Almeida Junior

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O violeiro

José Ferraz de Almeida Júnior (1850-1899) foi um artista paulista, pioneiro na temática regionalista brasileira, mais precisamente, do interior de São Paulo. Ao rejeitar os tradicionais estilos e técnicas que vigoravam em sua época, Júnior trouxe para a sua pintura personagens simples, gente comum, com destaque para a vida do caipiria e o cotidiano das fazendas.

almeida júnior cozinha caipira
Cozinha caipira

As referências do ambiente rural não são à toa. O artista nasceu na cidade de Itú, no Vale do Paraíba, região que o influenciou bastante na escolha pela pintura mais tarde considerada “regional”, em contraponto à grandiosidade buscada nas escolas de arte e pelo estilo naturalista.

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Apertando o lombilho

Em 1876, durante uma viagem ao interior paulista, o Imperador D. Pedro II, impressionado com seu trabalho, ofereceu a Almeida Júnior uma viagem a Europa, para aperfeiçoar seus estudos. Mesmo frequentando a École National Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, o artista continuou pintando figuras nacionais, reforçando a luminosidade tropical e privilegiando a cultura caipiria em suas obras.

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Caipira pitando

De volta ao Brasil em 1882, Almeida Júnior realizou mostras, vernissages e executou retratos de barões do café, de professores da Faculdade de Direito de São Paulo e partidários do movimento republicano. No seu último período, consolidou o estilo realista e a pintura com temática regionalista em quadros como Caipira Picando Fumo (1893), Amolação Interrompida (1894) e O Violeiro (1899).

almeida júnior amolação interrompida

As obras de Almeida Júnior podem ser vistas na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu Paulista, em São Paulo.

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Caipiras Negaceando

+ Com informações do site Obvious.

Descanse em paz, João Rural!

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Morreu ontem, em São José dos Campos (SP), o historiador e jornalista João Rural, vítima de um infarto. João foi um dos grandes defensores da culinária caipira do Vale do Paraíba. Dai-lhe, Senhor, o repouso eterno e brilhe para ele a Vossa luz!

Imagem: Picuá de Prosa

Manual Básico das Festas Juninas

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Enfim estamos em junho! Começou um dos períodos mais animados e coloridos do ano! Em todo o país comemoramos as festas juninas e já está mais do que na hora de tirar o chapéu de palha do armário, pendurar as bandeirinhas e acender a fogueira de São João!

É nesta época que a culinária do Nordeste ganha destaque e os arraiás, quadrilhas e quermesses animam o calendário cultural das cidades brasileiras. Para ninguém ficar de fora do clima junino, o Caipirismo montou este Manual Básico das Festas Juninas, com pratos típicos, festejos, tradições religiosas e símbolos que fazem desta festa uma das mais genuínas manifestações populares do Brasil. Confira!

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– Arraial (ou “arraiá”): é o lugar onde a festa se realiza e conta com barracas que oferecem doces e salgados, além de espaço para muitas brincadeiras e, claro, a quadrilha. Os arraiás costumam acontecer nas ruas, escolas, praças, igrejas e mesmo em festas particulares.

arraial

– Bumba-meu-Boi: também chamado de Boizinho, Boi-Bumbá, Boi-de-reis… O Bumba-meu-Boi é um auto em que se encena a história de um boi que é roubado, morto e depois ressuscitado. A representação é tradicional no Nordeste e, provavelmente, surgiu no finzinho do século XVIII.

– Canjica: na região Sul e Sudeste a canjica é feita com milho branco, leite, coco e especiarias – o que no Nordeste é chamado de mungunzá. O curau do Sul e do Sudeste, mais cremoso e com milho amarelo, é a canjica do Nordeste.

canjica

– Caruaru e Campina Grande: uma fica em Pernambuco. A outra, na Paraíba. As duas disputam o título de melhor festa de São João do país. E na sua opinião, qual é a melhor?

– Correio do Amor: uma maneira simples para animar a festa e promover o clima de romance… são recados anônimos (ou não), geralmente declarações de amor, escritos em papeis em formato de coração e lidos em público.

– Fogueira: Diz a tradição católica que ela foi usada por Santa Isabel para avisar a prima, Nossa Senhora, sobre o nascimento de seu filho, João Batista. E já que São João é um dos homenageados das festas juninas, a fogueira virou símbolo da ocasião.

fogueira_junina

– Estalinho: também conhecido como biribinha. Faz a diversão da garotada, que a joga no chão e dá susto nos outros. Há ainda as bombinhas, cabeça-de-nego e morteiros, mais potentes e perigosos também! Crianças, fiquem longe!

– História: acredita-se que as festas juninas começaram a ser comemoradas na Europa. Elas seriam uma celebração dos solstícios de verão. Depois, teriam ganhado caráter religioso, daí o nome joanina (de São João), que aqui virou junina. A celebração, introduzida no Brasil pelos portugueses, recebeu influências francesas. Como ocorre na época da colheita de milho, muitos de seus quitutes típicos são à base desse alimento.

– Milho: e falando em milho… é a grande estrela culinária das festas juninas e ingrediente principal de várias delícias como curau, canjica, bolo de fubá, bolo cremoso de milho, pamonha, polenta, angu… mmmm!

festa-junina-receitas-light

– Noivos: um dos momentos mais esperados da festa junina é o casamento caipira. Tem padre, tem confusão com o pai da noiva, tem arremesso de buquê… e é uma bagunça com diversão garantida!

– Pé-de-moleque e Paçoca: saborosos doces típicos à base de amendoim. No Nordeste, porém, a paçoca é uma farinha de mandioca com carne seca e temperos. Já no Sul e Sudeste, o pinhão é um ingrediente mais popular nesta receita salgada.

pacoca-diet

– Quadrilha: a dança surgiu na Europa e foi adotada pelos franceses. Daí o fato de utilizarmos expressões como “alavantu” (uma pronúncia equivocada para “en avant tous” – que significa “todos para frente”) e “anarriê” (“en arrière” – “para trás”).

quadrilha junina

– Quentão: bebida típica das festas juninas. É preparada com aguardente, gengibre, açúcar e especiarias. A receita pode variar de região para região, mas o objetivo é um só: esquentar as noites frias desse período do ano!

quentão

– Santos: as comemorações da época homenageiam três santos. Santo Antonio é o “casamenteiro”, lembrado no dia 13 de junho. Já o dia de São João, o “fogueteiro”, é o 24 de junho. E o de São Pedro, padroeiro dos pescadores, é o 29 de junho.

santos juninos

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Torrada Torrada

Conheça o Museu Mazzaropi

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Você sabia que o Mazzaropi, um dos maiores ícones (quiçá o maior!) da cultura caipira, tem um museu inteiramente dedicado a sua obra? Pois bem, a coleção localiza-se em Taubaté (SP), na antiga fazenda que o ator e cineasta adquiriu para produzir seus filmes nos anos 70.

O Museu Mazzaropi foi criado em 1992 por João Roman Júnior, como uma forma de homenagear a vida do amigo de longa data.

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Uma das atrações mais visitadas é a Casa do Jeca, que já estava na fazenda quando Mazzaropi comprou a área para construir os estúdios da PAM Filmes.

No acervo, há mais de 20 mil itens entre fotos, filmes, documentos, objetos cênicos, móveis e equipamentos que recontam boa parte da carreira do artista.

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Em 1997, o Museu Mazzaropi deu início a um programa de comunicação mais amplo e passou a fazer contatos com arquivos públicos, particulares e outros museus, além de iniciar um trabalho de fomento à pesquisa sobre a obra do artista junto às universidades e escolas.

Em 2000, o Instituto Mazzaropi foi criado para dar uma constituição jurídica e oficial às ações desenvolvidas com o objetivo principal de preservar e divulgar a vida e obra do artista.

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O complexo está aberto à visitação pública de terça a domingo, das 8:30 às 12:30, e promove também visitas guiadas para instituições de ensino que tenham interesse em apresentar a seus alunos um pouco sobre a história do cinema nacional.

O Museu Mazzaropi fica na Estrada Municipal Amácio Mazzaropi, 249, Taubaté (SP). Para mais informações, ligue para 12.3634.3447 ou envie um e-mail para info@museumazzaropi.com.br. Os ingressos custam R$ 10,00.

+ Imagens: Trip Rural.

+ Com informações do site do Museu Mazzaropi.