Top 10 Chef’s Table

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Celebrada muito além do gueto gastronômico, Chef’s Table é uma das mais elogiadas produções da Netflix. Criada por David Gelb, a série conta a cada episódio as diferentes trajetórias de renomados chefs mundo afora. A primeira temporada foi lançada em 2015 e a sexta, e mais recente, em abril de 2019. Com uma edição e fotografia maravilhosos, Gelb se vale de uma linguagem poética e inspiradora para apresentar narrativas que destacam as histórias, as dificuldades e as glórias de cozinheiros reconhecidos mundialmente pelo trabalho que fazem em seus estabelecimentos. Sou apaixonado pela série e é com prazer que divido com vocês o meu Top 10 Chef’s Table, com os profissionais que mais me encantaram ao longo das temporadas. E vocês, quais histórias mais marcaram e chamaram a atenção?

1. Francis Mallmann (T1)

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Este é, para mim, um dos mais apaixonantes capítulos de toda a série. As paisagens da Patagônia juntamente com a cozinha rústica e sensual de Francis Mallmann tiram qualquer um do sério. Achei incrível a sua trajetória profissional, de quem começou emulando a culinária francesa e hoje é uma das referências máximas quando se pensa em gastronomia na América do Sul. Demais!
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2. Massimo Bottura (T1)

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Massimo Bottura é pura inspiração. Trabalho duro, criatividade, conexão com o local… Seu desafio não foi simples. Reinventar a culinária italiana não é tarefa nada fácil, ainda mais num país onde os melhores pratos são feitos em casa, são comida de avó! E mais, são receitas tradicionalmente intocáveis. Mas Massimo, por meio da sua Osteria Francescana, respirou fundo e foi além, quebrando paradigmas e abrindo novos caminhos para a já tão celebrada gastronomia da Itália.
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3. Ana Roš (T2)
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É incrível como o impacto do trabalho da Ana Roš é gigante. Ela não só colocou a Eslovênia no mapa gastronômico mundial como também revelou um país lindo, com ingredientes únicos e uma cozinha inventiva e saborosa. Ana, juntamente com seu marido, o sommelier Valter Kramar, tocam o restaurante Hiša Franko, e recebem peregrinos de todos os cantos do mundo, em busca da famosa comida do vale do Soča.
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4. Jeong Kwan (T3)

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Jeong Kwan não é chef, não tem um restaurante, não é uma celebridade. Ela é só uma monja budista sul-coreana que cozinha maravilhosamente bem. Autodidata, Jeong faz comida para as demais monjas do templo de Baegyangsa, onde vive, e em ocasiões especiais, a partir de ingredientes cultivados por ela mesmo, na horta do templo.  Seus pratos vegetarianos são bonitos, delicados e absolutamente surpreendentes. Seu estilo influenciou nomes como Mingoo Kang, René Redzepi e Éric Rpert, de quem é amiga pessoal.
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5. Christina Tosi (T4)

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A doçaria de Christina Tosi é uma tradução dos EUA: criativa, exagerada e intensa! A chef busca inspiração, sem medo de ser feliz, em junkie food e também nos interiores das cozinhas domésticas norte-americanas, para criar receitas ao mesmo tempo inusitadas e carregadas de afeto e nostalgia. O resultado dessa mistura de cores, texturas e aromas é uma verdadeira seleção de gostosuras, como cookies, bolos e sorvetes, cheios de personalidade e sabor!
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6. Corrado Assenza (T4)

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Ao assumir o tradicional Caffè Sicilia, de sua família, Corrado Assenza não só manteve a qualidade das receitas, mas também começou a trabalhar com o resgate de ingredientes locais para manter e valorizar os já consagrados doces do café, como cassatas, cannoli e granitas. Na paralela, Corrado buscou inspiração em novas sobremesas, com combinações completamente inusitadas, como as ostras frescas com granita de amêndoas (?!), potencializando ainda mais a fama do estabelecimento e firmando-se como um dos principais chefs confeiteiros da Europa.
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7. Cristina Martinez (T5)

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Cristina Martinez é uma imigrante ilegal, vinda do México, que faz a tradicional – e dificílima – barbacoa em plena Filadélfia. Seus restaurantes, El Compadre e South Philly Barbacoa, são referência em comida mexicana e sua árdua história de vida, de quem deixou a família, estabeleceu-se e venceu nos EUA, mas não conseguiu o Green Card, proporciona uma profunda reflexão sobre imigração, preconceito e direitos humanos.
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8. Mashama Bailey (T6)

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No meio de sua carreira em ascensão, em Nova Iorque, Mashama Bailey viu-se desafiada a tocar um novo restaurante, o The Grey, na pequena Savannah, cidade natal de sua família. Detalhe: o estabelecimento funcionaria em uma antiga rodoviária dos tempos de segregação racial. Mashama abraçou essa oportunidade e encarou a missão de ser uma chef negra no estado da Georgia, transformando receitas estigmatizadas em pratos supreendentes, que não só homenageam o passado, mas também apontam novos rumos para a culinária sulista norte-americana.
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9. Dario Cecchini (T6)

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Esta história é apaixonante! Um jovem italiano que queria ser veterinário, mas teve que assumir os negócios da família, tornando-se dono de um… açougue! Este é Dario Cecchini, um dos açougueiros mais famosos do mundo, a frente da Antica Macelleria Cecchini, em Panzano em Chianti, na Toscana. Sua devoção e respeito pela carne são únicos, assim como o seu jeito alegre e enérgico, que deixa qualquer cliente apaixonado. Seus pratos são simples receitas de família, sem ego ou malabarismos culinários. O destaque são as carnes por si, fruto da qualidade do manejo dos animais que são abatidos para servir o açougue e seus restaurantes.
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10. Asma Khan (T6)

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Que história, minha gente! Que mulher! O relato de vida desta incrível chef indiana, radicada em Londres, é uma lição de coragem e perseverança. Por meio da comida, Asma Khan superou preconceitos da complexa sociedade indiana, enfrentou os desafios de ser estrangeira num país distante, mobilizou uma rede de mulheres que enfrentavam os mesmos obstáculos e tornou-se uma aclamada chef e empreendedora.
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Chef’s Table Pastry

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Lançada em abril deste ano, Chef’s Table Pastry é a quinta temporada da aclamada série criada por David Gelb, que manteve o tom poético e delicado que marcou as edições anteriores, mas trouxe uma novidade:  o tema central é confeitaria! Quatro chefs confeiteiros distintos têm suas histórias narradas de modo sensível e inspirador. Demorei para assistir, mas quando parei, foi tudo numa tacada só!

As estrelas da temporada são Christina Tosi, Corrado Assenza, Jordi Roca e Will Goldfarb. Uma das características que mais me encanta na série é o formato, que mistura a história de vida profissional e pessoal dos seus personagens, sempre com elementos surpreendentes, que mudam completamente os caminhos das narrativas. Claro, a edição e a fotografia são impecáveis e a fome após assistir os capítulos continua presente no final de cada episódio.

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Corrado Assenza e os sabores da Sicília (crédito da imagem)

A história que mais me tocou foi a do italiano Corrado Assenza, do icônico Caffè Sicilia. Ao assumir o tradicional estabelecimento na pequena Noto, ele não só manteve a qualidade das receitas, mas também começou a trabalhar com o resgate de ingredientes locais e, surpreendentemente, deixou a criatividade correr solta em sobremesas completamente inusitadas, como as ostras frescas com granita de amêndoas (?!).

Assenza conquistou meu coração, mas as biografias dos demais personagens também são fantásticas e apaixonantes. Assista tudo com bastante atenção, pois o alto nível se mantém ao longo das quatro histórias. Christina Tosi, do Milk Bar, é a mais perfeita tradução dos EUA: criativa, exagerada, simples e sem medo de ser feliz ao buscar inspiração em junkie food. Seus pratos são descomplicados, coloridos e de alto apelo afetivo.

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Christina Tosi e suas criações recheadas de memória afetiva (crédito da imagem)

O espanhol Jordi Roca, malucão, tem aquele ar meio místico, a voz rouca… e é, na minha opinião, o mais extravagante do time. Não à toa, ele e seus irmãos são responsáveis por um dos mais reconhecidos restaurantes do mundo, o El Celler de Can Roca, em Girona, na Catalunha.

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Jordi Roca, de bad boy a mestre da confeitaria (crédito da imagem)

Fechando a temporada, o norte-americano Will Goldfarb, do Room 4 Desert, nos conta a sua história de redenção. Depois de sucessivas críticas e fracassos em sua Nova Iorque natal, o chef foi buscar na Indonésia a paz de espírito e o frescor dos ingredientes locais, ambos vitais para uma reinvenção de sua carreira.

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Will Goldfarb e os sabores frescos da Indonésia (crédito da imagem)

Chef’s Table Pastry, assim como as temporadas anteriores, nos encanta pela riqueza de suas narrativas, que nos fazem mergulhar no mundo da gastronomia por meio de histórias inspiradoras e, desta vez, mais doces e delicadas. É puro entretenimento, mas não só isso. David Gelb também desafia os princípios e estruturas de poder do meio gastronômico e nos convida para uma deliciosa revolução.