Quissamã dos casarões históricos

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

img_3659
Museu Casa de Quissamã

Até o final dos anos 80, Quissamã era uma espécie de elo perdido no estado do Rio. O então distrito de Macaé era isolado geograficamente e pouco se sabia sobre aquela região produtora de cana. Isso mudou com o processo de emancipação, em 1988, e o boom do petróleo na Bacia de Campos. O município cresceu, os acessos melhoraram e, hoje, existe um enorme potencial turístico, como bem prova esta série de posts que vos escrevo.

Esse isolamento, talvez, tenha preservado muito da história local. O município conta com um vasto acervo arquitetônico, representado por inúmeras fazendas e construções seculares, além de uma herança histórica e cultural viva, que nos remete sempre ao seu período de esplendor proporcionado pela cana-de-açúcar.

img_3633
Segundo andar do Centro Cultural Sobradinho

Hoje, é possível conhecer boa parte dessas construções da região, como a Casa de Mato de Pipa (1777), a mais antiga de senhor de engenho do norte fluminense, em estilo bandeirista;  o Museu Casa de Quissamã (1826), que pertenceu aos viscondes de Araruama e de Quissamã; e a antiga estação de trem Conde de Araruama (1875). Existem ainda outros pontos de interesse no centro da cidade, como o Centro Cultural Sobradinho (1870), a Igreja Matriz Nossa Senhora do Desterro (1924) e a Prefeitura de Quissamã (1870), que já foi um colégio e um convento, até ser transformado na sede administrativa, em 1995.

Já outras construções, infelizmente, estão completamente abandonadas, como a já citada Machadinha (1867), residência do II Visconde de Ururay; o Engenho Central de Quissamã (1877), o primeiro da América Latina; o Solar de Mandiqüera (1875), erguido por Bento Carneiro da Silva, I Barão, Visconde e Conde de Araruama, considerada uma obra monumental para os padrões da época.
Se você ficou interessado em fazer este roteiro, a agência Norte Fluminense Turismo (22.99801-0012), de Quissamã, é uma operadora local, parceria do projeto Sete Capitães, que faz pacotes e organiza passeios na região.
Por fim, uma ótima opção de hospedagem, que engloba toda a rota, é a Pousada Ecorrural Rancho Ouro Preto, em Carapebus. Localizada entre as atrações de Quissamã e o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba, a pousada reproduz um ambiente rural, com jeitinho mineiro, e serve como ponto de descanso para repor as energias entre os passeios.
img_3623
Estação de Conde de Araruama

Navegue no mapa e conheça a região:

.  .  .

Imagens: Gui Mattoso

Anúncios

Machadinha e a cultura das senzalas

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

img_3675

Tem muita gente que chama a comunidade de descendentes de escravos que vive em Machadinha, em Quissamã, de quilombo. Eis um grande erro! Culturalmente, podem haver semelhanças entre ambos, mas diferente dos quilombolas, que fugiram das fazendas e fundaram seus próprios povoados, os habitantes de Machadinha, após a Lei Áurea, continuaram morando nas senzalas… ATÉ HOJE! Isso a torna única em todo o país!

img_3667

O conjunto arquitetônico foi  tombado pelo Inepac em 1979 e desapropriado pelo poder público municipal em 2003. A fazenda, uma das mais imponentes e luxuosas nos áureos tempos da cana-de-açúcar, está em ruínas e, infelizmente, o projeto de adaptação para receber visitas não foi adiante. A região, porém ganhou vida nova com a reforma das senzalas e da capela, além da inauguração da Casa de Artes, que tem como objetivo resgatar os sabores ancestrais através de pratos típicos, como bolinho “Capitão de Feijão” a “Sopa de Leite” e o “Falso Bolo”.

img_3690
Delícias típicas resgatadas: bolinho “Capitão Feijão” e “Falso Bolo”

O salão comunitário transformou-se no Memorial Machadinha e abriga um acervo que preserva a memória dos africanos, escravos, ex-escravos e descendentes que habitam atualmente as senzalas. O espaço conta com fotos, textos, peças de arte e artesanato, que reavivam os costumes e tradições que quase foram esquecidas, como as danças do jongo e do fado.

A Casa de Artes recebe grupos de visitantes para almoços e jantares mediante reserva, bem como visitas guiadas pelo complexo e as apresentações do jongo ou do fado. Atualmente, a comunidade está organizando-se em prol do turismo de base comunitária e já existe um projeto de pernoite nas antigas senzalas, com direito a café da manhã típico.

img_3686
Apresentação do jongo de Quissamã

Os contatos para o passeio são pelos telefones 22.2768.9450 e 22.2768.9315,  ou pelo endereço eletrônico fcultura.quissama@gmail.com. O horário de funcionamento do Memorial da Machadinha vai das quartas aos domingos, das 10h às 17h.

Navegue no mapa e conheça a região:

.  .  .

Imagens: Gui Mattoso

Cachaças e cervejas made in Quissamã

Este post faz parte da série Descobrindo Jurubatiba, uma parceria com o Sebrae-Rj, para conhecer o roteiro Sete Capitães, na região norte fluminense do estado do Rio

img_3636
Fachada do Engenho São Miguel, em Quisamã

Quissamã tem uma tradição agrícola secular. Foi o cultivo da cana e a produção de açúcar que trouxeram prosperidade e notoriedade ao, então, remoto distrito de Macaé, no século XIX. A cana foi o motor da economia da região até o fechamento do Engenho Central de Quissamã, o primeiro da América Latina, em 2002.

O Engenho São Miguel é parte dessa herança histórica que, com a crise, soube se reinventar, indo buscar no passado a sua atual vocação: a cachaça! Desde 2010, Haroldo Carneiro, proprietário da fazenda, vem produzindo pingas de qualidade, reconhecidas em concursos mundiais, e disponíveis em quatro variedades: Carvalho, Cerejeira, Prata e Bálsamo, além da Meladinha, composta de cachaça e melado, e de rótulos especiais, em edições comemorativas. Apesar da pouca idade, já são consideradas uma das melhores cachaças do estado!

img_3644
Sete Engenhos Bálsamo e Prata

Mas essa história não para nas cachaças! O engenheiro Alessandro Brantes, que há tempos fornecia equipamentos para fabricantes da “marvada” decidiu aplicar essa expertise em outra bebida maravilhosa, a cerveja! Assim, em menos de um ano, Quissamã ganhou não só a sua primeira cerveja, a Domitila, mas também a sua primeira cervejaria! Alessandro e seu sócio, Djamim Souza, foram além da criação do maquinário e fundaram a própria fábrica, às margens da estrada que liga Quissamã à rodovia BR-101.

Inspirada na Marquesa de Santos, esta Lager Lupulada, muito refrescante e aromática, é o primeiro rótulo a ser lançado, fruto da parceria com o mestre Jeff Brumley. Seguindo à risca a filosofia “beba local”, o público-alvo da Domitila são os cervejeiros de Quissamã e redondezas, como Campos dos Goytacazes e Macaé, no máximo! Como aconteceu nos Estados Unidos, nos anos 80, a ideia deles é estabelecer-se localmente para valorizar e criar uma identidade com a comunidade local, privilegiando uma bebida sempre fresca e de qualidade.

IMG_3696.JPG
Olha a cor dessa lager lupulada!

Pegando carona na inauguração da fábrica e tirando proveito de toda a sua rede distribuição e comercialização, Haroldo não perdeu tempo e está lançando a 7 Capitães, uma American Amber Ale criada por Giovani Buzzi, da cervejaria Buzzi, de Santa Maria de Madalena, com um toque de rapadura, produzida, é claro, na fazenda São Miguel, e com uma agenda de lançamentos programados para os principais bares e restaurantes do Rio e Niterói.

Para conhecer de perto o processo de fabricação das cachaças, o Engenho São Miguel recebe grupos para visitas guiadas mediante agendamento prévio. A cervejaria Domitila ainda não está recebendo visitas, mas está se estruturando para, até o ano que vem, abrir as portas para visitantes que tenham interesse em conhecer todo o processo produtivo, além de, claro, experimentar as cervejas made in Quissamã!

img_3698
American amber com sotaque do norte fluminense

Navegue no mapa e conheça a região:

.  .  .

Imagens: Gui Mattoso

Descobrindo Jurubatiba

Roteiro Sete Capitães fomenta o turismo no entorno do Parque Nacional, na região norte-fluminense

Jurubatiba

Há alguns dias, fiz uma viagem, a convite do Sebrae-RJ, para conhecer o resultado de um projeto de incentivo ao turismo no Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba. Batizado de Sete Capitães, o roteiro busca, para além de divulgar o parque, promover os pequenos negócios, empreendimentos e atrativos que estão no seu entorno.

Apesar de ter raízes em Quissamã e conhecer bem a região, não pensei duas vezes na hora de aceitar o convite. Jurubatiba é uma joia muito bem preservada, mas pouco conhecida. Eu mesmo nunca tinha visitado o parque. São 44 km de praias, 18 lagoas e uma vegetação de restinga deslumbrante, que fazem você esquecer que está no estado do Rio.

Nos próximos dias, vou compartilhar por aqui um pouco das experiências que tive durante esta expedição dos Sete Capitães, e falar também sobre as agroindústrias, as fazendas históricas e a herança cultural das senzalas, viva ainda hoje na região. O primeiro post, claro, será sobre Jurubatiba! Vem comigo…

Na natureza selvagem

Restinga de Jurubatiba

Criado em 1998, o Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba situa-se entre os municípios de Macaé, Carapebus e Quissamã. Ele possui uma área de quase 15 mil hectares e é um imenso santuário para diversas espécies da fauna e flora de restinga – trata-se da primeira unidade de conservação no país a compreender exclusivamente tal ecossistema.

O cenário é incrível! A combinação de lagoas, vegetação rasteira e muita areia formam uma paisagem única, delicada e etérea. O tempo nublado não rendeu fotos radiantes, mas nos protegeu dos efeitos do calor e do sol, implacáveis na região. Não tive a sorte de avistar jacarés, capivaras ou cachorros do mato, mas o ambiente natural é realmente divino.

img_3702

A primeira parte da rota foi feita de caminhão tracionado, da Jurubatiba Turismo, que cruzou boa parte do parque sem dificuldade, dada a baixa de chuvas da estação. O segundo trecho foi feito de barco, guiado por técnicos do Parque, com saída a partir da lagoa do Paulista e chegada na lagoa de Carapebus, através do Canal Campos Macaé. Este foi o grande momento do passeio!

Este canal, meus senhores, foi aberto por escravos no século XIX, para escoar a produção canavieira de Campos dos Goytacazes para o porto de Macaé. Ele logo foi descontinuado (quatro anos depois) com a chegada da estrada de ferro na região, mas ainda existem trechos navegáveis, como este que cruza o parque, possibilitando um verdadeiro mergulho dentro da mata. Simplesmente incrível!

img_3715

Ao fim, chegamos na bela lagoa de Carapebus, um pequeno balneário, destino de fim de semana para quem vive na região e lar do Restaurante Encantos da Lagoa, que serve peixes locais, frutos do mar e comida caseira de primeira.

Se você ficou interessado em fazer este roteiro, a agência Norte Fluminense Turismo (22.99801-0012), de Quissamã, é uma operadora local, parceria do projeto Sete Capitães, que faz pacotes e organiza passeios na região.

O valor do ingresso do parque, para os passeios de carro tracionado/bugre ou de barcos nos trechos permitidos, é de R$ 5,50. Os passeios a pé nas trilhas, acompanhado ou não de guias é gratuito. Para mais informações, visite o site da ICMBio, responsável por Jurubatiba, e programe a sua aventura!

Navegue no mapa e conheça a região:

.  .  .

Imagens: Gui Mattoso