Sal, Gordura, Acidez e Calor

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Crédito da imagem: divulgação

Até assistir a este maravilhoso programa no Netflix, a única referência que eu tinha da Samin Nosrat era a participação dela em Cooked, também no Netflix, ensinando o Michael Pollan a fazer um cozido. Então, quando comecei o primeiro capítulo de Sal, Gordura, Acidez e Calor, eu senti um súbito desejo de ser o melhor amigo da Samin! Que carisma, que simpatia e que conhecimento sobre comida!

Não é para menos… logo de cara, no primeiro episódio da série, baseada no seu livro homônimo, ela nos leva para Itália, para falar de gordura em uma viagem por oliveiras, agroindústrias de laticínios, embutidos… e mostra o processo produtivo de delícias locais, como pães, massas, salames e queijos.

E viagem segue nos demais capítulos, cada um dedicado a um dos elementos que dão nome ao programa. Para falar do sal, ela vai até o Japão e revela as inúmeras formas que este maravilhoso mineral pode ter, além de todo o seu impacto no sabor dos alimentos, com destaque para o molho de soja e para o missô.

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Crédito da imagem: divulgação

Para ilustrar o poder transformador dos ácidos, Samin visita o México onde as laranjas, molhos e o mel maia dão novas dimensões para pratos tradicionais daquele país. Por fim, na volta para a casa, na Califórnia, ela mostra como o calor pode revelar novas cores e sabores ao assar carnes e vegetais e também prepara um arroz crocante com sua mãe.

Se você, como eu, caiu desavisado nesta série, não se surpreenda com o talento dessa moça! De ascendência iraniana, Samin nasceu na Califórnia e começou sua carreira no universo da comida ao trabalhar no famoso Chez Panisse, da chef Louise Waters. Passou por diversos outros restaurantes da Bay Area de São Franciso e morou também por um tempo na Itália. Na paralela, em 2017, passou a escrever em uma coluna sobre comida no New York Times e lançou seu primeiro e aclamado livro Sal, Gordura, Acidez e Calor – infelizmente, ainda indisponível em português.

Fique de olho nela e se ainda não assistiu a série, não perca mais tempo e faça um intensivo! É mole, são apenas quatro capítulos, mas que dão aquele desejo de quero mais intenso!

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Chef’s Table Pastry

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Lançada em abril deste ano, Chef’s Table Pastry é a quinta temporada da aclamada série criada por David Gelb, que manteve o tom poético e delicado que marcou as edições anteriores, mas trouxe uma novidade:  o tema central é confeitaria! Quatro chefs confeiteiros distintos têm suas histórias narradas de modo sensível e inspirador. Demorei para assistir, mas quando parei, foi tudo numa tacada só!

As estrelas da temporada são Christina Tosi, Corrado Assenza, Jordi Roca e Will Goldfarb. Uma das características que mais me encanta na série é o formato, que mistura a história de vida profissional e pessoal dos seus personagens, sempre com elementos surpreendentes, que mudam completamente os caminhos das narrativas. Claro, a edição e a fotografia são impecáveis e a fome após assistir os capítulos continua presente no final de cada episódio.

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Corrado Assenza e os sabores da Sicília (crédito da imagem)

A história que mais me tocou foi a do italiano Corrado Assenza, do icônico Caffè Sicilia. Ao assumir o tradicional estabelecimento na pequena Noto, ele não só manteve a qualidade das receitas, mas também começou a trabalhar com o resgate de ingredientes locais e, surpreendentemente, deixou a criatividade correr solta em sobremesas completamente inusitadas, como as ostras frescas com granita de amêndoas (?!).

Assenza conquistou meu coração, mas as biografias dos demais personagens também são fantásticas e apaixonantes. Assista tudo com bastante atenção, pois o alto nível se mantém ao longo das quatro histórias. Christina Tosi, do Milk Bar, é a mais perfeita tradução dos EUA: criativa, exagerada, simples e sem medo de ser feliz ao buscar inspiração em junkie food. Seus pratos são descomplicados, coloridos e de alto apelo afetivo.

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Christina Tosi e suas criações recheadas de memória afetiva (crédito da imagem)

O espanhol Jordi Roca, malucão, tem aquele ar meio místico, a voz rouca… e é, na minha opinião, o mais extravagante do time. Não à toa, ele e seus irmãos são responsáveis por um dos mais reconhecidos restaurantes do mundo, o El Celler de Can Roca, em Girona, na Catalunha.

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Jordi Roca, de bad boy a mestre da confeitaria (crédito da imagem)

Fechando a temporada, o norte-americano Will Goldfarb, do Room 4 Desert, nos conta a sua história de redenção. Depois de sucessivas críticas e fracassos em sua Nova Iorque natal, o chef foi buscar na Indonésia a paz de espírito e o frescor dos ingredientes locais, ambos vitais para uma reinvenção de sua carreira.

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Will Goldfarb e os sabores frescos da Indonésia (crédito da imagem)

Chef’s Table Pastry, assim como as temporadas anteriores, nos encanta pela riqueza de suas narrativas, que nos fazem mergulhar no mundo da gastronomia por meio de histórias inspiradoras e, desta vez, mais doces e delicadas. É puro entretenimento, mas não só isso. David Gelb também desafia os princípios e estruturas de poder do meio gastronômico e nos convida para uma deliciosa revolução.

 

 

3 Perguntas Para Teresa Corção

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Teresa Corção é uma verdadeira defensora dos sabores brasileiros! Chef talentosa, ativista e entusiasta da ecogastronomia, ela carrega nas costas a nobre missão de valorizar pequenos produtores e promover a melhoria da qualidade alimentar da nossa sociedade.

Fundadora do Instituto Maniva e do grupo Ecochefs, Teresa traz a militância do gosto também para a cozinha do seu restaurante, O Navegador, no Rio de Janeiro, que tem um cardápio inteiro marcado pelo o uso de ingredientes da agricultura familiar, de Norte a Sul do país!

O trabalho da ecochef não é fácil, mas o resultado do esforço e dedicação se fazem presente tanto nos seus pratos quanto na rede que formou em pouco mais de 18 anos de ação, ao fomentar iniciativas em prol da educação do gosto, da ecogastronomia e do resgate da memória alimentar. Confira o resultado da conversa que tivemos no lindo salão d’O Navegador:

1. Como surgiu o seu interesse pela ecogastronomia?
Tudo começou em 2001, em uma viagem para participar de um evento do Slow Food, em Portugal, chamado “Slow Food Awards”. Eu não tinha ideia do que viria pela frente! Neste encontro, houve um momento de premiação para pequenos produtores e um grupo de mulheres indianas que trabalhavam com resgate de sementes foram homenageadas. Aquele trabalho belíssimo me chamou muito a atenção. Eu fiquei impressionada com aquele gesto de reconhecimento direcionado para as mãos de quem produz alimentos e ingredientes que, por sua vez, se transformam nos pratos que chegam nas mesas dos restaurantes. Essa experiência mudou a minha visão sobre a gastronomia.

Voltei para o Brasil completamente imersa no conceito de ecogastronomia e no ano seguinte, em 2002, participei de um evento no Recife onde eu não conhecia metade dos ingredientes disponíveis para cozinhar. Dessa metade, quase tudo era derivado de mandioca! Quando voltei para o Rio, perguntei para a minha equipe de cozinha, quase todos nordestinos, se eles sabiam o que era uma Casa de Farinha. Todos sabiam! E também conheciam aqueles derivados da mandioca que, para mim, ainda eram uma novidade. Aprofundei a conversa e descobri que essa tradição gastronômica não estava sendo passada para as novas gerações, já nascidas no Rio de Janeiro. Aí tive o estalo de iniciar as oficinas de tapioca e várias ações com foco na educação do gosto e valorização de pequenos agricultores, culminando na criação do Instituto Maniva e do projeto Ecochefs.

2. O que é preciso para que o consumo de alimentos frescos, sazonais e sustentáveis torne-se mais acessível?
Para responder a essa pergunta eu vou até a raiz do problema, que está no campo. Falta assistência técnica rural qualificada e acessível para pequenos produtores. Faltam políticas públicas para que a agricultura familiar esteja mais qualificada para enfrentar problemas logísticos e de comercialização. Falta educação contextualizada que prepare o jovem rural para os desafios do campo. Se dermos respostas a questões como estas, certamente, os efeitos serão sentidos em toda a sociedade e, por fim, o acesso aos alimentos frescos não se restringirá somente à classe média ou a ações que fomentam a alimentação saudável.

3. Quais são os desafios de ser uma ecochef no Rio de Janeiro?
Os desafios são muitos, mas eu gostaria de destacar três: 1. o acesso ao produtor e ao produto, pois não temos uma logística que facilite esse canal de comercialização e troca; 2. convencer a sua equipe sobre a importância de valorizar o pequeno agricultor e mostrar a ela o impacto positivo que esta relação traz, tanto para nós quanto para os produtores e também para os clientes; e 3. sensibilizar os nossos amigos chefs que não estão muito atentos a esta temática. Muitos não entendem – ou não querem entender! – que as escolhas que eles fazem trazem benefícios diretos para toda uma cadeia produtiva, além de influenciar diretamente nos hábitos e escolhas dos consumidores. Falta uma visão mais política e sistêmica de todo esse ciclo.

Ugly Delicious: comida, reflexão e humor

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Há algumas semanas, Ugly Delicious começou a aparecer como sugestão na telinha do Netflix… salvei na “Minha Lista”, mas não dei muita importância. Um dia desses, quase que por instinto naquele mar de opções de séries e filmes, resolvi assistir. E pirei! Pirei muito!

Não tinha ideia do que era a série, muito menos que David Chang, Morgan Neville e Peter Meehan estavam por trás dessa produção altamente criativa e divertida que, claro, gira em torno da comida. A primeira temporada traz oito episódios, cada um com um tema central: Pizza; Tacos; Cozinhando em Casa; Camarão e Lagostim; Churrasco; Frango Frito; Arroz Frito; e Recheadas.

A cada capítulo, Chang, que assume o papel de mestre de cerimônias, vai construindo um grande ensaio sobre comida e cultura na forma de conversas e visitas a diferentes restaurantes em diferentes cidades e países… reunindo chefs, críticos gastronômicos, artistas e pessoas comuns. Parece meio esquizofrênico? Não se preocupe. Pegue na mão do David e deixe ele te conduzir nessa deliciosa narrativa que, como o nome diz, não trata – somente – de alta gastronomia e estrelas Michelin.

O primeiro capítulo, sobre pizza, é arrebatador! O que é pizza nos dias de hoje? A autenticidade da pizza napolitana ainda tem importância? Você sabia que no Japão existem pizzas maravilhosamente incríveis? E a pizza do Domino’s e a relação afetiva que as pessoas têm com ela? Como lidar com a “apropriação cultural” na gastronomia? Adaptar um prato tradicional é desrespeitoso ou inteligente?

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E o baile segue nos capítulos seguintes… depois de assistir ao episódio do churrasco, você descobrirá que o conceito de grelhar no fogo vai muito além da picanha, linguiça e asinha de frango… depois de assistir o do arroz frito, que conta com a editora do Eater-NY, Serena Dai, você nunca mais verá a junk food ou a comida chinesa de raiz com os mesmos olhos…. depois do episódio sobre camarão e lagostim, você vai refletir sobre imigração e o poder da comida como elemento de integração social.

Esta é uma série que capta a beleza singular das mulheres mexicanas ao amassar tortilhas, mas também não hesita em entrar pelo “drive-through” do Taco Bell. Chang reconhece que uma pizza feita com amor no Brooklyn, como a do Lucali, é melhor do que aquela que você vai comprar na Domino’s. Mas ele também reconhece que o gosto da pizza do Domino’s é bom…

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Muitos programas de TV com chefs famosos são implicitamente orientados para o ego deles, como gênios gastronômicos. Aqui, Chang é só um facilitador e guia que orienta a conversa e divide o prato com com alguns amigos (muito famosos), como Aziz Ansari, Jimmy Kimmel, Steven Yeun, Ali Wong, David Simon, René Redzepi e Gillian Jacobs, entre outros.

Ugly Delicious é uma série impulsionada pelo interesse de Chang, assim como os interesses de outros especialistas, como Meehan, em não apenas provar as porções que são colocadas na frente deles, mas realmente descobrir por que certos tipos de comida são tão pessoais e culturalmente específicas, mesmo quando estão sendo apropriadas e modificadas para atender aos consumidores em um outro país.

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Estamos falando de um programa altamente informativo, muito divertido e enriquecedor. Resumindo: é uma excelente pedida tanto para gastrônomos que piraram no Chef’s Table quanto para amantes de Big-Mac que não estão muito ligados no debate, mas querem um momento de diversão na telinha…

Se você chegou até aqui e vai se sentar para assistir Ugly Delicious, pelo amor de Deus, faça uns lanches, de preferência relacionados ao tema de cada episódio, para acompanhar a série. Caso contrário, ao final, você vai querer varrer a sua geladeira, ligar para pedir comida ou sair pelas ruas atrás de um restaurante ou mercado.

Para quem já assistiu e ficou curioso, o site Food&Wine fez uma lista com os endereços de todos os restaurantes mostrados na primeira temporada. Divirta-se!

10 lugares para comer muito bem em Nova Friburgo

Ah, Nova Friburgo! Como não amar este incrível município localizado na região serrana fluminense, conhecido como a “Suíça Brasileira”? Rota de fuga do calor delirante do verão carioca e destino romântico para ficar agarradinho no inverno, Nova Friburgo é o lugar ideal para quem curte o frio das montanhas, o contato com a natureza e, claro, os prazeres da mesa!

É por isso que compartilho aqui esta valiosa lista restaurantes, bistrôs e bares já visitados e aprovados por este que vos escreve. Se Nova Friburgo está nos planos da sua próxima viagem, creio que esta seleção dos 10 lugares para comer bem em Nova Friburgo será muito útil! Confira:

1. Trilhas do Araçari (Debossan)
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O Trilhas do Araçari é uma experiência completa. Comida vegetariana maravilhosa, ambiente rústico aconchegante e um gramado com horta orgânica enorme emoldurando a paisagem. Recomendo ir no almoço para experimentar o buffet vegetariano sem pressa; curtir a tarde e acalmar a alma se esticando em uma das redes da casa.
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Rua Gertrudes Stern, s/n, Debossan – Nova Friburgo
Tel: (22) 2519-5694

2. Viva Rô (Mury)
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O Viva Rô é um restaurante especializado em cozinha alemã, com um cardápio que muda semanalmente e inclui truta, kasseler, coelho, pato, cordeiro e também tortas e pães com forte sotaque germânico. O restaurante, sempre lotado nos fins de semana, é fruto da união da garçonete brasileira Rosane Salcedo com o chef austríaco Harald Riedmann. Imperdível!
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Av Apolonia Pinto, 505, Mury – Nova Friburgo
Tel:
(22) 2542-1890

3. Parador Lumiar (Lumiar)
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Comandado pelo chef Isaías Neries, a cozinha da pousada Parador Lumiar é marcada pela utilização de alimentos locais e frescos. O cardápio é farto em saladas e massas, como nhoques e raviólis. Aos sábados, a famosa feijoada atrai gente de todos os cantos do estado. Escondida em Lumiar, a pousada não tem o acesso tão fácil, mas uma vez lá você não irá se arrepender.
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Estrada do Amargoso, s/n, Lumiar, Nova Friburgo
Tel: (22) 2542-4777

4. Ranz (Lumiar)
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Localizado no centrinho de Lumiar, o Ranz Bier é um bar aconchegante e fundamental para os amantes de cervejas artesanais. Seu proprietário, Gustavo Ranzatto, produz uma penca de estilos, como a “Capineira”, Pale Ale com “cheiro de mato”, e a Belgian Strong Ale “Tarja Preta”. Para acompanhar, recomendo os antepastos de tomate seco, abobrinha e berinjela com o pão da casa, que leva malte na receita.
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Praça do Lago, s/n, Lumiar – Nova Friburgo
Tel: (22) 99825-6503

5. Bräun & Bräun (Mury)
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Conhecido por sua extensa carta de cervejas e tradicional comida alemã, o Bäun & Bräun é um destino certeiro para um almoço em família ou uma noite romântica. O ambiente remete a uma taberna alemã e a comida é sensacional. Recomendo o fondue tradicional e o raclete feito com queijo especial da Queijaria Suíça de Nova Friburgo. Para acompanhar os pedidos, sugiro a cerveja da casa.
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Rodovia RJ-116, km 72,2, Mury – Nova Friburgo
Tel: (22) 2542-1338

6. Truta Arco-Íris (Três Picos)
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Escondido às margens do Parque Estadual dos Três Picos, o Truta Arco-Íris oferece a melhor truta da região, fresquíssima, de produção própria. Experimente a truta completa, com arroz de açafrão, batatas cozidas, banana grelhada, salada de folhas e frutas e molhos de laranja, alcaparra e amêndoas. O acesso não é fácil, mas aproveite para curtir o clima de interior e a imponência dos picos que batizam a região.
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Estrada dos Três Picos, s/n, Três Picos – Nova Friburgo
Tel: (22) 2543-3666

7. Bürgermeister (Cônego)
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O Bürgermeister é o mais tradicional restaurante alemão da cidade, inaugurado em 1978. Suas paredes decoradas com “bolachas” de chopp nos fazem sentir em um cantinho da Baviera em pleno Rio de Janeiro. No cardápio, com cerca de 50 pratos, é possível experimentar a tradicional comida alemã e o famoso schwarzbier, chopp escuro da casa.
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Rua Deolinda Thurler, 119D, Cônego – Nova Friburgo
Tel: (22) 2522-8255

8. Ouverney Gastronomia (Debossan)
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Conheci o Ouverney há muitos anos, quando ainda era somente um empório que vendia biscoitos de fabricação própria. Hoje, o espaço passou por uma grande reforma e tornou-se um bistrô charmoso, com pratos elaborados, como o Carré Francês, o Cozido de Coelho e o Filé à Vienna,. Os biscoitos, pães e bolos da casa continuam disponíveis no empório que comercializa também outros produtos regionais, como queijos, geleias e embutidos.
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Rodovia RJ 116, s/n, Dedossan – Nova Friburgo
Tel: (22) 3512-0566

9. Truta Boa & Cia (Mury)
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O nome já diz tudo. O Truta Boa & Cia é um simpático restaurante familiar especializado em trutas, de produção própria, às margens da rodovia RJ-116, em Mury. O cardápio é variado e tem truta para todos os gostos, desde as mais simples até as mais elaboradas, como a “Truta da Chef”, com molho de camarão, queijo tipo Catupiry e massa folhada.
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Rodovia RJ 116, s/n – Km 70, Mury – Nova Friburgo
Tel: (22) 2519-5795

10. IPA Route (Mury)
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Aproveitando a vocação cervejeira da cidade, o IPA Route é o primeiro “brewpub” de Nova Friburgo. O espaço conta com música ao vivo, carta de cervejas, torneiras com chopps variados e produzidos localmente e um cardápio versátil, que inclui petiscos, hambúrgueres, carnes e até feijoada!
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Avenida Manoel Carneiro Menezes, s/n, Mury – Nova Friburgo
Tel: (22) 2542-2673

Prato Firmeza: Guia Gastronômico das Quebradas

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Olha só, que ideia simples e transformadora! São Paulo é reconhecidamente a capital brasileira da gastronomia, mas engana-se quem pensa que para comer bem é preciso pagar caro e ficar restrito aos restaurantes estrelados. Há muita comida boa e barata na periferia, e que está fora dos principais guias da cidade.

Foi pensando nessa falta de visibilidade que um grupo de alunos da Escola Enóis, que dá aulas de jornalismo para jovens oriundos da periferia paulistana, criou o Prato Firmeza: Guia Gastronômico das Quebradas. O roteiro reúne 40 opções de estabelecimentos fora do eixo nobre da cidade.

Compre a edição impressa do guia aqui

Trata-se de uma ferramenta que presta um serviço de utilidade à população e dá visibilidade a pequenos empreendimentos, além de fomentar a economia local, claro! E tem de tudo: bares, restaurantes, lanchonetes, barracas… para indicar um local, basta enviar um e-mail para contato@enoisconteudo.com.br.

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+ Imagens: divulgação

Que contribuição um cozinheiro pode dar para um mundo melhor?

Por Carlos Alberto Dória

Um belo dia, especialmente vendo exemplos internacionais vizinhos (Peru), os nossos cozinheiros acordaram para o sentido social do seu trabalho. Muitos assumiram a atitude cidadã: passaram a reivindicar pautas sociais mais gerais, aderindo ao movimento vivo da sociedade.

Era muita pressão, e eles tinham dificuldade em descobrir qual o “caminho verdadeiro”. Ainda hoje, alguns se perguntam se há algo específico que possam fazer pelo bem geral. E se convenceram que algumas bandeiras caem melhor. Pensar na pequena agricultura, valorizar o produtor, “nacionalizar” ingredientes, lutar pela preservação da cultura alimentar nacional (seja lá o que for isso), melhorar a merenda escolar, etc. Tudo isso é mais próximo ao seu métier, mas não exatamente específico.

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Foto: Fernanda Dias

Se pensarmos em especificidade, temos que ela só pode estar ligada à atividade de transformação material segundo processos culinários que se exercem sobre matérias primas comestíveis. Nisso, ninguém mais concorre com os cozinheiros e, por isso, aí devem encontrar a sua contribuição para um mundo melhor. E um mundo melhor é aquele onde a alimentação é de qualidade, seja do ponto de vista gustativo, seja do ponto de vista nutricional.

Portanto o nosso cozinheiro, voltado para o futuro, deve conhecer como ninguém a qualidade dos ingredientes e dominar perfeitamente os processos de transformação, evitando atalhos “mágicos” criados pela indústria e que possam comprometer essa qualidade.

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Foto: Clube Orgânico

Ele deve conhecer em profundidade as determinações do que utiliza sobre a saúde humana, evitando as coisas duvidosas ou sub judice. Seu ofício é extrair o belo e o agradável do que é incontestavelmente bom. Nisso, se distingue do nutricionista pela sensibilidade e capacidade de colocar o belo e o agradável como diretriz da nutrição, o que o pensamento parcial do nutricionismo não tem alcançado.

Saber analisar a química dos alimentos; conhecer os aditivos que a indústria acrescenta aos produtos naturais e ter opinião crítica sobre eles; rechaçar caminhos “mais em conta” que violentam as qualidades naturais desejadas dos ingredientes; cuidar de não contribuir para o esgotamento de recursos naturais em situação crítica; exercer, enfim, uma culinária socialmente responsável do ponto de vista da sua atividade específica. Por fim, usar de seu poder de convencimento – seja pelo exemplo, seja através da palavra nos meios de comunicação – para trazer mais e mais pessoas para o campo daquilo que é melhor para a sociedade e para os indivíduos isoladamente.

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Foto: Clube Orgânico

Estas podem – e devem – ser as contribuições do cozinheiro para a construção de um mundo melhor. O mais são bandeiras sociais que podem ser empunhadas por qualquer cidadão, o que pode servir para aquietar a consciência do cozinheiro mas nunca o dispensará de sua responsabilidade especifica. A qualidade alimentar é síntese de inúmeros processos dos quais o cozinheiro pode ver os resultados em sua inteireza. Cabe a ele ser consciente desse papel e orientar os que consomem o seu trabalho.

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* Texto originalmente publicado no blog e-boca livre.