Revolta da Cachaça Fluminense

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Para a edição de julho da revista eletrônica da Junta Local, escrevi uma matéria bem bacana que aqui divido com vocês. O texto fala sobre a polêmica lei estadual no Rio de Janeiro que obriga estabelecimentos que vendem destilados a comercializar, pelo menos, quatro rótulos produzidos no estado.

Um bar, por exemplo, que não cumprir a medida pode perder o direito a benefícios que dependam da autorização do Poder Executivo, como anistia de dívidas, empréstimos e renúncia fiscal…

A medida deixou empresários, comerciantes e até produtores revoltados! Confira o texto completo aqui e saiba mais sobre a “lei da cachaça”.

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Frango barato, porém indigesto

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Ao passar por entre os freezers e geladeiras do supermercado, você já se perguntou como o preço do frango é tão barato, independente das promoções? Desde os anos 90, a ave começou a ser uma alternativa saudável para as famílias brasileiras e, de prato de fim de semana, passou a figurar em nossas mesas como uma opção super viável. Em pouco mais uma década, o consumo aumentou 26%, enquanto o de carne bovina caiu 10%.

Regiões rurais, como o oeste catarinense, tornaram-se verdadeiros pólos produtores, elevando o Brasil ao status de principal exportador mundial – e os frigoríficos são, hoje, os grandes responsáveis por saciar a nossa fome aviária. Estas empresas contam com uma rede de milhares de pequenos produtores que utilizam métodos intensivos em suas granjas, ambos sem nenhuma responsabilidade financeira pelos impactos causados por tal atividade. Assim, o preço, aparentemente barato não leva em conta as condições da criação, a capacidade de estocagem e a saúde dos animais.

De fato, a produção de carne bovina tem um custo ambiental muito maior, mas o frango industrial também traz consequências que não podemos negar. São milhares de granjas produzindo milhões de aves – em galpões com capacidade para 10, 15 mil animais apinhados, vivendo a base de água, ração e antibióticos, muitos antibióticos! Isso tudo inserido em um ciclo que alimenta a indústria do agrotóxico, a monocultura, os transgênicos…

Não são poucos os agricultores associados que recusam-se a comer o frango que eles administram para os frigoríficos e, em um local escondido da propriedade (sim, os frigoríficos não permitem…), criam as suas próprias caipiras soltinhas para consumo próprio – pense numa galinhada com polenta boa!

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A galinha de verdade, infelizmente, é vista como uma opção de nicho de mercado, porque custa o triplo se comparada com a “sintética”. Os abatedouros entraram em extinção e hoje, nas grandes cidades, é praticamente impossível encontrar as caipiras com facilidade. Estes animais, diferente dos seus primos industriais, são criados livres (ou semi-confinados), sem antibióticos, hormônios ou rações turbinadas. Uma granja caipira possui uma capacidade de estocagem infinitamente menor, o que garante aves menos estressadas e mais saudáveis.

Eu aposto que, se os consumidores soubessem como são as granjas industriais, eles repensariam o consumo de frango do jeito que comemos hoje.

Por outro lado, apesar das empresas que têm criações sustentáveis ou mesmo pequenos produtores entregarem muitos benefícios ao meio ambiente, sobretudo, à nossa saúde, não há nenhum ganho em termos de vantagens competitivas para eles. E quem paga o preço somos nós, consumidores, por meio de impostos, sob a forma de subsídios agrícolas obscuros e, claro, sem muitas alternativas aos frangos molengas, com gosto de nada!

Se o verdadeiro custo fosse levado em conta, não duvido que os papéis se inverteriam e o preço do frango industrial seria mais caro do que o orgânico.

Mas de quem é a culpa disso tudo? Seria fácil apontar o dedo para as cooperativas ou os produtores, mas eles estão presos a um sistema econômico que recompensa aqueles que produzem mais alimentos por preços mais baixos e, como resultado, só aqueles que podem se dar ao luxo de pagar por um “produto de nicho” desfrutam de sabores verdadeiros.

Este é um sistema realmente insustentável e que, mais cedo ou mais tarde, alguém terá que pagar a conta. E isso não acontece só com o frango, mas também com cafés, suínos, laticínios, cereais, hortaliças, carnes… Mas temos que começar a nos perguntar por que devemos apoiar um sistema alimentar tão nocivo.

Felizmente, nós temos o poder de mudar este cenário, seja no âmbito político, militando em prol de preços justos e programas de segurança alimentar, ou mesmo no seio do nosso lar, repensando as nossas escolhas alimentares. Se os preços dos alimentos orgânicos ou artesanais nos supermercados ainda assustam, outras alternativas começam a despontar como opções mais acessíveis. Considere as feiras livres, as redes de compras pela internet, o mercadinho do seu bairro.

É possível driblar os preços salgados e a crise!

Ao fazer estas escolhas, você poderá ajudar a criar um sistema alimentar mais sustentável e saudável não só para nós, consumidores, mas para toda uma rede de pessoas que estão juntas nessa jornada em busca de sabores bons, limpos e justos.

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Artigo originalmente publicado na revista eletrônica da Junta Local em 08/06/2016.

Comida, Cultura e Política

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Imagem: Samuel Antonini

Saiu na semana passada, no blog da Junta Local, a entrevista que fiz com a querida Juliana Dias, criadora da pós em Jornalismo Gastronômico da FACHA e fundadora da Malagueta Comunicação. A Ju é uma das principais articuladoras do movimento que busca promover a gastronomia fluminense como cultura.

“A gastronomia está diretamente relacionada com setores vitais para a manutenção e sobrevivência dos 92 municípios que compõem o Estado do Rio, isto é, alimentar a população fluminense com alimentos saudáveis, provenientes de práticas culturais e sustentáveis, alicerçadas na justiça socioambiental. Penso que uma gestão inovadora e de vanguarda deva olhar para aquilo que é trivial e, ao mesmo tempo, fundamental: a comida, um direito humano e bem comum”.

Visite o blog da Junta e confira a entrevista completa!

 

Por que é impossível comer um só

 

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Tem resenha minha publicada no blog da Junta Local. Saiu há algumas semanas e eu acabei esquecendo de replicar por aqui. No texto, falo sobre o livro “Sal Açúcar Gordura”, do jornalista norte-americano Michael Moss.

“Não é novidade que a indústria alimentar usa e abusa desses três ingredientes maravilhosos na fabricação dos seus produtos, mas Moss decidiu mergulhar fundo em sua pesquisa sobre como os gigantes da comida vêm consolidando seus impérios com base no sal, açúcar e gordura. Em pouco mais de quatrocentas páginas, o jornalista compartilha o resultado de uma minuciosa investigação que incluiu análises, documentos e entrevistas com executivos, marqueteiros e cientistas ligados ao setor”.

+ Confira o artigo completo aqui!

Entrevista para a Junta Local

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Na semana passada, o blog dos amigos da Junta Local, publicou uma entrevista comigo na série “Ajuntados da Junta”. Nesse bate-papo, eu conto um pouco sobre a origem do Caipirismo, sobre os conceitos de Neo-Ruralidade e Novo Rural e conto também como eu me tornei um ajuntado, escrevendo para o blog.

“Através da comida, a Junta tem fomentado na cidade toda uma agenda sobre segurança alimentar, locavorismo, CSA, consumo consciente… temas que, até pouco tempo, ninguém falava ou pensava sobre. Isso é muito significativo para mim.”

Confira a entrevista completa aqui!

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+ Imagem: Red Werneck/Que Maracujá.

Frango barato, porém indigesto

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Na semana em que o mundo ficou chocado com o chef Alex Atala – 2 estrelas do guia Michelin, embaixador da culinária brasileira, explorador dos sabores amazônicos, defensor dos pequenos produtores, protagonista da segunda temporada do Chef’s Table.. ufa! – atacando de garoto-propaganda da Seara (?!) e promovendo o frango industrial como se fosse caipira, numa feliz (ou infeliz?) coincidência, teve também artigo meu saindo do forno na revista da Junta Local… sobre frangos!

“Regiões rurais como o oeste catarinense tornaram-se verdadeiros pólos produtores, elevando o Brasil ao status de principal exportador mundial. Os frigoríficos são, hoje, os grandes responsáveis por saciar a nossa fome aviária. Estas empresas contam com uma rede de milhares de pequenos produtores que utilizam métodos intensivos em suas granjas, ambos sem nenhuma responsabilidade financeira pelos impactos causados por tal atividade”.

+ Confira o artigo “Frango barato, porém indigesto” na íntegra aqui.

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+ Imagem: Ivan Junior.

E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, em livro

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Gosto se Discute, Sim!

É fácil se perder entre a multitude de vozes da internet, ainda mais quando o tema é comida. No entanto, uma das vozes gastronômicas mais incisivas da internet é a de Carlos Alberto Dória, sociólogo, ex-proprietário de restaurante e autor do blog E-Boca Livre, que acaba de se tornar livro. Compartilho com vocês a resenha que eu fiz do livro para a Revista da Junta, no site da Junta Local, publicada nessa semana.

“Com o passar do tempo, e quase mil posts depois, Dória percebeu que o blog, além de servir como repositório para as suas ideias e reflexões, transformou-se também em fonte de pesquisa para muita gente interessada em gastronomia e culinária, em busca de informações que vão além das famigeradas receitas ou críticas de restaurantes. Esse foi o pontapé inicial que o motivou a compilar suas resenhas em um livro”.

+ Confira a resenha completa do livro E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, aqui!