Letters to a Young Farmer

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Como o próprio título sugere, Letters to a Young Farmer é uma obra direcionada a jovens rurais que serão a futura geração que irá empreender no campo. Porém, não se surpreenda se você, que não é agricultor (assim como eu), também se encantar pelas cartas reunidas nesta belíssima obra, lançada pela ONG norte-americana Stone Barns Center for Food and Agriculture.

O livro reúne um timaço de agricultores, escritores, especialistas e líderes que, por meio de cartas, compartilham um pouco das suas experiências e vivências sobre a temática da agricultura familiar. Ao todo, são 36 cartas e ensaios inspiradores, assinados por nomes como Alice Waters, Joel Salatin, Marion Nestle, Michael Pollan e Raj Patel, entre outros.

“Sem você, não podemos fazer as mudanças que muitos de nós acreditamos serem críticas para reformar nosso sistema alimentar, e certamente não podemos reverter o dano devastador que já foi causado devido à nossa mudança climática. Precisamos de você; realmente precisamos de você “, destaca Chellie Pingree, agricultora orgânica e ativista em prol da sustentabilidade do campo.

A apelo do livro é claro e necessário. Os EUA estão prestes a testemunhar a maior aposentadoria de agricultores da história. Atualmente, há mais produtores com mais de 75 anos do que entre as idades de 35 e 44 anos. E não basta incentivar a permanência, é preciso também  discutir a qualidade de vida no campo e o tipo de agricultura que o país quer para o futuro.

Indo na contramão do modelo tradicional do agronegócio, o discurso nas cartas é unânime: é urgente investir em uma agricultura adaptável e regenerativa; que respeite a sazonalidade; que cuide bem do solo; que seja resiliente frente aos desafios do clima; e, principalmente, que promova o cultivo de alimentos de qualidade, tanto para quem produz quanto para quem come.

“… agricultura ecológica é uma parte importante de um direcionamento para a mudança ecológica global. Não será fácil, mas se não alcançarmos a sustentabilidade na agricultura em primeiro lugar, essa grande mudança nunca acontecerá”, destaca Wes Jackson, presidente do Land Institute.

E não pense você que a realidade no Brasil é diferente. Muito pelo contrário! Segundo dados preliminares do Censo Agropecuário 2017, a população rural brasileira está envelhecendo e os mais jovens continuam a migrar para centros urbanos. Rapazes e moças com idade entre 25 e 35 anos são 9,48% do contingente, bem abaixo dos 13,56% do censo anterior, de 2006.

Ainda não temos uma tradução em português (alô, editoras!) para Letters to a Young Farmers…. que por aqui seria também uma poderosa ferramenta de engajamento e incentivo a jovens rurais repensarem seus papeis como agentes estratégicos no campo. Sem renovação na agricultura familiar, quem será a próxima geração de agricultores responsáveis por alimentar um planeta que, de acordo com a ONU, terá 9,6 bilhões de habitantes em 2050?

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You And I Eat The Same

Primeiro volume de uma série de livros idealizados pelo MAD examina o poder conectivo e opressivo da comida.

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You and I Eat the Same é o primeiro livro de uma série idealizada pelo MAD, uma organização sem fins lucrativos, capitaneada pelo chef René Redzepi, que tem como missão transformar o sistema alimentar global, dando a chefs, donos de restaurantes, empreendedores e demais atores as ferramentas necessárias para a promoção de mudanças concretas e sustentáveis em seus estabelecimentos, comunidades e cadeias de valor.

A proposta desta série é trazer a cada volume um tema relevante dentro do universo da alimentação. Neste número de estreia, organizado pelo editor Chris Ying, o assunto  escolhido foi a importância dos movimentos migratórios para a gastronomia. O livro defende a ideia de que a boa comida é o terreno comum entre diferentes culturas, especialmente em tempos em que o mundo parece mais dividido do que nunca.

Colorida e bastante heterogênea em sua abordagem, a publicação reúne 19 artigos para inspirar o leitor a ter uma nova visão sobre a temática da imigração e, principalmente da comida como elemento que conecta pessoas e rompe barreiras reais e imaginárias para nos integrar como seres humanos. Os meios de inclusão são múltiplos, por isso o livro se propõe a revelar alguns destes vínculos sutis – e os não tão sutis – criados pela maneira como comemos.

Em “Everybody wraps meat in flatbread”, abrindo o livro, Aralyn Beaumont mostra como o pão chato está presente em diferentes culturas, dos tacos mexicanos ao pão sírio, e como ele é utilizado mundo afora para comer carnes. René Redzepi, além de assinar o prefácio também reflete em “If does well here, it belongs here” sobre o que são alimentos locais e a apropriação de ingredientes exóticos, tendo como exemplo a experiência a frente do Noma, seu estrelado e inovador restaurante, em Copenhague.

Já em “Food as a gateway”, três imigrantes empreendedoras contam como as suas vidas mudaram ao participar da formação do La Cocina, em São Francisco, Califórnia.  A ONG tem como missão capacitar e orientar mulheres imigrantes de baixa renda a tornarem-se empreendedoras por meio da gastronomia. As três histórias são um bom exemplo de pessoas que tiveram suas vidas transformadas e hoje são referência na cena gastronômica da cidade.

Um dos mais inspiradores textos, que fecha o livro, é “Coffee saves lives”, assinado por Chris Ying e que conta a incrível história de Arthur Karuletwa, diretor global “Coffee Traceability and Orign Experience” da Starbucks. Arthur é sobrevivente da guerra civil em Ruanda, imigrou para os EUA,  especializou-se importação de cafés e voltou ao seu país para organizar a cadeia produtiva cafeeira, tornando-se uma espécie de embaixador da integração de um país antes dividido por grupos culturais rivais.  O café salva vidas…

Portanto, se você ainda tem dúvidas acerca do poder transformador da comida, sugiro a leitura urgente de You and I Eat the Same. São reflexões que nos lembram que o que comemos e como comemos não é apenas um reflexo da nossa identidade, mas um elo de conexão com outras pessoas e outras culturas em um mundo cada vez mais complexo, interdependente e interligado.

Pão, Vinho e Chocolate

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Acho que foram uns dois anos namorando a capa até, de fato, comprá-lo há algumas semanas. Como não se encantar com um livro chamado Pão, Vinho, Chocolate: a lenta perda da comida de amamos?  Lançado em 2015 pela jornalista, escritora e educadora Simran Sethi (ainda sem tradução para o português), Bread, Wine, Chocolate: the slow loss of the food we love é uma instigante obra que nos direciona a reflexão sobre a origem, a qualidade e o gosto da comida que consumimos diariamente.

O alerta é claro: a padronização do gosto, a industrialização da comida e a transformação de ingredientes em commodities estão colocando alimentos que tanto amamos em risco de extinção. Simran começou sua pesquisa tendo como base itens que ela ama: pão, vinho e chocolate presentes no título, e também café e a cerveja. O mergulho na investigação é intenso! A autora visitou países, como Equador, Etiópia e Inglaterra, e conversou com diversos especialistas, desde fazendeiros até engenheiros, para conhecer melhor os processos produtivos e entender o que está puxando a perda de variedade genética e da agrobiodiversidade, impactando diretamente na qualidade e no sabor do que comemos.

Segundo dados levantados no livro, atualmente, 95% das calorias do mundo vêm de apenas trinta espécies animais e vegetais. Embora os supermercados pareçam estar cheios de opções infinitas, as diferenças entre os produtos são superficiais, principalmente no sabor e na marca. Trata-se de uma erosão genética, ou seja, vivemos uma lenta e constante perda de variedade do que cultivamos e comemos. Muitos dos alimentos que chegam até a nossa mesa são apenas uma emulação ou uma sombra do que já foram… é chocolate onde o principal ingrediente não é o cacau; é embutido suíno que contém soja em sua formulação; refrescos de frutas sem frutas e por aí vai.

Trigo, milho, arroz… não importa de onde vêm, a sensação é que tudo vem sempre de uma mesma variedade híbrida onde o importante não é o sabor, mas o tamanho, a cor e a resistência às doenças. Em nome da produtividade, demanda e exigências da indústria, produtores mundo afora estão deixando de criar e cultivar de forma diversificada para atender padrões de comercialização que trazem consequências não só para o nosso paladar e saúde, mas também para a sustentabilidade de diferentes ecossistemas e realidades do campo.

Os relatos, histórias e informações reunidos no livro são fascinantes e inspiram o leitor a comer de forma mais consciente, entender os alimentos familiares, experimentar coisas novas e aprender o que é preciso para salvaguardar os gostos que nos conectam com o mundo ao nosso redor.

Do Veggie ao Vegan [e-book]

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Tá sabendo que os amigos do Clube Orgânico lançaram um guia completíssimo para ajudar você que busca uma alimentação a base de vegetais?! Trata-se de um glossário lindamente diagramado, com dicas de A a Z em temas como a importância do consumo de alimentos integrais, fontes vegetais de proteína e também receitas práticas, como patê de berinjela e creme de couve-flor.

E tem Caipirismo citado na publicação no trecho que fala sobre consumo local:

“O jornalista Guilherme Mattoso vai fundo: “a simples ideia de (1) fomentar a produção local, (2) criar ecossistemas econômicos e (3) estimular a aproximação entre produtores e consumidores já justificam – e muito! – iniciativas que promovem o consumo consciente e valorizam o que é cultivado ao alcance das mãos”

+ Baixe aqui o guia Do Veggie ao Vegan e confira!

 

Por que é impossível comer um só

 

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Tem resenha minha publicada no blog da Junta Local. Saiu há algumas semanas e eu acabei esquecendo de replicar por aqui. No texto, falo sobre o livro “Sal Açúcar Gordura”, do jornalista norte-americano Michael Moss.

“Não é novidade que a indústria alimentar usa e abusa desses três ingredientes maravilhosos na fabricação dos seus produtos, mas Moss decidiu mergulhar fundo em sua pesquisa sobre como os gigantes da comida vêm consolidando seus impérios com base no sal, açúcar e gordura. Em pouco mais de quatrocentas páginas, o jornalista compartilha o resultado de uma minuciosa investigação que incluiu análises, documentos e entrevistas com executivos, marqueteiros e cientistas ligados ao setor”.

+ Confira o artigo completo aqui!

E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, em livro

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Gosto se Discute, Sim!

É fácil se perder entre a multitude de vozes da internet, ainda mais quando o tema é comida. No entanto, uma das vozes gastronômicas mais incisivas da internet é a de Carlos Alberto Dória, sociólogo, ex-proprietário de restaurante e autor do blog E-Boca Livre, que acaba de se tornar livro. Compartilho com vocês a resenha que eu fiz do livro para a Revista da Junta, no site da Junta Local, publicada nessa semana.

“Com o passar do tempo, e quase mil posts depois, Dória percebeu que o blog, além de servir como repositório para as suas ideias e reflexões, transformou-se também em fonte de pesquisa para muita gente interessada em gastronomia e culinária, em busca de informações que vão além das famigeradas receitas ou críticas de restaurantes. Esse foi o pontapé inicial que o motivou a compilar suas resenhas em um livro”.

+ Confira a resenha completa do livro E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, aqui!

Identidades Rurais revela um outro Brasil

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Região de Parintins – AM (Ratão Diniz)

Eis um projeto que me enche o peito de orgulho e me deixa muito realizado. Há um ano tive a oportunidade de iniciar um trabalho fantástico com juntamente com meus amigos do Instituto Souza Cruz, em parceria com a Outra Praia e com o também amigo e fotógrafo Gustavo Stephan. O resultado é este belíssimo livro que batizamos de Identidades Rurais.

+ Confira algumas fotos do projeto aqui.

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Centro-Sul do Paraná (AF Rodrigues)

Cinco jovens fotógrafos talentosíssimos foram para duas regiões rurais do país na busca de elementos que compõem o campo brasileiro hoje. Em pouco mais de dois meses, AF Rodrigues, Fábio Teixeira, Fernanda Dias, Ratão Diniz e Valda Nogueira viajaram por lugares como o Oeste Catarinense, o Sisal Baiano e a região de Xapuri, no Acre,  registrando paisagens, pessoas e e a cultura local do país.

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Região Sul Goiana (Fernanda Dias)

O resultado dessa jornada está compilado no livro Identidades Rurais, que será lançado no dia 2 de junho, no Museu de Arte do Rio (MAR), no Centro do Rio, com uma exposição de fotos, das 10h às 17h. Espero vocês lá!

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Sisal Baiano (Valda Nogueira)