You And I Eat The Same

Primeiro volume de uma série de livros idealizados pelo MAD examina o poder conectivo e opressivo da comida.

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You and I Eat the Same é o primeiro livro de uma série idealizada pelo MAD, uma organização sem fins lucrativos, capitaneada pelo chef René Redzepi, que tem como missão transformar o sistema alimentar global, dando a chefs, donos de restaurantes, empreendedores e demais atores as ferramentas necessárias para a promoção de mudanças concretas e sustentáveis em seus estabelecimentos, comunidades e cadeias de valor.

A proposta desta série é trazer a cada volume um tema relevante dentro do universo da alimentação. Neste número de estreia, organizado pelo editor Chris Ying, o assunto  escolhido foi a importância dos movimentos migratórios para a gastronomia. O livro defende a ideia de que a boa comida é o terreno comum entre diferentes culturas, especialmente em tempos em que o mundo parece mais dividido do que nunca.

Colorida e bastante heterogênea em sua abordagem, a publicação reúne 19 artigos para inspirar o leitor a ter uma nova visão sobre a temática da imigração e, principalmente da comida como elemento que conecta pessoas e rompe barreiras reais e imaginárias para nos integrar como seres humanos. Os meios de inclusão são múltiplos, por isso o livro se propõe a revelar alguns destes vínculos sutis – e os não tão sutis – criados pela maneira como comemos.

Em “Everybody wraps meat in flatbread”, abrindo o livro, Aralyn Beaumont mostra como o pão chato está presente em diferentes culturas, dos tacos mexicanos ao pão sírio, e como ele é utilizado mundo afora para comer carnes. René Redzepi, além de assinar o prefácio também reflete em “If does well here, it belongs here” sobre o que são alimentos locais e a apropriação de ingredientes exóticos, tendo como exemplo a experiência a frente do Noma, seu estrelado e inovador restaurante, em Copenhague.

Já em “Food as a gateway”, três imigrantes empreendedoras contam como as suas vidas mudaram ao participar da formação do La Cocina, em São Francisco, Califórnia.  A ONG tem como missão capacitar e orientar mulheres imigrantes de baixa renda a tornarem-se empreendedoras por meio da gastronomia. As três histórias são um bom exemplo de pessoas que tiveram suas vidas transformadas e hoje são referência na cena gastronômica da cidade.

Um dos mais inspiradores textos, que fecha o livro, é “Coffee saves lives”, assinado por Chris Ying e que conta a incrível história de Arthur Karuletwa, diretor global “Coffee Traceability and Orign Experience” da Starbucks. Arthur é sobrevivente da guerra civil em Ruanda, imigrou para os EUA,  especializou-se importação de cafés e voltou ao seu país para organizar a cadeia produtiva cafeeira, tornando-se uma espécie de embaixador da integração de um país antes dividido por grupos culturais rivais.  O café salva vidas…

Portanto, se você ainda tem dúvidas acerca do poder transformador da comida, sugiro a leitura urgente de You and I Eat the Same. São reflexões que nos lembram que o que comemos e como comemos não é apenas um reflexo da nossa identidade, mas um elo de conexão com outras pessoas e outras culturas em um mundo cada vez mais complexo, interdependente e interligado.

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