Três Perguntas Para Luisa Abram

Luisa por pati

Quando ouvi falar do trabalho da Luisa Abram, há pouco mais de dois anos, fiquei encantado com a sua história: uma menina de São Paulo que foi no Acre em busca de variedades selvagens de cacau para fazer, no quartinho de serviço do apartamento, um chocolate simplesmente incrível. Dias depois, por acaso, esbarrei com o chocolate dela em um empório, em Copacabana. Foi um sinal! Me agarrei à barra e, então, ao colocar o primeiro pedaço na boca, fui parar no meio da floresta amazônica! Que chocolate intenso, frutado, com textura aveludada… ele derrete na boca sem que o amargor prevaleça! Fiquei pensando, “como ela consegue fazer estes chocolates em casa?”, e comecei a seguir seus passos.

ochocolate_barra01

De lá pra cá, Luisa adquiriu um espaço próprio para a fabricação, aumentou a variedade de opções (já são oito barras com cacau de diferentes regiões), ampliou a distribuição e suas criações, hoje, são reconhecidas mundialmente. A qualidade e o modo artesanal de preparo, porém, se mantêm os mesmos! Qual é o segredo?

Depois de acompanhar e conhecer melhor o seu trabalho, descobri como esta jovem de apenas 26 anos faz chocolates tão incríveis. Não tem mistério. O reconhecimento dos chocolates é fruto de muito esforço e dedicação em cada etapa do processo produtivo, desde a busca por matéria-prima junto a comunidades ribeirinhas até a identidade visual das embalagens dos chocolates. Isso é “Bean to Bar”, movimento de produtores que buscam uma forma mais justa e sustentável de produzir chocolates de altíssima qualidade, o mais natural possível, para o consumidor final.

Tive o prazer de conversar com a Luisa pelo bate-papo do Instagram, para saber um pouco mais do seu belo trabalho. O resultado da nossa prosa segue logo abaixo.

IMG_3754

Por que chocolate?
Costumo dizer que eu escolhi o chocolate e o cacau me escolheu! Digo isso por que sempre amei cozinha e, principalmente, a cozinha doce. Ainda na faculdade de gastronomia, meus pais me presentearam com um livro, o Elements of Dessert. Nele, eu encontrei a receita do que, hoje, chamamos de “Bean to Bar” ou “Do Grão à Barra”, e me apaixonei! Eram seis imagens que, na sua elegância, me encantaram logo de cara! E os desafios que surgiram a partir daquela leitura se mostraram tão envolventes que foi impossível virar as costas para o chocolate. Essa é a primeira parte, onde eu escolhi o chocolate. O cacau já foi uma aventura do começo, descobri que o cacau é nativo da região Amazônica, e dessa descoberta veio a vontade de conhecer essa planta que está na cultura humana há milênios e ainda não foi totalmente domesticada. A exuberância e grandiosidade da floresta são de tirar o fôlego de qualquer um.

cacau

Imagino que seja um processo desafiador trabalhar com uma variedade de frutos selvagens e heterogêneos – bem diferente do cacau domado e de sabor padronizado. Como você sintetiza esse universo em uma barra de chocolate?
O controle de qualidade é muito importante, tanto na fábrica quanto na floresta. O cacau é o protagonista do sabor e o trabalho na fábrica só ressalta os sabores já presentes nos grãos. As barras de chocolate Luisa Abram são feitas com a intenção de transportar o cliente para a floresta, com sabores exóticos e que revelam o terroir de cada região.

O chocolate brasileiro de origem, há alguns anos, vem se destacando e sendo reconhecido. Como é estar no epicentro desse movimento e quais são os desafios de adotar o modelo “Bean to Bar”?
Há quatro anos, quando comecei a fazer chocolate no quarto dos fundos de casa, jamais imaginei que o “Bean to Bar” me traria até aqui. Hoje, são seis países que, além do Brasil, vendem as barras de chocolate selvagem Luisa Abram. É um mundo novo para mim e uma aventura a cada dia! Não tenho rotina! Atualmente, meu maior desafio é manter a qualidade, pois não depende apenas de mim, e sim dos ribeirinhos que estão na mata fermentando e secando o cacau. Por isso, sempre viajo para as comunidades, assim, consigo ensinar e levar o chocolate para eles provarem! Também tenho a constante busca para obter novos cacaus e, com isso, aumentar a linha de produtos. Além disso, a logística de trazer o cacau destas localidades até São Paulo é bem demorada.

IMG_20181007_090315693.jpg

.  .  .

+ Imagens divulgação

Anúncios

Bela Gil e a democratização da alimentação saudável

bela no plaza-3

Na semana passada, a convite do Plaza Niterói, participei da palestra “Introdução à Culinária Natural”, ministrada pela Bela Gil. O encontro integra a segunda edição da Temporada Gourmet 2017, realizada periodicamente pelo shopping papa-goiaba e que tem como objetivos fomentar a troca de conhecimentos e novas experiências gastronômicas.

Bela Gil se tornou uma espécie de porta-voz de toda uma turma que vem pensando no impacto das escolhas alimentares para muito além da saúde do corpo. A exposição midiática da chef, graças ao sucesso do seu programa culinário no GNT, ajudou muitíssimo a ampliar a sua mensagem, transformando-a em embaixadora da comida de verdade.

Dois anos depois da estreia na TV, e agora com restaurantes, canal no YouTube, livros de receitas, linha de produtos… ufa, Bela segue firme com seu propósito de mostrar para as pessoas que a comida pode ser um instrumento de transformação. Na palestra, ela contou um pouco sobre a sua história e os caminhos que a levaram a estudar nutrição e gastronomia, e como a comida mudou a sua vida.

bela no plaza-5

“Eu uso o fascínio pela culinária, muito presente, hoje, na TV, para falar sobre outros aspectos da alimentação, para além da comida. Eu luto pela democratização da alimentação saudável, para que todos tenham esse poder de escolha”.

Bela Gil destacou três pontos de reflexão e ação que podemos já colocar em prática para começarmos a mudar os nossos hábitos: 1. o cuidado com que nós (as empresas, produtores e toda a cadeia produtiva) devemos ter com a terra; 2. a redução do consumo de alimentos ultraprocessados; 3. e a atenção redobrada com os rótulos.

“Cuidar da terra significa ter o prato diversificado. O campo não vai mudar se a gente não mudar a nossa dieta. Quando optamos por orgânicos, por exemplo, além de investir na saúde, estamos ajudando produtores e o meio ambiente”.

bela no plaza-1

Ao falar sobre os ultraprocessados, Bela pontuou que o ônus dessas escolhas é muito grande para a nossa saúde, pois são alimentos recheados de corantes, conservantes, realçadores de sabor… com pouca qualidade nutricional. Os rótulos, claro, estão repletos de pegadinhas que nos fazem acreditar que estamos comprando alimentos “caseiros”, “artesanais”, “naturais”…

Tudo para que os alimentos durem mais e pareçam mais frescos do que são. E o resultado vocês já sabem, né? Cada vez mais pessoas com doenças crônicas e obesidade.

Por isso, a melhor saída é cozinhar mais em casa. Preparar você mesmo os seus alimentos. Ter o conhecimento de quanto sal, açúcar ou gordura vai num determinado preparo, e ter o poder de escolha sobre quantidades, e se realmente vai querer fazer aquele prato.

O caminho para uma dieta mais saudável, baseada em alimentos frescos e não processados, passa diretamente pela cozinha e pela nossa disposição em pôr a mão na massa. Lembrando que descongelar uma lasanha ou abrir uma lata de atum não é cozinhar… pior: se não houver essa mudança, quem vai ensinar as próximas gerações a cozinhar?

.  .  .

Crédito das imagens: Fabíola Lima.

Ovos caipiras x ovos de granja

Qual é a diferença entre eles?

ovos
Crédito da imagem

Bom, para início de conversa, a cor é uma primeira diferença – gritante – entre um ovo caipira e um de granja. Nem preciso dizer qual deles eu consumo lá em casa, né? Pelo nome você já tem uma pista… mas vamos destrinchar melhor essa história toda:

Ovos brancos e ovos vermelhos (marrons)
A cor da casca do ovo tem relação apenas com a genética da raça da galinha que o botou. Basicamente, galinhas de penas brancas botam ovos brancos e galinhas de penas vermelhas botam ovos vermelhos (marrons, na verdade) e não há diferença entre os valores nutricionais dos ovos.

Ovos de granja

ovosbrancos
Crédito da imagem


Os ovos de granja são produzidos em um sistema industrial, no qual as galinhas ficam confinadas, comendo o dia todo, praticamente imóveis dentro de gaiolas – sua função básica é colocar ovos, quase como uma máquina. Elas têm seus bicos cortados para aumentar a produtividade e, com essa prática, evita-se, por exemplo, que a ave escolha a ração e desperdice alimento e que os ovos sejam bicados e portanto perdidos e que haja canibalismo entre elas.

Ovos caipiras

ovos.jpgovos2
Crédito da imagem


Os ovos caipiras também são chamados de “tipo colonial” ou “de capoeira”, dependendo da região do país. Pela legislação, as galinhas que produzem esses ovos devem ser criadas fora de gaiolas, ciscando livremente. A alimentação nessas criações é toda de origem vegetal e sem pigmentação (que é usada na ração para dar uma cor mais amarelona à gema, artificialmente). Os animais não podem tomar remédios que estimulem o crescimento e nem antibióticos.

E os ovos orgânicos?

ovosorganicos
Crédito da imagem


Os ovos orgânicos são produzidos como as caipiras, mas com a alimentação das aves 100% orgânica. Não é permitido também usar remédios para crescimento e nem antibióticos. Com essas restrições, o ovo orgânico não vem com qualquer resíduo químico. As galinhas orgânicas são criadas em condições que prezam pelo bem-estar e o comportamento natural. Por exemplo, é proibida a prática da “debicagem” e do confinamento em gaiolas.

Aqui, vale destacar que alguns estudos dizem que galinhas criadas soltas põem ovos com cerca de 4 vezes mais vitamina A do que os de granja. E aí, assunto esclarecido? Não preciso dizer que a minha preferência é pelos caipiras ou orgânicos, né? 😉

.  .  .

+ Com informações do blog Socorro na cozinha.

 

 

Responsa: saiba onde tem um orgânico perto de você

mapa

Olha que legal essa iniciativa do Instituto Kairós e da Cooperativa EITA: o Responsa é um aplicativo gratuito (por enquanto só para Android) que mapeia produtos orgânicos por todo o Brasil, além de outras iniciativas que defendem o consumo responsável. São feiras, restaurantes, lojas, cooperativas, hortas comunitárias, clubes de compras…

A ideia é  reunir em um mesmo espaço as informações necessárias, que permitam às pessoas entender as relações de produção e intervir em seu contexto, participando e apoiando ativamente aquele empreendimento que está perto de você. No total, já são mais de 3 mil estabelecimentos disponíveis para consulta em todo o país.

Para participar do Responsa com o seu empreendimento é necessário adotar práticas de produção e comercialização que tenham respeito e cuidado com o trabalhador e com o meio ambiente. Além do aplicativo, o mapa também está disponível no site pode ser consultado no Portal do Consumo Responsável.

Vem aí o wiki orgânico

Caipirismo + Clube Orgânico = wiki orgânico!

wikiorganico

O blog Caipirismo e o Clube Orgânico estão lançando uma iniciativa muito bacana, que batizamos de wiki orgânico! Trata-se de um pequeno dicionário de verbetes ligados aos temas que circundam o universo da comida de verdade.

O que é agricultura orgânica? É a mesma coisa que agroecologia? E turismo rural, é sinônimo de agroturismo? E permacultura? E agrofloresta…? Nas próximas semanas vou publicar no blog do Clube Orgânico alguns desses conceitos, mas vamos querer também a sua ajuda!

Você pode (e deve!) contribuir com aquilo que sabe sobre os diferentes temas que vamos abordar. É simples: comente sempre que souber de algo novo no blog do Clube, ou mande sua sugestão de verbete para a Francisca: plante@clubeorganico.com.

Toda semana, sempre às terças e quintas, sai um verbete novo. Fique de olho e boa leitura!

Orgânicos e naturais invadem o shopping

greenmarket
Nuu Pão de Queijo e Hareburguer estão entre as atrações da feira

Começa hoje no Plaza Niterói a Temporada Gourmet, evento de gastronomia promovido pelo shopping que, até o dia 29 de maio, vai oferecer uma série de workshops e oficinas gratuitas, além do Encontros Água na Boca, do jornal O Globo, e também o Menu Temporada Gourmet, com pratos exclusivos para o evento, criados pelos restaurantes participantes. Até aí, tudo muito legal: palestras imperdíveis com chefs famosos, encontros com profissionais monstruosos e tudo, mas nesta edição o que me chamou a atenção na programação foi o Final de Semana Green Market, que vai encerrar a temporada nos dias 28 e 29 de maio.

Organizada por Pedro Bonelli e Alessandra Moraes, responsáveis também pelo Festival Veggo, a feira vai ocupar o Espaço Gourmet do shopping, no 4º piso, com diversos produtores orgânicos, veganos e naturais, como os sucos LOV, Hortamix Orgânicos, Dora Vegana, Hareburguer e Nuu Pão de Queijo, entre outros. Além das compras, os participantes poderão também assitir palestras com profissionais de educação física, nutricionistas e aulões de ioga. Alinhado ao clima natureba do fim de semana, no dia 28, o restaurante Balada Mix vai promover um workshop sobre saladas e no dia 29 a nutricionista Marina Seidl vai falar sobre alimentação saudável.

+ Visite a página do Plaza  no Facebook e saiba tudo sobre a programação do evento.

Carlsberg lança cerveja orgânica na Suécia

CARLSBERG_Hof_Organic

A gigante cervejeira Carlsberg lançou na Suécia uma versão orgânica da sua tradicional cerveja. Batizada de Carlsberg Hof, esta lager light mantém o mesmo sabor da versão tradicional, mas a diferença é que mais de 95% do malte e lúpulo utilizados na receita são orgânicos.

Aliás, a procura por lúpulo orgânico na Europa está tão em alta que o produto anda escasso – é necessário quase o dobro do tempo para a planta crescer sem o uso de fertilizantes. Além disso, produtores de lúpulo em processo de transição têm que esperar de quatro a cinco anos até serem certificados como orgânicos.

carlsberg hof

A escolha da Suécia não foi em vão. O país vive um boom de consumo consciente. Segundo uma pesquisa recente, o volume de vendas de produtos livres de agroquímicos aumentou 83% em relação ao ano passado. Será que essa tendência estrapola as fronteiras da Suécia e ganha o mundo?

+ Com informações do site Okorkat, uma iniciativa da Carlsberg Suécia Para o Desenvolvimento Sustentável.