Pão, Vinho e Chocolate

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Acho que foram uns dois anos namorando a capa até, de fato, comprá-lo há algumas semanas. Como não se encantar com um livro chamado Pão, Vinho, Chocolate: a lenta perda da comida de amamos?  Lançado em 2015 pela jornalista, escritora e educadora Simran Sethi (ainda sem tradução para o português), Bread, Wine, Chocolate: the slow loss of the food we love é uma instigante obra que nos direciona a reflexão sobre a origem, a qualidade e o gosto da comida que consumimos diariamente.

O alerta é claro: a padronização do gosto, a industrialização da comida e a transformação de ingredientes em commodities estão colocando alimentos que tanto amamos em risco de extinção. Simran começou sua pesquisa tendo como base itens que ela ama: pão, vinho e chocolate presentes no título, e também café e a cerveja. O mergulho na investigação é intenso! A autora visitou países, como Equador, Etiópia e Inglaterra, e conversou com diversos especialistas, desde fazendeiros até engenheiros, para conhecer melhor os processos produtivos e entender o que está puxando a perda de variedade genética e da agrobiodiversidade, impactando diretamente na qualidade e no sabor do que comemos.

Segundo dados levantados no livro, atualmente, 95% das calorias do mundo vêm de apenas trinta espécies animais e vegetais. Embora os supermercados pareçam estar cheios de opções infinitas, as diferenças entre os produtos são superficiais, principalmente no sabor e na marca. Trata-se de uma erosão genética, ou seja, vivemos uma lenta e constante perda de variedade do que cultivamos e comemos. Muitos dos alimentos que chegam até a nossa mesa são apenas uma emulação ou uma sombra do que já foram… é chocolate onde o principal ingrediente não é o cacau; é embutido suíno que contém soja em sua formulação; refrescos de frutas sem frutas e por aí vai.

Trigo, milho, arroz… não importa de onde vêm, a sensação é que tudo vem sempre de uma mesma variedade híbrida onde o importante não é o sabor, mas o tamanho, a cor e a resistência às doenças. Em nome da produtividade, demanda e exigências da indústria, produtores mundo afora estão deixando de criar e cultivar de forma diversificada para atender padrões de comercialização que trazem consequências não só para o nosso paladar e saúde, mas também para a sustentabilidade de diferentes ecossistemas e realidades do campo.

Os relatos, histórias e informações reunidos no livro são fascinantes e inspiram o leitor a comer de forma mais consciente, entender os alimentos familiares, experimentar coisas novas e aprender o que é preciso para salvaguardar os gostos que nos conectam com o mundo ao nosso redor.

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Por que é impossível comer um só

 

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Tem resenha minha publicada no blog da Junta Local. Saiu há algumas semanas e eu acabei esquecendo de replicar por aqui. No texto, falo sobre o livro “Sal Açúcar Gordura”, do jornalista norte-americano Michael Moss.

“Não é novidade que a indústria alimentar usa e abusa desses três ingredientes maravilhosos na fabricação dos seus produtos, mas Moss decidiu mergulhar fundo em sua pesquisa sobre como os gigantes da comida vêm consolidando seus impérios com base no sal, açúcar e gordura. Em pouco mais de quatrocentas páginas, o jornalista compartilha o resultado de uma minuciosa investigação que incluiu análises, documentos e entrevistas com executivos, marqueteiros e cientistas ligados ao setor”.

+ Confira o artigo completo aqui!

E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, em livro

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Gosto se Discute, Sim!

É fácil se perder entre a multitude de vozes da internet, ainda mais quando o tema é comida. No entanto, uma das vozes gastronômicas mais incisivas da internet é a de Carlos Alberto Dória, sociólogo, ex-proprietário de restaurante e autor do blog E-Boca Livre, que acaba de se tornar livro. Compartilho com vocês a resenha que eu fiz do livro para a Revista da Junta, no site da Junta Local, publicada nessa semana.

“Com o passar do tempo, e quase mil posts depois, Dória percebeu que o blog, além de servir como repositório para as suas ideias e reflexões, transformou-se também em fonte de pesquisa para muita gente interessada em gastronomia e culinária, em busca de informações que vão além das famigeradas receitas ou críticas de restaurantes. Esse foi o pontapé inicial que o motivou a compilar suas resenhas em um livro”.

+ Confira a resenha completa do livro E-Boca Livre, de Carlos Alberto Dória, aqui!

Para ler e pensar gastronomia

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Acabei deixando passar, mas vale divulgar as duas resenhas que escrevi há algumas semanas no blog dos amigos da Junta Local. A primeira foi sobre “O Terceiro Prato – Observações Sobre o Futuro da Comida”, primeiro livro do chef Dan Barber, lançado no Brasil na Junta de Primavera, no dia 18 de outubro.

Em pouco mais de 400 páginas, Barber questiona o movimento do qual emergiu e, após um longo trabalho de investigação e pesquisa com chefs, produtores e estudiosos nos Estados Unidos e Europa, lança bases para uma proposta radical de transformação do sistema alimentar ocidental, que assegura o bem estar da nossa saúde, dos nossos alimentos e do meio ambiente. Leia o artigo completo aqui.

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A segunda resenha foi sobre “Slow Food, princípios da nova gastronomia”, de Carlo Petrini, criador do movimento que batiza seu mais célebre livro.

O livro é dividido em cinco capítulos e Petrini inicia sua narrativa apresentando um “quadro pouco animador”, onde revela como, em tão pouco tempo, o processo de industrialização da produção de alimentos causou tantos estragos à qualidade da nossa alimentação, às culturas agrícolas tradicionais e à agrobiodiversidade do planeta. Para reverter este cenário, o autor preconiza um novo modelo de agricultura “desindustrializada” e defende que o velho consumidor, hoje “novo gastrônomo”, deve sentir-se como coprodutor, parte do processo produtivo, que conhece, influencia, apoia e recusa o equivocado ou insustentável. Leia o artigo completo aqui.